Março 6, 2021
Do Ultima Barricada
341 visualizações


Autor: Emma Goldman
Data: 1906
Tradução: João Black
Fonte: https://theanarchistlibrary.org/library/emma-goldman-anarchism-and-other-essays#toc12
Notas: Texto publicado originalmente na revista Mother Earth (Março 1906), depois incluído no livro Anarchism and Other Essays (1910) com pequenas modificações insignificantes.


A Tragédia da Emancipação da Mulher

Vou começar com uma admissão: independentemente de todas as teorias políticas e económicas, tratando das diferenças fundamentais entre os vários grupos dentro da raça humana, independentemente de distinções de classe e de raça, de todas as fronteiras artificiais entre os direitos das mulheres e os dos homens, considero que há um ponto onde estas diferenciações se podem encontrar e fundir num todo perfeito.

Com isto não pretendo propor um tratado de paz. O geral antagonismo social que hoje tomou conta de toda a nossa vida pública, trazido pela força de interesses opostos e contraditórios, cairá por terra quando a reorganização da nossa vida social, assente nos princípios de justiça económica, se tiver tornado realidade.

A paz e a harmonia entre os sexos e os indivíduos não depende necessariamente de um nivelamento superficial dos seres humanos; nem requer a eliminação dos traços ou peculiaridades individuais. O problema que se nos coloca hoje, e que precisa de ser resolvido no mais breve futuro, é este: como sermos nós mesmos e ainda assim estarmos em unidade com os outros, sentirmo-nos em profunda comunhão com todos os seres humanos e no entanto conservarmos as nossas próprias qualidades inatas? Esta parece-me ser a base sobre a qual a massa e o indivíduo, o verdadeiro democrata e a verdadeira individualidade, o homem e a mulher, poderiam encontrar-se sem antagonismo e sem oposição. O lema não deve ser “perdoai-vos uns aos outros”, mas sim “compreendei-vos uns aos outros”. A tão citada frase de Mme. de Stael, “Compreender tudo significa perdoar tudo”, nunca me atraiu particularmente; tem o odor do confessionário. Perdoar o próximo transporta a ideia de superioridade farisaica. Compreender é quanto basta. Esta assunção representa em parte o aspeto fundamental das minhas visões sobre a emancipação da mulher e os seus efeitos sobre todo o sexo.

A emancipação deveria tornar-lhe possível ser humana no mais verdadeiro sentido. Tudo o que dentro dela anseia por afirmação e atividade deveria encontrar a sua expressão; todas as barreiras artificiais deveriam ser quebradas, e o caminho para uma maior liberdade deveria ser desbravado de todos os vestígios de séculos de submissão e escravidão.

Este era o objetivo original do movimento pela emancipação da mulher. Mas os resultados até aqui obtidos isolaram a mulher e secaram-lhe as fontes daquela felicidade que lhe é tão essencial. A emancipação meramente externa fez da mulher moderna um ser artificial que lembra os produtos da arboricultura francesa, com as suas árvores e arbustos arabescos — pirâmides, rodas, coroas; tudo menos as formas que tomariam pela expressão das suas próprias qualidades internas. Tais plantas artificialmente criadas do sexo feminino encontram-se em grande número, especialmente na dita esfera intelectual.

Liberdade e igualdade para as mulheres! Quantas esperanças e aspirações estas palavras despertaram quando pela primeira vez soaram, na voz de algumas das mais nobres e corajosas almas daquele tempo. O sol, em toda a sua luz e glória, estava para nascer num mundo novo; nesse mundo a mulher haveria de ser livre para dirigir o seu próprio destino, um objetivo certamente merecedor do grande entusiasmo, coragem, perseverança e esforço incessante da tremenda hoste de homens e mulheres pioneiros, que arriscaram tudo contra um mundo de preconceito e ignorância.

