Fevereiro 7, 2022
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Neste sábado, dia 5 de fevereiro, milhares de pessoas tomaram a Avenida Paulista para exigir JUSTIÇA PARA MOÏSE! Contrariados pela vontade das comunidades africanas e pela insistência de vários manifestantes, partidos e movimentos eleitoreiros aderiram à marcha, mas não por solidariedade ou boa vontade.

Com a força de luta congolesa e de grupos combativos encabeçando a marcha, os partidos e movimentos oportunistas marcharam a passos lentos e distantes da comunidade. O PCB, em formação fechada contra o resto do protesto, se recusava a andar, aderindo à medida que era cobrado por outros manifestantes.

No encontro da Avenida Paulista e da Rua da Consolação, policiais militares agrediram a frente da manifestação e impediram o avanço do protesto, liderado pela comunidade congolesa. Com muita garra e coragem, os manifestantes resistiram às agressões e não recuaram. O Choque e a Cavalaria foram acionados, mas não precisaram entrar em ação. No lugar deles, um agente muito pior mostrou as suas garras: os reformistas oportunistas.

Enquanto os manifestantes, em número favorável, encaravam os escudos cada vez mais numerosos da polícia e a comunidade congolesa deliberava sua posição, líderes oportunistas se dispuseram a “negociar” com as forças de repressão. Depois de quase meia hora, anunciaram que a marcha havia sido autorizada e que a rua seria liberada em 10 minutos. Entretanto, com o passar do tempo, a polícia não abriu o caminho. Muito pelo contrário, o que se viu foi a retirada covarde e criminosa de forças políticas eleitoreiras como o PT, PSOL, PCB e PSTU, deixando as comunidades africanas e os manifestantes da frente em situação de perigo iminente.

Diante da traição, os manifestantes voltaram pela Avenida Paulista. As comunidades africanas, com as bandeiras do Congo e de Angola, tentaram furar os bloqueios policiais para avançar a marcha. Entretanto, as forças oportunistas do PSOL restantes no ato fizeram cordões de isolamento, ameaçando militantes e denunciando aqueles que seguissem de “infiltrados”. A marcha, portanto, continuou pela Avenida Paulista, cercada de policiais, enquanto o resto do PSOL e do MRT se retiravam.

Na chegada ao MASP, as forças policiais cercaram as comunidades congolesas e angolanas e os manifestantes, atacando brutalmente homens e mulheres que andavam pela calçada. Com mais uma série de negociações, o protesto, então apenas com as comunidades congolesas e angolanas, forças autônomas e o Sindicato Geral Autônomo de São Paulo (filiado à FOB), seguiu até a Praça da República, envelopada por centenas de policiais que ameaçavam os manifestantes.

Assim como foi feito no protesto, denunciamos o oportunismo e a covardia dos partidos e movimentos que usam a revolta popular como trampolim eleitoral e passeio festivo. Depois de tirarem suas fotos para as redes sociais, estes grupos deram as costas para as pessoas presentes e, ao traírem os manifestantes e a comunidade congolesa, colocaram em perigo de prisão e agressão todos e todas que foram às ruas expressar sua justa indignação diante do assassinato racista de Moïse, em especial os povos africanos, já marginalizados, que sofrem diversas opressões e perseguições, correndo risco inclusive de deportação.

Diante do racismo, da violência policial e da exploração dos trabalhadores, a única solução para nosso povo é a organização, o apoio mútuo e a luta! A conciliação com nossos assassinos nunca nos serviu e nunca nos servirá!

Agradecemos a solidariedade e o carinho da comunidade congolesa e angolana, que nos acolheram em seu protesto e com quem permanecemos até o final. A luta não começou hoje e não acabará amanhã. A justiça para Moïse é a justiça para todos os povos explorados e oprimidos.

JUSTIÇA PARA MOÏSE!




Fonte: Lutafob.org