Abril 26, 2022
Do Agencia De Noticias Anarquistas
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A mudança que está chegando só virá por meio da revolução porque a classe proprietária não permitirá que aconteça uma mudança pacífica, e ainda assim estamos dispostos a trabalhar pela paz a qualquer custo, exceto pelo preço da liberdade.” – Lucy Parsons

Estamos carregando um novo mundo em nossos corações, e esse mundo está crescendo aqui e agora.” – Durruti

O que o olho vê, a mão toca. O material inflamável da propriedade explode com a chama da revolução.” – Stirner

Com muita frequência afirmamos facilmente ser contra o capitalismo, mas às vezes nos falta pensar verdadeiramente sobre o que o capitalismo significa. Perdidos na luta abstrata contra a fera insaciável, nós nos esquecemos o quão real ela é.

Por eras, a arrogância dos ricos e das pessoas no poder de proclamar dominância exclusiva sobre nossas vidas tem aumentado. Ao controlar nosso tempo através do trabalho, querem apropriar nossas emoções e relações sociais. O cansaço não é mais uma parte de nós, mas o dever de nossas horas semanais; a mesma contagem de horas que apaga nosso desejo por tempo de lazer com amigos, amigas e pessoas que amamos. É esse dever que empurra nossos corpos e, com eles, nosso primeiro espaço de enunciação para as mãos capitalistas do Estado e de seus servos, conectando nossas vidas em suas construções mais íntimas com a propriedade e estabelecendo a prisão do binarismo como uma verdade absoluta ao classificar alguns corpos e comportamentos como mais valiosos que outros.

A propriedade privada como a conhecemos, a que conhecemos no sistema capitalista no qual nascemos e fomos criados e que, por conseguinte, é percebida como algo quase “natural”, na verdade teve início há alguns séculos. Foi apenas desde as propriedades comunitárias do século XVII que a propriedade se tornou algo natural e um direito inviolável de todo cidadão. Hoje, a propriedade privada é considerada em todos os países um verdadeiro direito sagrado e natural, absoluto e inalienável, necessário e inviolável, digno de ser protegido pela força das ideias e pela força das armas. A riqueza se transformou em um produto absoluto e, o capitalismo, no melhor mundo possível.

A propriedade é necessária para o Estado, para os ricos e para os poderosos, para que mantenham sua hegemonia, e não é de forma alguma necessária para a felicidade. O que ganhamos ao ter mais do que os outros? Por que isso deveria nos trazer felicidade? Não é a posse de algo que nos faz feliz, mas ter esse algo disponível. Então por que não podemos disponibilizar o que precisamos juntos, coletivamente, ao invés de guardar tudo para nós mesmos? Há uma grande diferença entre ser capaz de utilizar um bem coletivamente, seja da mesma forma ou da maneira que os indivíduos precisam, e tê-lo só para si. Posses e propriedade concedem poder. Poder sobre quando, como e quem pode ter acesso àquilo. Até os itens mais básicos que são necessários para viver, como moradia, alimentação, saúde, mobilidade, conhecimento…, são propriedade privada de umas poucas pessoas ricas, de empresas, ou do Estado, que decidem a que preço e em quais condições podem ser disponibilizados a nós. Isso cria uma extorsão contínua, uma coleira apertada em volta do pescoço, sendo afrouxada e apertada dependendo dos conceitos de quem a segura.

O Estado e aqueles no poder precisam defender sua hegemonia e propriedade privada; precisam de leis, checar se são obedecidas e, consequentemente, colocar em voga um corpo opressivo de controle, representado pela polícia e pelas prisões.

Essas duas instituições, prisão e polícia, são estruturadas para reforçar a desigualdade social já presente na sociedade e proteger hierarquias e poder.

Não é uma coincidência que os grupos de ofensas com os maiores números de casos registrados são roubo, fraude e dano à propriedade, o que constitui até 62% do número total de registros criminais na Alemanha (fonte: Polizeiliche Kriminalstatistik 2018).