As minhas esperanças também tendem para esse fim, mas insisto que a emancipação da mulher, tal como é interpretada e aplicada na prática hoje, não conseguiu alcançar esse grande objetivo. Agora, a mulher vê-se na necessidade de se emancipar da emancipação, se quiser realmente ser livre. Isto pode parecer paradoxal, mas é simplesmente a verdade.

O que obteve a mulher com a sua emancipação? Igualdade de sufrágio em alguns estados. Isso purificou a nossa vida política, como muitos defensores bem-intencionados previam? Certamente não. Aliás, já faz tempo que as pessoas com um discernimento claro e são deveriam parar de falar de corrupção na política em tom colegial. A corrupção na política nada tem a ver com a moral ou a lassidão moral das várias personalidades políticas. A causa é completamente material. A política é o reflexo do mundo empresarial e industrial, cujos lemas são: “Mais vale tirar do que dar”, “Compra barato e vende caro”, “Uma mão lava a outra.” É de esperar que mesmo a mulher, com o direito ao voto, nunca venha a purificar a política.

A emancipação trouxe à mulher igualdade económica com o homem; isto é, ela pode escolher a sua própria profissão ou ofício. Mas como o seu treinamento físico passado e presente não a equipou com a força necessária para competir com o homem, ela é muitas vezes obrigada a esgotar toda a sua energia, a consumir a sua vitalidade e a fatigar todos os seus nervos para atingir o valor de mercado. Muito poucas o conseguem, pois é um facto que mulheres médicas, advogadas, arquitetas e engenheiras não são recebidas com a mesma confiança, nem recebem a mesma remuneração. E as que atingem essa igualdade atraente geralmente fazem-no à custa do seu bem-estar físico e psíquico. Quanto à grande massa de raparigas e mulheres operárias, que independência ganham elas quando trocam a estreiteza e falta de liberdade do lar pela estreiteza e falta de liberdade da fábrica, da oficina de costura, da loja de departamento ou do escritório? A somar a isto temos muitas mulheres que carregam o fardo de cuidar de um “lar, doce lar” frio, triste, desordenado e pouco apetecível — depois de um dia de trabalho extenuante. Gloriosa independência! Não admira que centenas de raparigas se mostrem tão dispostas a aceitar a primeira oferta de casamento, fartas e cansadas da sua independência atrás do balcão, na máquina de costura ou na máquina de escrever. Estão tão dispostas a casar quanto as moças da classe média desejosas de se livrar do jugo da dependência parental. Tal suposta independência, que só conduz ao ganho da mais simples subsistência, não é assim tão atraente e ideal para podermos esperar que a mulher sacrifique tudo por ela. A nossa tão louvada independência é, no fim de contas, apenas um lento processo de embrutecimento e asfixia da natureza da mulher, o seu instinto amoroso, e o seu instinto materno.

Contudo, a posição da jovem operária é bem mais natural e humana do que a da sua irmã aparentemente mais afortunada na esfera profissional mais culta. Professoras, médicas, advogadas, engenheiras, etc., têm de apresentar uma aparência solene, endireitada e apropriada, enquanto a sua vida interior é cada vez mais morta e vazia.

A estreiteza da presente conceção da independência e da emancipação da mulher; o pavor do amor por um homem que não lhe é socialmente igual; o medo de que o amor lhe roube a liberdade e a independência, o horror de que o amor e a alegria da maternidade só a estorvem no pleno exercício da sua profissão — isto tudo junto faz da moderna mulher emancipada um vestal compulsório, perante o qual a vida, com os seus grandes desgostos clarificadores, e as suas profundas alegrias extasiantes, corre sem tocar ou atrair a sua alma.

A emancipação, tal como é entendida pela maioria dos seus aderentes e expoentes, é de âmbito demasiado estreito para permitir a alegria e o êxtase ilimitados que estão contidos na emoção profunda da verdadeira mulher, amante, mãe — em liberdade.

