en / fr / es / pt / de / it / ca / el

As notícias de 2770 coletivos anarquistas são postados automaticamente aqui
Feed de notícias atualizado a cada 5 minutos

A OCUPAÇÃO DAS FÁBRICAS, por Errico Malatesta


257 visualizações


As greves gerais de protesto já não comovem ninguém: nem aos que as fazem nem àqueles contra os quais se dirigem. Se a polícia tivesse apenas a inteligência de não provocar, passariam como qualquer dia de feriado.

É preciso buscar outra coisa. Nós lançamos uma idéia: tomar posse das fábricas. Na primeira vez, talvez, poucos o farão e o efeito não será muito forte; mas o método tem certamente um porvir, pois corresponde aos fins últimos do movimento proletário e constitui uma ginástica que prepara para a expropriação geral e definitiva [1].

Os metalúrgicos começaram o movimento por questões referentes aos salários. Trata-se de uma greve de novo tipo. Em lugar de abandonar as fábricas, ficaram lá dentro sem trabalhar e fizeram guarda noite e dia para que os patrões não pudessem fechar os estabelecimentos.

Mas isto aconteceu em 1920. Toda a Itália proletária tremia de febre revolucionária e logo a coisa mudou de caráter. Os operários pensaram que era o momento de tomar posse definitivamente dos meios de produção. Armaram-se para a defesa, transformaram muitas fábricas em verdadeiras fortalezas e começaram a organizar a produção por sua conta. Os patrões foram expulsos ou colocados sob prisão. Era o direito de propriedade abolido de fato, a lei violada em tudo o que serve para defender a exploração capitalista; era um novo regime, um novo modo de vida social que se inaugurava e o governo deixava fazer porque se sentia impotente para se opor: confessou mais tarde, desculpando-se no parlamento por não ter praticado a repressão.

O movimento se ampliava e tendia a abarcar outras categorias; aqui e ali os camponeses ocupavam as terras. Era a revolução que começava e se desenvolvia de uma maneira que denominaríamos quase ideal.

Os reformistas viam naturalmente as coisas com maus olhos e tentaram aboli-la. O próprio Avanti!, que não em qual santo confiar, tratou de nos personificar como pacifistas, porque em Umanità Nova havíamos dito que se o movimento se estendesse a todas as categorias, se os operários e camponeses seguissem o caminho dos metalúrgicos expulsando os patrões e tomando posse dos meios de produção, se realizaria a revolução sem derramar uma única gota de sangue.

Mas não funcionou.

A massa estava conosco; nos preocupávamos em ajudar às fábricas para falar, encorajar, aconselhar, e deveríamos ter nos dividido em mil para satisfazer todos os pedidos. Em todos os lugares aos quais ajudávamos, eram nossos os discursos que os operários aplaudiam, e os reformistas deveriam se retirar ou se camuflar.

A massa estava conosco porque nós interpretávamos melhor os seus instintos, suas necessidades e seus interesses.

Contudo, bastou um tipo de manejo astuto do pessoal da Confederação Geral do Trabalho e seus acordos com Giolitti para fazer acreditar numa espécie de vitória mediante a trapaça do controle operário, e induzir os operários a deixar as fábricas justamente no momento em que eram maiores as probabilidades de êxito [2].

A ocupação das fábricas e das terras estava perfeitamente dentro da nossa linha programática.

Nós fizemos tudo que podíamos, com os diários – Umanità Nova cotidiana e os diversos semanários anarquistas e sindicalistas – e com a nossa ação pessoal nas fábricas para que o movimento se intensificasse e generalizasse. Avisamos aos operários, e nisto infelizmente fomos bons profetas, o que lhes sucederia se abandonassem as fábricas, ajudamos a preparar a resistência armada, vislumbramos a possibilidade de fazer a revolução quase sem lutar,  apenas mostrando a decisão de empregar as armas acumuladas.

Não tivemos êxito e o movimento fracassou porque éramos muito pouco e as massas estavam bem pouco preparadas.

Quando D’Aragona e Giolitti organizara a patifaria do controle operário, com a aquiescência do Partido Socialista, que se encontrava, então, dirigido pelos comunistas, gritamos contra a traição e nos espalhávamos pelas fábricas para pôr em guarda os operários contra essa mentira vil. Mas se difundiu apenas a ordem da Confederação de sair das fábricas, os operários, que, todavia, sempre nos acolheram e reclamaram com entusiasmo e aplaudiram as nossas incitações à resistência a todo custo, obedeceram docilmente à ordem, embora dispusessem de poderosos meios militares para a resistência.

O temor em cada fábrica de terminarem sozinhos para combater e das dificuldades de assegurar a alimentação dos diversos pontos fortificados induziram à rendição, apesar da oposição dos anarquistas individuais que estavam distribuídos pelas fábricas.

O movimento não poderia durar nem triunfar senão ampliando-se e generalizando-se, e nessas circunstâncias não podia se ampliar sem o consentimento dos dirigentes da Confederação Geral e do Partido Socialista, que tinham a grande maioria dos trabalhadores organizados à disposição. A Confederação e o Partido Socialista – inclusive os comunistas – se puseram contra e tudo deveria terminar com a vitória dos patrões [3].

Traduzido por Inaê Diana Ashokasundari Shravya

Fotografia de Nicholas Kennedy Sitton

NOTAS

[1] Umanità Nova, 17 de março de 1920.

[2] Umanità Nova, 28 de junho de 1922.

[3] Pensiero e Volontà, 19 de abril de 1924.




Fonte: Ielibertarios.wordpress.com
Discuta Este Artigo No Fórum


SIGA-NOS
NO TWITTER
SIGA-NOS
NO MASTODON
SIGA-NOS
NO TUMBLR


Camisetas Anarquistas ★ Frete grátis para todo o mundo


Anarchism
Society Hierarchy
Too many cops too little justice
Les grands de ce monde ne sont grands que parce que nous sommes à genoux
Ni dieu ni maître!
Black Flag
I don't see any borders. Do you?

Esta plataforma é inteiramente financiada pela No Dioses No Maestros Cooperativa.
As vendas também contribuir para arrecadar fundos para doações a várias organizações anarquistas e instituições de caridade ativistas.



Anarchist news | Noticias anarquistas | Actualité anarchiste | Anarchistische Nachrichten | Notícias Anarquistas | Notizie anarchiche | Notícies anarquistes | Αναρχική Ομοσπονδία

As opiniões são dos colaboradores e não são necessariamente endossadas por Federacaoanarquista.com.br [aviso Legal]