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Vai transcorrendo mais de um ano em que a pandemia da covid-19 evidencia o estado em que nós, trabalhadoras e trabalhadores, somos submetidos a partir de ataques programados pelos de cima. O soterramento de direitos trabalhistas e o esvaziamento do auxílio emergencial se complementam ao desmantelamento do SUS e à imposição de uma precariedade brutal, que nos afunda em mais miséria, adoecimento e morte. Também completa um ano que levantamos nossas bandeiras pelo 1º de Maio Combativo, reivindicando tomar as riquezas por Vida Digna, em uma data que é memória, mas também representa nossa urgência.

Neste 1º de Maio de 2021, esta mesma urgência cresce se voltando à solidariedade e à organização da nossa revolta. O expressivo índice de 14,5% de desemprego no país sequer representa a grande massa de desalentados, informais, e ultraprecarizados que passaram a ser ainda mais explorados por relações de trabalho sem qualquer vínculo que assegure o mínimo de proteção. Seguimos atropelados pelos (des)ajustes, como a Reforma Trabalhista, e pelas consequências de medidas como o Teto de Gastos, que congelou os investimentos em Saúde e Educação. Mulheres definham em jornadas triplas, entre os cuidados, trabalho doméstico, e extenuante carga horária. Nas periferias, a labuta pela sobrevivência vem simultaneamente ao enfrentamento diário de uma violência que não cessa contra o povo negro. Faltam garantias de todos os lados. O ataque é cometido também através da fome, e não fosse a solidariedade e ações de apoio mútuo entre nós, as e os de baixo, os pratos vazios endossariam ainda mais as mortes e o adoecimento, já que 21% das famílias mais pobres hoje dependem de doações para se alimentarem, segundo a Oxfam. Ano passado, nos indignávamos com o insuficiente auxílio emergencial de R$ 600, hoje com o povo ainda mais empobrecido, Bolsonaro e Guedes reduzem ainda mais o valor para R$ 150.

Preenchemos o espaço do lamento com a consciência e a revolta coletiva de que é inaceitável chegarmos neste ponto. É inaceitável que exista quem ganhe com cada uma destas perdas. Que os super ricos brasileiros tenham ficado US$ 34 bilhões ainda mais afortunados durante a pandemia. É inaceitável porque não se trata de um acidente, ou de “sorte deles”, mas de uma lógica. As contas que não conseguimos pagar no fim do mês, a vacina que chega em doses irrisórias, o direito trabalhista que nos escapa, as jornadas exaustivas não contabilizadas, os leitos e equipamentos que nos faltam nos hospitais – cada pedaço da grave crise que enfrentamos é programada e serve à acumulação destes grandes setores do mercado financeiro e corporativo, das indústrias estrangeiras e nacionais, de ruralistas e oligarquias no país, destes super-ricos e do Estado que os mantêm para se manter. A eles, o fruto de toda riqueza que produzimos coletivamente. A nós, as piores estatísticas e ainda mais retirada de direitos muito mal mascaradas nas narrativas de uma crise que eles dizem não ter culpados e em que se incluem como vítimas.

A urgência da revolta popular

A pandemia nos ataca por dentro, leva os nossos, e nos impõe ainda mais desafios à mobilização. Hoje também se colocam dificuldades na organização da luta por condições de trabalho, diante da fragilização imposta aos sindicatos, seja através de esvaziamento de direitos, burocratização e aparelhamento, que se expressam na inércia das centrais sindicais do país. Lutas que se esvaem em negociações rasas entre diretorias, e não acumulam forças para grandes revoltas que poderiam revirar o estado das coisas.

A informalidade situa o lugar a condição em que trabalhadores se encontram: cada vez mais afastados das entidades de classe e também entre si. Esse incentivo à dispersão, programado e pensado, é uma realidade com a qual convivemos em nosso cotidiano e que nos coloca na tarefa de orientar nossas pedagogias de luta para essa situação.

Tendo como marco as memórias do 1º de Maio em 1886, acumulamos referências que nos enchem de ferramentas para que a compreensão dessa realidade também se converta em ação e transformação desde as e os de baixo. Se estamos em tantos lugares, que seja esta a condição que nos firme. Assim, a potencialidade da nossa luta por trabalho está no chão da fábrica, mas também se acende na labuta das comunidades, do campo, das aldeias e quilombos, nas repartições e hospitais, nos transportes de carga e de aplicativos, no fortalecimento do movimento negro, estudantil e nas organizações de mulheres.

A justa distribuição da riqueza construída coletivamente não será devolvida de bom grado por quem historicamente nos rouba, lucrando até mesmo com mortes e com o adoecimento por uma pandemia mundial. Só a revolta popular, construída e eclodida pelas classes oprimidas organizadas, dará o tom e nos garantirá uma vida digna, com recuperação e avanço na conquista de direitos!

REVOLTA POPULAR PARA TOMAR AS RIQUEZAS!
VIVA A CLASSE TRABALHADORA! VIVA O 1º DE MAIO!

Coordenação Anarquista Brasileira




Fonte: Cabanarquista.org