Abril 29, 2022
Do Passa Palavra
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Por Taras Tarasiuk & Andreas Umland

Extrema-direita ucraniana e atores pró-Kremlin ao redor do mundo

Contatos diretos entre a extrema-direita ucraniana e o Kremlin são, por razões óbvias, raros. Quaisquer contatos seriam arriscados à extrema-direita, se fossem eventualmente desejados, e, se conduzidos, seriam escondidos o máximo possível. A política ucraniana mais mainstream não tolera qualquer colaboração com forças pró-Moscou, em razão da Guerra Russo-Ucraniana. Os casos que já listamos continuam sendo alianças eventuais que não sugerem contatos estáveis entre forças pró-russas na Ucrânia e movimentos ucranianos de extrema-direita. No entanto, a situação com os aliados da extrema-direita ucraniana na União Europeia e na América do Norte é mais cinzenta no que diz respeito a este aspecto.

A maior parte das linhas de comunicação entre a extrema-direita ucraniana e atores pró-Kremlin no exterior foram cortadas após a Revolução da Dignidade, a anexação da Crimeia e o início do conflito no Donbass. Alguns grupos, contudo, conseguiram construir novas relações ou aprofundar antigas conexões com grupos não-russos de extrema-direita. No entanto, o problema para os nacionalistas radicais da Ucrânia com essas novas e velhas conexões é que muitas, se não a maioria, das agremiações radicais de direita da Europa possuem simpatias ou mesmo contatos com a Rússia de Putin [243]. Muitos grupos radicais nacionalistas da Europa Ocidental defendem abertamente visões pró-Kremlim e alguns até mesmo possuem uma lealdade especial para com Vladimir Putin. Além disso, alguns desses grupos foram publicamente acusados de praticarem lobby em defesa dos interesses do Kremlin nas nações da União Europeia. No entanto, a extrema-direita ucraniana após o Euromaidan manteve ou expandiu parcialmente seus contatos com grupos na Europa centro-oriental (Polônia, os Estados bálticos, Hungria), na Europa Ocidental (França, Alemanha, Suécia e Itália) e nos Estados Unidos.

A extrema-direita ucraniana e grupos anti-ocidentais na Europa Oriental.

O Movimento Azov e seu Grupo de Apoio Intermarium.

Depois que o Svoboda rompeu a maior parte das suas relações estrangeiras em 2014, o movimento azovista se tornou o grupo ucraniano líder no quesito cooperação internacional. Ele obteve sobretudo novos parceiros, ao invés de sustentar as velhas conexões estrangeiras. O principal ramo do Azov conduzindo suas relações estrangeiras é um grupo paralelo semi-intelectual, chamado Grupo de Apoio Intermarium [244]. A palavra “intermarium” é a variante latina da expressão polonesa “międzymorze” (entre mares). Um esquema geopolítico com tal nome foi promovido após a Primeira Guerra Mundial por Józef Pilsudski, o qual desejava criar uma aliança antialemã e antissoviética de nações da Europa Oriental localizadas nos mares Báltico, Negro e Adriático. [245].

O Grupo de Apoio Intermarium se tornou um meio de contato da direita ucraniana com radicais nacionalistas da Croácia, Bielorrússia, Polônia, Hungria e dos países bálticos [246]. Os grupos se encontram através de conferências sobre o futuro dos projetos Trymor’ia (Três Mares) e Mizhmor’ia (Entre Mares) [247]. O discurso atual da extrema-direita da Europa Oriental vai além dos planos originais do projeto Intermarium e busca estabelecer um reino civilizacional separado na Europa Centro-Oriental que seria distinto tanto da União Europeia e seu liberalismo quanto da Rússia e seu autoritarismo. Nacionalistas ucranianos, croatas e poloneses também estão reelaborando sua visão quanto à antiga estrutura do Intermarium em um novo conceito de defesa multinacional e bloco econônomico entre os mares Báltico, Negro e Adriático que seria oposto tanto ao Ocidente pluralista quanto à Eurásia imperial [248].

