Novembro 16, 2020
Do O Abutre
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Conheci o Thierry já lá vai mais de uma década, numa boleia que partilhamos até aos Pirinéus, a caminho de um encontro da Família Arco-íris. Durante a viajem falou-me da sua experiência na Guiana Francesa, do seu envolvimento nas lutas contra as minas de ouro, do seu sonho em regressar um dia e viver como os povos autóctones que aí tinha conhecido… Anos mais tarde voltei a cruzar-me com ele nos encontros “anti-civilização”, evento que decorreu durante vários dias num bosque perto de Barcelona. Durante o encontro, o Thierry, com o seu inusitado “tapa-rabos”, não suscitou grande empatia entre os presentes – a maioria de proveniência urbana e com pouca sensibilidade para as idiossincrasias do “índio branco”. Lembro-me até da desconfiança com que alguns o olhavam, enquanto este explicava a concepção não-linear do tempo, partilhada pela maioria dos povos “não civilizados”. No último dia do acampamento, enquanto se desmontava a cozinha, aproximou-se um veículo todo-o-terreno destinado a transportar a tralha. A música aos berros expelida pelo veículo entoava nas redondezas. Isto irritou verdadeiramente Thierry, nesse momento ouvindo calmamente o som de um djambé, tocado por alguém na clareira adjacente. Visivelmente exaltado, atirou aos presentes – então vocês vêm a este encontro, e abafam com o ruído da civilização, sem qualquer pudor, o som acústico do tambor?

Isto veio-me à memória, porque entretanto encontrei este texto escrito por ele: O que é a Ecologia Radical?




Fonte: Oabutre.noblogs.org