Fevereiro 21, 2021
Do Reporter Popular
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A cidade de Maricá-RJ contabilizou mais de 11064 casos de covid-19 com 246 óbitos [1] confirmados (com 15 óbitos em análise) e segundo a ferramenta Monitora Covid-19 da Fiocruz encontra-se na décima e sétima posição (de 93 municípios) em número de casos [2] no estado do Rio de Janeiro.

De dezembro a janeiro houve um significativo aumento no número de casos e de mortes por covid-19 na cidade. Contraditoriamente, a prefeitura da cidade autorizou o retorno das escolas particulares num decreto publicado em 25 de janeiro de 2021 e há indicativo na rede municipal de retorno presencial das aulas em março, o que vem angustiando os trabalhadores da educação que atuam na cidade. No que diz respeito à rede estadual, a assembleia realizada no dia 29 de janeiro aprovou por ampla maioria a “Greve pela Vida contra retorno às atividades presenciais e pela vacina em 2021”. Na rede municipal, os/as educadores/as realizaram uma assembleia e por meio do Sindicato dos Profissionais em Educação do Município de Maricá (SINEDUC) e aprovaram o indicativo de greve com plenária marcada em 22 de fevereiro para deliberar se entram em greve ou não.

Educadores da cidade prometem mobilizações em defesa da vida.

A diretora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro – Maricá (SEPE-Maricá), Jaqueline Pinto afirma que “surpreende o fato das pessoas pensarem que o professor é descartável”. “Acho que as escolas não tem condição de retornar, mas precisamos criar condições para que a escolas reabram. Mas não pode reabrir colocando a vida dos profissionais e dos alunos em risco. Precisamos reabrir com segurança, mas isso só pode ser atingido com a questão da vacina”.

Alex Monteiro, diretor e coordenador de imprensa e comunicação do SINEDUC também pensa semelhante. Apesar da escola ter um “um papel social insubstituível”, diz Monteiro, “a direção do SINEDUC defende e continuará defendendo retorno das aulas somente com VACINA. Essa posição que levamos para as plenárias e acompanhamos as decisões das plenárias.”

Os sindicatos da educação do município (Sineduc, Sepe e Sinpro) decidiram agir em unidade, e encaminharam uma semana de ação em defesa da vida no dia 22 ao dia 27 de fevereiro. Tais ações questionam o retorno das aulas presenciais sem a vacinação da comunidade escolar, quando o país atingiu a terrível cifra de mais de 250 mil mortes. Cabe afirmar que o administrativo das escolas estaduais e municipais segue funcionando “normalmente”. Parte dos trabalhadores da educação do município, seguem nas escolas, atendendo pais e mães, realizando trabalhos internos e se expondo ao risco de contrair covid-19.

Cartaz unificado dos sindicatos do município.

Segundo Alex Monteiro, há “muitos casos de ansiedade, depressão [na categoria], resultado do sistema de ensino remoto instalado com uso de uma plataforma que não atingiu os alunos e da fragilização do papel social do educador em meio a pandemia…”.

Muitos educadores e educadoras de Maricá, vivem em outros municípios ou trabalham em outras redes e estão sendo pressionados ao retorno presencial sem qualquer indicativo de vacina. Na rede privada de educação esta pressão iniciou mais cedo. Segundo Sérgio Oliveira, membro da diretoria colegiada do Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro – Niterói e Região (Sinpro – Niterói e Região), o retorno das aulas presenciais da rede privada em Maricá foi feita de maneira “muito turbulenta e sem o devido debate com a representação sindical da categoria, que é contra o retorno as aulas presenciais”. Questionado sobre a pressão dos empresários da rede privada, Oliveira afirma que “A pressão dos donos de escola sempre existiu, principalmente dos negacionistas e daqueles que colocam o lucro acima da vida, isto é, por parte daqueles que tratam a educação como mercadoria.” O diretor do SINPRO também afirma que o impacto na educação tem sido grande.

“Ampliou em muito o contágio entre as pessoas e aumentou bastante o número de profissionais com problemas de ordem emocional. Essa atitude de retorno às aulas presenciais é um absurdo e já está demonstrando o quanto agrava os problemas relacionados à crise sanitária que estamos enfrentando”.

No contexto de um governo federal que trabalhou ativamente contra a ciência e contra a vacina, o retorno das aulas presenciais sem vacina no município de Maricá flerta com atitudes negacionistas, que põem em risco não apenas os educadores de Maricá, mas toda a população da cidade. Espera-se que a população e as autoridades maricaenses compreendam que a educação e a vida devem andar juntas, não separadas.

Repórter Popular – Maricá (RJ)

Ouça o informativo n. 01 /2021 do Repórter Popular – Maricá.

[1] Boletim 341 da covid – 20/02.
[2] Monitora Covid. https://bigdata-covid19.icict.fiocruz.br
[3] http://www.sineduc.com.br/deliberacoes-da-1a-plenaria-geral-online-realizada-dia-1-de-fevereiro-de-2020/




Fonte: Reporterpopular.com.br