Baseado em tais visões, o Grupo de Apoio Intermarium se engajou em uma variedade de atividades incluindo discussões e eventos comemorativos. Um dos maiores é a conferência anual do Grupo de Apoio Intermarium em Kyiv [249]. Através desta e outras atividades similares, o departamento internacional do Batalhão Azov se tornou um ator notável no discurso da extrema-direita da Europa Oriental. Nos últimos anos, as conferências do Intermarium aglutinaram representantes e participantes de 13 países da Europa Central e Oriental [250].

Amizades Inesperadas: cooperação de ultranacionalistas ucranianos com agentes russos (5)

Essa atividade não é por si só algo fora da curva no contexto do presente estudo e não se localiza fora do espectro da ideologia e dos comportamentos previsíveis do nacionalismo ucraniano. Contudo, dentro dessa rede internacional, a extrema-direita ucraniana por vezes trabalha com certas organizações não-ucranianas da direita radical com possíveis ligações com o Kremlin. Desde 2014, a maioria dos contatos da extrema-direita ucraniana se tornaram empreendimentos arriscados tendo em vista a ampla simpatia para com a Rússia de Putin nos grupos antidemocráticos ocidentais e não-ocidentais por todo o planeta. A posição oficial dos nacionalistas ucranianos, é claro, é que eles não cooperam com parceiros internacionais que apoiam Moscou. Contudo, isso não é o que sempre acontece na prática, mesmo após o início da Guerra Russo-Ucraniana em 2014.

Ultranacionalistas ucranianos e poloneses.

Em 2019, hackers do grupo “Distributed Denial of Secrets” publicaram 175 gigabytes de informações entre correspondência virtual e outros dados de funcionários russos [251]. De acordo com o arquivo “O Lado Negro do Kremlin”, o empreendedor político Alekansdr Usovskii (nascido em Belarus) propôs ao conhecido deputado da Duma e chefe do Instituto CIS, Konstantin Zatulin, um projeto para a criar uma rede de forças antiucranianas na Europa Oriental [252]. Usovskii se ofereceu para organizar comícios nas quatro capitais do Grupo de Visegrado durante os Encontros da Parceria Oriental. Na Polônia, o projeto de Usovskii foi aprovado, e o empreendedor passou a requisitar financiamento [253].

De acordo com o projeto, Usovskii queria utilizar e mobilizar “condenações de Bandera” públicas por movimentos políticos poloneses. Isso incluía tanto organizações explicitamente pró-russas quanto grupos de extrema-direita como o Szturm e o Obóz Narodowo-Radykalny (ONR), esta uma das principais organizações da direita radical na Polônia [254]. Estes grupos concordaram em assinar uma declaração conjunta condenando a integração da Ucrânia na Europa por causa do apoio disseminado à “ideologia banderista” no país.

Esse episódio por si só foi algo nada surpreendente e que se encaixa perfeitamente no esquema de operações russas similares com outros atores internacionais. Exemplo de tais operações envolveram o antigo Manuel Ochsenreiter (1976-2021), um prolífico membro do Movimento Eurasianista Internacional de Alexander Dugin e antigo funcionário do Bundestag alemão, o Parlamento alemão. Em 2018, Ochsenreiter empregou dois ativistas poloneses de extrema-direita para realizar uma provocação contra a Ucrânia. Na cidade ucraniana ocidental de Uzhhorod, Ochsenreiter e seus agentes conduziram um ataque incendiário em um centro cultural húngaro com a intenção de incentivar tensões entre as populações locais de etnia húngara e ucraniana [255]. O projeto de Usovskii portanto continuava uma tradição vinda da era soviética de operações clandestinas de Moscou no Ocidente com a ajuda de radicais nacionalistas estrangeiros [256].

É de se notar que se por um lado a ONR estava trabalhando para prevenir a entrada da Ucrânia na União Europeia, alguns de seus membros estavam em contatos com e participavam em ações do Batalhão Azov [257]. Similarmente, o Szturm tem sido relativamente pró-ucraniano em comparação com outros movimentos nacionalistas na extrema-direita polonesa. Ele possui contatos bem estabelecidos com o movimento Azov nos marcos de projetos com o Grupo de Apoio Intermarium [258]. Ao mesmo tempo, ambos movimentos poloneses não perceberam que haviam se tornado alvos de uma operação secreta russa conduzida por Usovskii que, além do mais, também estava com o contato com o funcionário dos National Corps ucranianos Korotkikh.

