Junho 3, 2022
Do Uniao Popular Anarquista
52 visualizações

Rosa Maria Ferreira da Fonseca Nascimento faleceu aos 73 anos de idade no dia primeiro de junho de 2022, em Fortaleza, vítima de câncer de ovário. Ela nasceu em Quixadá, no interior do estado do Ceará, em 24 de abril de 1949.

Rosa militou no movimento estudantil, foi da Ação Popular-AP e foi presa pela primeira vez em 30 de setembro de 1971, após, em um programa de televisão, ter enquadrado o então ministro da ditadura, Jarbas Passarinho, terminou enquadrada na Lei de Segurança Nacional da ditadura empresarial-militar. Figura presente em assembleias, passeatas, ocupações e bloqueios de rua em Fortaleza e região metropolitana, Rosa experimentou os dilemas, vitórias e derrotas vivenciados pelos movimentos populares e as organizações políticas dos últimos cinquenta anos.

Sua vida rebelde iniciou-se na luta estudantil contra a ditadura militar, atravessou a luta das mulheres pela supressão do patriarcado, e alcançou os combates anticapitalistas pela emancipação da humanidade no século XXI. Professora, foi a primeira presidente da CUT Ceará, mas ainda assim, fazia piquetes em portas de fábricas, o que costumeiramente a levava para a delegacia. Após aposentada, passou a ser perseguida pela gestão Ivo Gomes/PDT na SME de Fortaleza e voltou para sala de aula para “pagar” o tempo que esteve como vereadora. Voltou com gosto, nunca teve medo do povo.

Natural de Quixadá, sabe que uma das mazelas que mais afeta nosso povo é o patriarcado, e ainda nos anos 70 organizou a mulheres pela anistia, e depois a União das Mulheres Cearenses-UMC. Também enfrentou a estrutura sindical oficial, combatendo o sindicalismo pelego da APEOC ainda na ditadura e depois, ajudando na formação do SINDIUTE, sindicato sem carta sindical mas com a legitimidade da categoria, espalhando sessões e núcleos sindicais por todo o Ceará. Tudo isso junto ao grupo de militantes, muitos vindos do PCdoB e outras experiências de combate a ditadura. Assim, Rosa não era uma ativista, mas uma militante disciplinada que coordenava as ações junto as suas companheiras e companheiros, incluindo a grande lutadora abnegada, Celia Zanetti, também falecida.

Rosa plantou a semente da radicalidade anticapitalista em pelo menos três gerações de militantes cearenses dos movimentos sociais. Ela será lembrada por seu carisma e como aquela que ousou romper a institucionalidade burguesa, superando a estratégia social-democrata das eleições parlamentares. Denunciando o Estado e o capital como causas da exploração e da opressão do povo. Rosa entendia que não cabia aos anticapitalistas disputar posições no Estado para gerenciar a dominação dos trabalhadores e trabalhadoras pelo capital. Portanto, diferente do que o oportunismo eleitoreiro e estatal tenta passar, o legado da Rosa da Fonseca não é apenas a luta social, mas o objetivo, aquilo que chamava de emancipação humana, a crítica ao valor, o fim dessa sociedade capitalista e patriarcal, sociedade essa que os socialistas burgueses que dizem chorar a perda da Rosa, se beneficiam. Esconder os objetivos de Rosa é negar ela própia e portanto, matar sua trajetória e memória!

Os anarquistas revolucionários reconhecem nela uma incansável lutadora da causa do povo, apesar de discordâncias com a estratégia defendida nas últimas décadas por Rosa e o grupo do qual faz parte, a Crítica Radical, que associaram todo e qualquer sindicalismo ao peleguismo e abandonaram a radicalização da organização popular rumo à revolução social em troca de uma preparação para autodestruição do sistema capitalista. Rosa é uma referência para todos os que buscam a destruição desse sistema.

Nos solidarizamos com sua companheira Sandra, demais familiares, amigos e companheiros de luta. Rosa levava um mundo novo em seu coração. Esse mundo continuará crescendo em cada revolucionário, em cada assembleia, greve, barricada e ocupação de terra nas cidades, nos campos e nas florestas. A Rosa vai enfim descansar, mas deixou as sementes do novo mundo. Hoje nossas lagrimas vão regar essas sementes para que os sonhos de Rosa floresçam também pelas nossas mãos!

Rosa da Fonseca! Presente! Hoje e sempre!




Fonte: Uniaoanarquista.wordpress.com