Que tal estado de coisas havia de chegar, foi previsto pelos que compreenderam que, no domínio da ética, ainda permanecem muitas ruínas decadentes dos tempos da superioridade indiscutível do homem; ruínas que ainda são consideradas úteis. E, o que é mais importante, um bom número de emancipadas são incapazes de passar sem elas. Todos os movimentos que visam à destruição das instituições existentes e a sua substituição por algo mais avançado e mais perfeito, têm seguidores que, em teoria, apoiam as ideias radicais mais extremas, e contudo, na sua prática quotidiana, são como o melhor filisteu, aparentando respeitabilidade e clamando pela boa opinião dos seus oponentes. Há por exemplo socialistas, e mesmo anarquistas, que apoiam a ideia de que a propriedade é um roubo, e ainda assim indignam-se quando alguém lhes fica a dever o valor de meia dúzia de alfinetes.

O mesmo filisteu pode ser encontrado no movimento pela emancipação da mulher. Jornalistas e escritores pintaram quadros da mulher emancipada que fazem arrepiar o cidadão de bem. Cada membro do movimento pelos direitos da mulher foi retratado como uma George Sand na sua absoluta desconsideração pela moralidade. Nada para ela era sagrado. Não tinha respeito pela relação ideal entre o homem e a mulher. Em suma, a emancipação significava apenas uma vida temerária de luxúria e pecado, sem se importar com a sociedade, a religião ou a moral. As expoentes dos direitos da mulher ficaram altamente indignadas com tal distorção, e, faltando-lhes o humor, empregaram toda a sua energia em provar que não eram de modo nenhum tão más como as pintaram, mas exatamente o inverso. Enquanto a mulher foi escrava do homem, ela não podia ser boa e pura, mas agora que era livre e independente ela iria provar quão boa pode ser e como a sua influência teria um efeito purificador em todas as instituições sociais. É verdade que o movimento pelos direitos da mulher quebrou muitos grilhões, mas também estabeleceu outros novos. O grande movimento da verdadeira emancipação ainda não encontrou uma grande estirpe de mulheres que pudessem olhar a liberdade na cara. A sua estreita visão puritana baniu da sua vida emocional o homem como personagem perturbador e duvidoso. O homem não deveria ser tolerado a qualquer preço, exceto talvez enquanto pai de uma criança, já que uma criança não poderia chegar à vida muito bem sem um pai. Felizmente, o puritanismo rígido nunca será forte o suficiente para matar o desejo inato da maternidade. Mas a liberdade da mulher está intimamente ligada à do homem, e muitas das minhas irmãs ditas emancipadas parecem fechar os olhos ao facto de que uma criança nascida em liberdade precisa do amor e devoção de cada ser humano próximo de si, o homem tanto quanto a mulher. Infelizmente, foi esta conceção estreita das relações humanas que trouxe uma grande tragédia às vidas das mulheres e homens modernos.

Há cerca de 15 anos atrás apareceu uma obra da brilhante escritora norueguesa, Laura Marholm, intitulada «Mulher, um Estudo de Personagem». Ela foi das primeiras pessoas a chamar à atenção para o vazio e a estreiteza da presente conceção da emancipação da mulher e o seu efeito trágico na vida interior das mulheres. Na sua obra ela fala no destino de várias mulheres prendadas de fama internacional: a genial Eleonora Duse; a grande matemática e escritora Sonya Kovalevskaia; a artista e poetiza Marie Bashkirtseff, que morreu tão jovem. Cada descrição das vidas destas mulheres de mentalidade tão extraordinária segue um marcado rasto de ânsia insatisfeita por uma vida plena, completa e bela, e a inquietação e solidão que resultam dessa falta. Através destes retratos psicológicos magistrais, não se pode deixar de reparar que quanto mais alto o desenvolvimento mental da mulher, menos lhe é possível encontrar um parceiro agradável que nela veja, não apenas sexo, mas também o ser humano, a amiga, a camarada e a forte individualidade, que não pode nem deve perder um único traço do seu caráter.