A Extrema-direita ucraniana e os atores pró-Kremlin na Europa Ocidental.

Azov e CasaPound

Um dos novos contatos estrangeiros dos ultranacionalistas ucranianos têm sido o grupo fascista extra-parlamentar CasaPound, que possui uma posição ambivalente na Guerra Russo-Ucraniana. Este movimento, basicamente desconhecido fora da Itália, começou como uma ocupação habitacional em Roma para “italianos verdadeiros”, recebendo as famílias de seus apoiadores ideológicos. Ao longo do tempo, esta prática se espalhou pela Itália, e o grupo se tornou um notável ator neofascista na Europa Ocidental [259]. Alguns membros da CasaPound já vocalizaram seu apoio à Ucrânia em sua guerra contra a Rússia, enquantos apóiam o Kremlin e até mesmo lutaram ao lado de militantes pró-russos na Ucrânia oriental [260].

Desde 2014, a Carpathian Sich junto com o departamento internacional do movimento Azov conduziram conferências conjuntas em Uzhgorod e Lviv com a CasaPound. De acordo com a FOIA Research, representantes do Grupo de Apoio Intermarium e da CasaPound participaram de uma comemoração em Acca Larentia em 2019 [261]. O encontro multinacional de representantes da extrema-direita, incluindo representantes do Batalhão Azov, foi parte de uma série de eventos anuais que ocorrem em Roma para recordar a morte de três jovens ativistas neofascistas em 1978 em conflitos violentos na rua Acca Larentia [262].

Como em outros casos do gênero, a cooperação conjunta da extrema-direita ucraniana com a CasaPound foi paradoxal em vista da posição ambivalente da organização italiana em relação à Ucrânia e à Rússia. Por um lado, a liderança da CasaPound apoiou o Pravy Sektor durante a revolução de Maidan [263]. Mas ela também manifestou simpatias para com a Rússia de Putin antes e depois do início da Guerra Russo-Ucraniana [264]. Anton Shekhovtsov relata que “no dia 18 de Outubro de 2014, a L[ega] N[ord], a CasaPound e outras organizações de extrema-direita fizeram um protesto anti-imigração em Milão, e a ‘massa levava placas saudando Putin’ e agitando bandeiras da República Popular de Donetsk” [265]. Em 2018, a CasaPound organizou uma discussão pública em Roma com Alexander Dugin. Na ocasião, o representante da CasaPound falou com a audiência, e o website extrema-direita italiana “Il Primato Nazionale” fez um relato sobre o evento.

Amizades Inesperadas: cooperação de ultranacionalistas ucranianos com agentes russos (5)

A intervenção do Secretário Nacional da CasaPound, Simone Di Stefano, se focou na idéia de uma Itália eterna: “Fora da União Europeia e da Aliança Atlântica, a Rússia é um aliado estratégico para nós. Nós nunca fomos ‘anti’ qualquer coisa ou qualquer um, porque nós sempre agimos de acordo com o interesse nacional. Eu aprecio muito o conceito de ‘Rússia eterna’ expresso no livro de Dugin. Uma idéia que deve existir e que perdura no tempo. O mundo não precisa ser a massa sem identidade que liberais culturais e mundialistas desejam. Nós gostaríamos de poder afirmar na Itália esse pensamento também. O farol que nós italianos precisamos buscar, no entanto, é o de uma Roma eterna, olhando para o Mediterrâneo e a África” [266].

Svoboda e direitistas da Europa Ocidental

Como o mais relevante e antigo partido de extrema-direita da Ucrânia, as relações do Svoboda com outros grupos de extrema-direita datam dos anos 90, quando ele ainda operava sob seu nome o original, o Partido Social-Nacional da Ucrânia (PSNU). Desde cedo, o PSNU se filiou à EuroNat — uma associação semi-formal de partidos europeus de extrema-direita fundada pelo Front National francês em 1997 e hoje inativa [267]. Foi naquele momento que o PSNU estabeleceu contato com Jean-Marie Le Pen e o Front National francês. Nesse meio tempo, o Front National francês também estava desenvolvendo relações com o imperialista Partido Liberal-Democrata Russo liderado por Vladimir Zhirinovsky [268]. Por exemplo, em 2000, sob convite do PSNU, Le Pen — ainda secretário do Front National — visitou a Ucrânia [269]. Artem Yovenko detalhou a situação:

