Maio 30, 2022
Do Uniao Popular Anarquista
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Há 208 anos, em 1814, nascia, em Premukhimo, o anarquista russo Mikhail Bakunin. Sua família era de origem aristocrata, mas Bakunin rompe com o czarismo, abandona a carreira militar e passa a se dedicar às causas revolucionárias, em especial das lutas de emancipação dos povos eslavos.

Por volta de 1840, Bakunin migra para a Alemanha, onde aprofundou seus estudos filosóficos, dedicado-se a compreensão da filosofia de Kant, Fichte, Hegel, Goethe, entre outros. Participa de círculos de estudo, inclusive dos chamados “hegelianos de esquerda”.

Os primeiros contatos de Bakunin com as ideias socialistas ocorreu ainda na Rússia, pela influência de filósofos russos Aleksandr Herzen e Nikolay Ogarev, que se tornariam seus interlocutores e amigos. Mas foi em Paris que o revolucionário anarquista mergulhou nas concepções e práticas das lutas proletárias. Nos círculos operários conheceu o anarquista francês Pierre-Joseph Proudhon e os comunistas alemães Karl Marx e Friedrich Engels. Proudhon foi decisivo para sua adesão ao anarquismo e, em grande medida, Bakunin será o principal continuador da obra de Proudhon.

Ao se inserir nas lutas proletárias, Bakunin participa das insurreições e revoluções de 1848, que ficaram conhecidas como a Primavera dos Povos e se estenderam até 1849. Mas com a derrota das revoluções, passa a ser perseguido pelas forças da reação contrarrevolucionária. Bakunin é preso em 1850 e condenado à morte. Sua pena é convertida em prisão perpétua. Em 1851, é extraditado para Rússia, onde começa a cumprir sua pena na Fortaleza de São Pedro e São Paulo, na cidade de São Petersburgo. Posteriormente é enviado para o exílio na Sibéria, onde ficaria até sua fuga, em 1861. No exílio, ele se casou com Antonia Kwiatkowska.

Em sua fuga, Bakunin foi para o Japão, depois para os Estados Unidos e, finalmente, retornou à Europa e retomou suas atividades políticas pela causa revolucionária. Procurou seus antigos contatos e estabeleceu novas alianças.

Em 1864 inicia a construção de uma organização revolucionária clandestina que reunia revolucionários de várias nacionalidades em diversos países da Europa, a “Fraternidade”, também conhecida como Sociedade Secreta Internacional da Revolução, cujo programa constitui as bases do anarquismo revolucionário.

No mesmo ano de 1864, foi fundada a Associação Internacional dos Trabalhadores, a AIT, em Londres. Uma iniciativa dos operários franceses e dos tradeunionistas ingleses, que também contou com militantes revolucionários exilados na Inglaterra. O movimento operário francês, em especial aqueles que participaram da fundação da AIT, era fortemente influenciado pelas ideias mutualistas do anarquista Proudhon, o que permitiu uma aproximação de Bakunin e de seus partidários quando estes aderiram à AIT.

Em 1867 os militantes da “Fraternidade” iniciam sua atuação na Liga da Paz e Liberdade, uma iniciativa de caráter liberal que contou, inicialmente, com a participação do movimento operário, inclusive da AIT. Entretanto, a “Fraternidade” rompe com a Liga da Paz e, em 1868, funda a Aliança Internacional de Democracia Socialista, a “Aliança”, que pede filiação na AIT.

Os aliancistas formaram com os mutualistas revolucionários o bloco coletivista no interior da AIT, responsável pelo delineamento do programa revolucionário da Associação, especialmente a partir do seu terceiro congresso, realizado em 1868 em Bruxelas, com a aprovação das teses em defesa da abolição da propriedade privada, em defesa da coletivização dos meios de produção e da estratégia da greve geral insurrecional.

Com a eclosão em 1870 do movimento comunnard na França, Bakunin e os demais coletivistas da AIT se dedicam a causa da insurreição revolucionária, defendendo uma Revolução Social, isto é, a insurreição das massas proletárias do campo e da cidade contra todas as formas do poder burguês, destruindo simultaneamente a propriedade privada e o Estado e consequentemente, construindo a federação livre das comunas e das associações da classe trabalhadora, em outras palavras, o autogoverno do proletariado.

Entretanto, a reação contrarrevolucionária esmagou a Comuna de Paris em 1871. Essa derrota foi muito dura para o movimento proletário internacional, com muitos impactos na organização da AIT. Marx e os demais comunistas, que já tinham manifestado discordâncias com o programa a e estratégia coletivistas, aprovou, na conferência de 1871 a estratégia da fundação de partidos operários para disputar as eleições burguesas, decisão de desagradou o bloco coletivista.

No Congresso de Haia de 1872, Marx e seus partidários aprovaram a expulsão de Bakunin da AIT, entretanto, essa decisão não foi reconhecida pela maioria das seções da Associação, a saber, as seções da Suíça, França, Bélgica, Itália e Espanha. Por isso, foi convocado um novo congresso ainda em 1872, realizado em Saint Imier. O Congresso de Saint Imier contou com a participação das seções italiana, espanhola, americana, francesa e jurassiana (suíça), recebendo posteriormente a adesão da seção belga. Os congressistas de Saint Imier não reconheceram as decisões de Haia, sendo contrários às disputas das eleições burguesas, à expulsão de Bakunin e à transferência do Conselho Geral da AIT para os EUA. Mais tarde essa organização ficou conhecida com a “AIT-Antiautoritária”, responsável pelas bases do sindicalismo revolucionário que foi difundido pelo globo no final do século XIX e início do século XX.

A União Popular Anarquista se reivindica bakuninista porque se colocou a tarefa revolucionária de continuar e atualizar as teorias, estratégias e o programa de Bakunin e dos demais revolucionários defensores do anarquismo coletivista e do sindicalismo revolucionário. Manter viva a memória de Bakunin é lutar pela causa da Revolução Social!

Bakunin Vive!
Vida longa ao bakuninismo!




Fonte: Uniaoanarquista.wordpress.com