O homem típico, com a sua auto-suficiência, e os seus ridículos ares de superioridade e paternalismo para com o sexo feminino, é uma impossibilidade para a mulher retratada no «Estudo de Personagem» de Laura Marholm. Igualmente impossível para ela é o homem que não vê nela nada mais do que a sua mentalidade e genialidade, e não consegue despertar a sua natureza feminina.

Um rico intelecto e uma alma requintada costumam ser considerados atributos necessários de uma personalidade bela e profunda. No caso da mulher moderna, estes atributos servem de entrave à completa afirmação do seu ser. Durante mais de cem anos, a velha forma do casamento, baseada na Bíblia, “até que a morte nos separe”, foi denunciada como uma instituição que representa a soberania do homem sobre a mulher, a completa submissão dela aos caprichos e aos comandos dele, e a sua absoluta dependência do nome e do amparo dele. Repetidas vezes ficou provado conclusivamente que a velha relação matrimonial restringia a mulher à função de serva do homem e criadora das suas crianças. E ainda assim encontramos muitas mulheres emancipadas que preferem o casamento, com todas as suas deficiências, à estreiteza de uma vida solteira; vida estreita e insuportável por causa das cadeias do preconceito moral e social que apertam e amarram a sua natureza.

A explicação de tal inconsistência por parte de muitas mulheres avançadas encontra-se no facto de que elas nunca compreenderam verdadeiramente o significado da emancipação. Pensaram que tudo quanto era preciso era independência de tiranias externas; quanto aos tiranos internos, bem mais nocivos à vida e ao crescimento, como convenções éticas e sociais, eles que cuidassem de si próprios; e eles cuidaram de si próprios. Parece que vivem maravilhosamente bem nas cabeças e nos corações das mais ativas expoentes da emancipação da mulher, tal como nas cabeças e nos corações das nossas avós.

Estes tiranos internos apresentam-se sob a forma de opinião pública ou sob a forma do que dirá a mãe, o irmão, o pai, o tio ou qualquer espécie de parente; o que dirá a sra. Grundy, o sr. Comstock, o empregado, o conselho disciplinar? Todos estes intrometidos, detetives morais, carcereiros do espírito humano, o que dirão? Até a mulher aprender a desafia-los a todos, a manter-se firme no seu próprio chão, a insistir na sua própria liberdade irrestrita, a ouvir a voz da sua natureza, quer esta a chame para o maior tesouro da vida, para o amor a um homem, ou para o seu mais glorioso privilégio, o direito de dar à luz uma criança, ela não poderá considerar-se emancipada. Quantas mulheres emancipadas são corajosas o suficiente para reconhecer que a voz do amor está a chamar, palpitando descontroladamente nos seus seios, exigindo ser ouvido, ser satisfeito?

O romancista francês Jean Reibrach, num dos seus romances, «Nova Beleza», tenta conceber a mulher ideal, bela, emancipada. Este ideal é encarnado numa jovem rapariga, uma médica. Ela fala com muita clareza e sabedoria sobre como alimentar bebés; é generosa e administra medicamentos gratuitos para mães pobres. Ela conversa com um jovem acerca do conhecimento que tem das condições sanitárias do futuro e de como vários bacilos e germes serão exterminados pelo uso de paredes e chão de pedra, e fim dos tapetes e cortinas. Ela está, é claro, vestida de modo muito simples e prático, maioritariamente de preto. O jovem, que no primeiro encontro se sentira intimidado pela sabedoria da sua amiga emancipada, pouco a pouco aprende a compreendê-la, e um belo dia reconhece que a ama. Eles são jovens, ela simpática e bonita, e embora sempre em rígido traje, a sua aparência é suavizada por colarinho e mangas impecavelmente limpos. Seria de esperar que ele declarasse o seu amor, mas ele não é de disparates românticos. A poesia e o entusiasmo do amor cobrem os seus rostos corados diante da beleza pura da senhora. Ele cala a voz da sua natureza e mantém-se correto. Ela, também, é sempre ajustada, sempre racional, sempre bem-comportada. Temo que, se tivessem formado uma união, o jovem teria arriscado morrer congelado. Devo confessar que não vejo nada de belo nesta nova beleza, que é tão fria como as paredes e chãos de pedra com que ela sonha. Antes prefiro as canções de amor das idades românticas, antes Don Juan e Madame Venus, antes uma fuga de casa por escada de corda em noite de luar, seguida de maldições do pai, lamentos da mãe e comentários dos vizinhos, do que o correto e o acertado medidos por uma bitola. Se o amor não sabe dar e receber sem restrição, não é amor, mas uma transação que nunca deixa de dar a maior importância a um mais ou um menos.