“A cooperação [entre os dois partidos] também se desenvolveu ao nível de suas organizações juvenis. Um campo de treinamento francês […], além de contar com representantes dos grupos de jovens franceses e ucranianos, incluía também jovens nacionalistas da Itália, Espanha e Bélgica. Alguns dos objetivos do acampamento foram apontados como sendo fortalecer a cooperação, trocar idéias, propaganda e trabalho organizacional. As atividades de tempo livre no campo incluíam festas, música, esportes e boxe francês” [270].

Os ativistas franceses de extrema-direita também podem ter ajudado o Svoboda — enquanto partido de um país de fora da UE — a ganhar status de observador na Aliança de Movimentos Europeus Nacionalistas (AENM), fundada em 2009 [271]. A AENM foi, por um tempo, uma organização guarda-chuva oficial de alguns dos maiores partidos radicais de direita e populistas da UE. Sua criação foi iniciado pelo partido húngaro ultranacionalista Jobbik (quando ele ainda era ultranacionalista), o qual reunía partidos com mentalidade parecida da UE em seu sexto congresso em Budapeste, em 2009 [272]. Após entrar no Parlamento em 2012 e antes de se iniciar o Euromaidan em 2013, o Svoboda já havia sido expulso da AENM [273]. A expulsão aparentemente foi motivada pelas queixas do Jobbik quanto às “declarações anti-húngaras” do Svoboda [274]. Essa expulsão foi, talvez, um desenvolvimento sortudo para os membros do Svoboda. Em 2014, a AENM declarou que o novo governo em Kyiv, que incluía membros do Svoboda, não tinha legitimidade que a AENM apoiava a anexação russa da Crimeia [275].

Svoboda também tinha contatos bilaterais com partidos de extrema-direita da Europa Ocidental, incluindo neofascistas italianos. Em Abril de 2013, dois líderes do Svoboda, Andrei Ilenko e Taras Osaulenko, visitaram a Itália sob convite oficial do partido italiano extremista de direita Forza Nuova (Força Nova) para discutir uma possível cooperação entre os dois partidos. Um mês antes, em Março de 2013, Taras Osaulenko, que era responsável pelas relações internacionais do Svoboda, tinha participado da Conferência “Vision Europa” em Estocolmo, organizada pelo Partido dos Suecos — um grupo neonazista [276]. Roberto Fiore, líder do Forza Nuova, estava entre os palestrantes na conferência [277].

O primeiro contato informal entre o Svoboda e Fiore já tinha começado em 2009. Esse ano Tiahnybok encontrou-se com Fiore em Strausburgo durante uma reunião com membros da extrema-direita do Parlamento Europeu. Em 2013, Fiore convidou Osaulenko e Ilenko para Roma para discutir a cooperação entre o Svoboda e o Forza Nuova [278]. A delegação do Svoboda também visitou o acampamento da juventude do Forza Nuova onde Ilenko foi uma apresentação da história e ideologia do Svoboda e compartilhou suas visões sobre como os dois partidos poderiam somar forças para “lutar contra as forças liberais do multiculturalismo e degradação das tradições nacionais na civilização europeia” [279].

Em Junho de 2013, representantes da Forza Nuova, incluindo Fiore, foram à Ucrânia para discutir a criação de um novo movimento nacionalista europeu e para “desenvoler uma cooperação estratégica visando criar um nova classe política europeia” [280].