Outro passo na direção da propriedade privada é a monopolização dos meios de produção por aqueles que detêm o capital. O sistema de hoje requer um ritmo de produção furioso para alimentar o capitalismo. Não importa o que é produzido e a que custo, o mais importante é produzir para aqueles que podem consumir.

A indústria bélica é um exemplo claro de produção exclusiva, o que requer grandes quantidades de recursos e move grandes quantidades de capital, mas quem precisa dela e quem realmente quer que ela exista? Nós certamente não a queremos. Armas que funcionam como meio de globalização, colocando a nação como uma forma única e absoluta de consolidação social, criando fronteiras que apenas quando sob o poder dessas armas e de seus servos se tornam visíveis aos olhos daqueles que as habitam. Encontram na guerra um recurso imperial para consolidar seus sistemas centralizadores de poder através do monopólio da violência.

É a mentira eterna da classe dominante mudar as vestes da dominação colonial; dominação essa que, com desculpas de supremacia branca, estupra, escraviza e assassina populações inteiras ao pintar qualquer sentimento coletivo que não se conforma à sua democracia moderna como bárbaro e perigoso, tudo com o objetivo de se apropriar dos recursos naturais e extraí-los pela força para o benefício de alguns poucos do Norte global. É essa a promessa dormente da democracia ocidental que se torna uma arma contra todos os movimentos de libertação do Sul global.

Da dominação colonial à apropriação de nossos corpos, a tarefa mais difícil é nos forçar a não ver o mundo através dos olhos daqueles que nos dominam, não se aliar àqueles que nos oprimem e, assim, não oprimir aqueles que foram posicionados um degrau abaixo de nós no mundo.

A felicidade só pode existir com a liberdade, e só podemos falar em liberdade quando todos e todas são livres.

Estamos cansados de suportar debates sobre a pobreza e nos falarem que deveríamos esperar pacientemente até recebermos os benefícios do sistema capitalista. Estamos cansados de ser peões nos seus jogos de poder, de sermos explorados e exploradores, mais ou menos diretamente, por esse mundo abusado de todas as formas, cansados de viver na mentira dos Estados democráticos e do capitalismo. Não queremos servir nem sermos servidos: rejeitamos todas as formas de hierarquia e autoritarismo.

Não podemos continuar inertes e passivos, nossas ideias devem ser espalhadas e tomar forma em práticas por uma libertação total, tanto nossa quanto de todas as coletividades subjugadas e exploradas, para que o poder, acompanhado por todos os seus componentes – autoridade, hierarquia, opressão e propriedade privada – e em todas as suas formas – o Estado e suas estruturas, hierarquias religiosas, patriarcado, colonialismo, capacitismo e especismo – sobre apenas como uma memória distante.

Como um bloco anarquista, somos a união de diferentes experiências de vida e ideais. É o amor pela liberdade e a convicção para lutar contra o capitalismo que nos une e nos permite transformar nossas diferenças em uma luta conjunta contra a opressão. Reconhecemos a necessidade de todos nós trabalharmos juntos rumo à aceitação de tais diferenças. Não estamos chamando você para se juntar a nós, mas divulgando um convite aberto para construir juntos, para aprofundar nosso diálogo, para lutarmos juntos.

Expropriação, ocupação e trapaças contra o Estado e contra a burguesia são alguns exemplos de ação direta contra a propriedade privada, o que afirmamos e lançamos como um ato de libertação das correntes do capitalismo para retomar as posses do que nos fora tirado.

A reapropriação não pretende ser um fim em si mesma, não é suficiente que tenhamos para nós o que conseguirmos retomar, queremos dividir o que vier. Vamos destruir o sistema de propriedade privada e colocar a solidariedade na prática, tornando os recursos comuns a todos e todas.

Não queremos um pedaço do bolo, queremos a padaria inteira!

Uma vida sem o capitalismo é possível.

Por uma sabotagem coletiva!

Fonte: https://enoughisenough14.org/2022/04/18/putting-the-system-of-property-in-danger-anarchist-block-revolutionary-mayday-demo-2022-berlin/

Tradução > Sky

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/04/18/alemanha-junte-se-ao-bloco-anarquista/

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David Rodrigues



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Fonte: Noticiasanarquistas.noblogs.org