A maior lacuna da emancipação dos dias de hoje está na sua rigidez artificial e a sua respeitabilidade tacanha, produzindo um vazio no espírito da mulher que não a deixa beber da nascente da vida. Uma vez comentei que parecia haver uma relação mais profunda entre a mãe e dona de casa à moda antiga, sempre em alerta pela felicidade dos seus e o conforto daqueles que ama, e a mulher verdadeiramente nova, do que entre a primeira e a média das suas irmãs emancipadas. Os discípulos da emancipação pura e simples declararam-me herege, apenas boa para a estaca. A cegueira do seu zelo não as deixou ver que a minha comparação entre o velho e o novo foi meramente para demonstrar que um bom número das nossas avós tinham mais sangue nas veias, muito mais humor e sagacidade, e certamente uma maior naturalidade, maior generosidade e simplicidade, do que a maioria das nossas mulheres profissionais emancipadas que preenchem as faculdades, as salas de estudo e os vários ofícios. Isto não significa desejar retornar ao passado, nem condenar a mulher ao seu velho âmbito, a cozinha e o infantário.

A salvação está numa enérgica marcha para a frente em direção a um futuro mais claro e luminoso. Estamos em necessidade de um amadurecimento desembaraçado dos velhos hábitos e tradições. O movimento pela emancipação da mulher até aqui apenas deu o primeiro passo nessa direção. Espera-se que ganhe força para dar outro. O direito ao voto, ou direitos civis iguais, podem ser boas reivindicações, mas a verdadeira emancipação não começa nas urnas nem nos tribunais. Começa no espírito da mulher. A história diz-nos que toda a classe oprimida só obteve libertação dos seus donos pelo seu próprio esforço. É necessário que a mulher aprenda essa lição, que compreenda que a sua liberdade irá tão longe quanto o seu poder de a conquistar. É, portanto, muito mais importante para ela começar pela sua regeneração interior, soltar-se do peso dos preconceitos, das tradições e dos costumes. A reclamação de direitos iguais em todas as áreas da vida é justa e correta; mas, no final de contas, se a emancipação parcial quiser tornar-se verdadeira emancipação da mulher, deve desfazer-se da noção ridícula de que ser amada, ser amante ou ser mãe é sinónimo de ser escrava ou subordinada. Deve desfazer-se da noção absurda do dualismo dos sexos, ou de que o homem e a mulher representam dois mundos antagónicos.

A mesquinhez separa; a largueza une. Sejamos amplas e grandes. Não fechemos os olhos a coisas vitais por causa da carga de futilidades com que nos confrontamos. Uma verdadeira conceção da relação dos sexos não admitirá conquistadores nem conquistados; só conhece uma única coisa grandiosa: dar de si mesmo sem limites, para se encontrar mais enriquecido, mais profundo e melhor. Só isso poderá preencher o vazio e transformar a tragédia da emancipação da mulher em felicidade, felicidade sem restrições.




Fonte: Ultimabarricada.wordpress.com