E ainda assim desde 2014 alguns dos outrora parceiros do Svoboda — o Jobbik da Hungria, o Front National da França e o Forza Nuova da Itália — se tornaram alguns dos mais barulhentos apoiadores ocidentais das políticas de Putin no que diz respeito à Ucrânia [281]. Em Dezembro de 2014, Fiore participou na Conferência “Ucrânia. Novorossiia [Nova Rússia]. Rússia”, em Ialta sob ocupação russa. Lá ele expressou apoio aos interesses russos na Ucrânia [282]. Segundo relatos, o Forza Nuova chegou mesmo a enviar voluntários para o Donbass para lutar com separatistas pró-russos contra as forças do governo ucraniano [283]. Hoje, o Svoboda alega não possuir mais relações com partidos europeus pró-Putin. Se pode imaginar o quão envergonhados os líderes do Svoboda devem estar de seus contatos mais antigos com vários partidos de extrema-direita da Europa, seja na Itália, França, Hungria, Grã-Bretanha (British National Party – BNP) e Alemanha (Nationaldemokratische Partei Deutschlands – NPD). A maior parte deles pública e repetidamente vocalizaram sua simpatia pela ou mesmo forte apoio à Rússia de Putin desde o início da Guerra Russo-Ucraniana em 2014.

Caprichos do internacionalismo racista: Asgardei e Plomin

Desde 2014 os National Corps assumiram um papel proeminente nos contatos internacionais da extrema-direita ucraniana, depois que o Svoboda rompeu a maior parte de suas antigas relações com o Ocidente [284]. Já que a maior parte dos maiores partidos ultranacionalistas do Europa Ocidental possuem posições pró-russas, a maior parte da sua cooperação internacional se moveu do plano político para as subculturas de extrema-direita. Todavia, isso se mostrou quase tão arriscado quanto um campo minado para os ultranacionalistas ucranianos em relação à esfera partidária. Muito do underground racista ocidental está também encantado por Putin e apóia as políticas exteriores russas assim como a retórica direitista do Kremlin no que tange a medidas domésticas.

Um exemplo lapidar para o novo formato de cooperação internaiconal é o “Asgardei”, um festival anual de música voltado ao metal de extrema-direita em Kyiv organizado pelo movimento azovista desde 2015. Em 2019, o supremacista branco Greg Johnson e o neonazista alemão Hendrik Möbus visitaram os seus shows [285]. O festival também inclui discussões políticas; Möbus deu uma palestra em 2018 [286]. As bandas que já tocaram no festival incluem a banda italiana Bronson, ligado ao CasaPound; [287] a banda alemã neonazista Path of Resistance; a banda eslovaca antissemita Krátky Proces; e o M8L8TH de Aleksei Levkin, um grupo neonazista russo de hardcore [288]. Esses e outros grupos não se tornaram conhecidos publicamente por fazer declarações pró-Kremlin. Ainda assim, eles vêm de um meio que, em muitos casos, são caracterizados pela simpatia ao invés de antipatia pela Rússia de Putin.

Um incidente de 2019 em Kyiv ilustra os riscos de se relacionar com as subculturas fascistas para a extrema-direita ucraniana no mundo pós-EuroMaidan [289]. Em Dezembro de 2019, o clube literário de extrema-direita ucraniano Plomin (“Chama”), que também funciona como um ramo cultural-intelectual do movimento azovista, organizou uma apresentação pública sobre o Franco Freda (n. 1941), um neofascista italiano e supremacista branco. O livro de Freda, “A desintegração do sistema”, foi traduzido para o ucraniano e estava sendo vendido pela Plomin [290].

Freda tem um apelo especial para a cena de extrema-direita porque ele combina as qualidades de um neofascista que é ao mesmo tempo ativista, debatedor público e terrorista. Ainda que seja amplamente desconhecido ao público mais amplo, Freda se tornou objeto de culto dentro da cena subcultural da extrema-direita. Os jovens ativistas de extrema-direita de Kyiv estavam portanto ansiosos em dar uma maior audiência na Ucrânia à tradução de seu principal livro. Todavia, como Michael Colborne notou, a visão de Estado ideal defendida por Freda é problemática para leitores ucranianos:

“É um Estado que não só traz à mente os frutos de uma fantasia totalitária, mas pode lembrar a alguns ucranianos os horrores dos anos 30 do século XX sob Stálin. A propriedade privada será abolida, segundo Freda, e vários ‘comissários’ (‘commissario’ no original italiano) supervisionarão tudo de assuntos externos e finanças até mesmo aos “combinados” agrícolas coletivos, onde trabalhadores comporão o que Freda chama de Comitê de Administração do Combinado” [291].

Ainda pior, as décadas que Freda passou advogando a desintegração do sistema ocidental o levaram a aprovar os vários esforços anti-ocidentais de Vladimir Putin e Moscou. Em sua investigação sobre o contexto pretérito relativo ao incidente de 2019 em Kyiv, Colborno sublinha:

“Ainda mais dissonante para o movimento azovista e sua feroz atitude anti-Kremlin, Franco Freda é um fã aberto do presidente russo Vladimir Putin. Em uma entrevista de Novembro de 2018, Freda não só falou muito bem do populista de extrema-direita pró-russo Matteo Salvini, mas reservou os melhores elogios para o homem que literalmente maquinou a anexação russa da Crimeia e invasão da Ucrânia oriental. ‘Putin é um campeão da raça branca’, disse Freda. ‘Eu penso nos povos eslavos, foram eles que ganharam a Segunda Guerra Mundial […] eles são indivíduos brutais, é claro, mas eles são os únicos que podem resistir’. Essa não foi a primeira oportunidade que Freda se aventurou a fazer elogios a Putin. Em 2014, Franco Freda também elogiou o presidente russo. ‘A minha impressão é que o único político europeu decente é Vladimir Putin’, disse Freda em Outubro de 2014” [292].

É digno de nota, além disso, que Freda, apesar de ter feito essas declarações após o início da Guerra Russo-Ucraniana na Primavera de 2014, ainda assim seja reivindicado e tenha seu trabalho traduzido por ativistas da extrema-direita ucraniana. Além disso, o livro traduzido foi apresentado na renomada Academia Kyiv-Mohyla, uma universidade respeitada tanto por nacionalistas ucranianos moderados quanto radicais. A administração da universidade tentou impedir a apresentação, mas os ativistas seguiram com seus planos. Eles ocuparam um auditório de palestras no museu da Academia, onde reuniram cerca de 40 pessoas e apresentaram o livro, criando um escândalo dentro e fora da universidade [293].

Contradições e riscos da cooperação internacional entre agrupamentos de extrema-direita

Nosso breve estudo não cobre todas as linhas de conexão direta e indireta entre o nacionalismo radical ucraniano pós-soviético e a Rússia. Em particular, as conexões da extrema-direita ucraniana com grupos russófilos direitistas não-russos só foram brevemente apresentados aqui e precisam de mais pesquisa. Contudo, nosso estudo ilustra passados divergentes das narrativas e modos de cooperação paradoxal entre nacionalistas radicais ucranianos com a Rússia ou agentes políticos relacionados com a Rússia.

Nosso ensaio aponta para os contextos em mutação da cooperação de extrema-direita com russos, com Moscou ou com agentes pró-Kremlin nas diferentes fases históricas seguintes: a) os anos de transição da década de 90; b) a presidência de Viktor Yushchenko de 2005 a 2010; c) a presidência de Viktor Yanukovich de 2010 a 2014; e d) o período após a vitória do Euromaidan e o início da Guerra Russo-Ucraniana em 2014. Durante os anos 90, as relações entre o recém-independente Estado ucraniano e o Estado russo não estavam ainda determinadas. Essa situação fluida permitiu a associação quase simultânea da UNA-UNSO com o apoio indireto ao separatismo pró-russo na Transnístria, com a atividade paramilitar contra o separatismo pró-russo na Geórgia e com a participação no separatismo antirrusso na Chechênia.

Com a ascensão de Putin e a consequente mudança na política externa russa desde 2000, os riscos da associação da extrema-direita ucraniana com agentes russos aumentaram. Quando o político pró-ocidente Viktor Yushchenko se tornou presidente da Ucrânia em 23 de Janeiro de 2005, tanto a burocracia estatal russa quanto os nacionalistas russos fora do governo passaram a ver a Ucrânia de forma mais ácida do que antes. Mesmo anteriormente à vitória eleitoral de Yushchenko, no fim de 2004, forças pró-Kremlin haviam lançado uma operação de “medida ativa”, que envolveu a questão Kovalenko, a qual visava desacreditar o movimento Laranja que levou Yushchenko ao poder.

A virada pró-ocidental inequívoca da Ucrânia como resultado da Revolução Ucraniana forçou a extrema-direita ucraniana a se reposicionar em face tanto do Ocidente quanto da Rússia. A associação de Korchinsky com Dugin e com o Kremlin durante a presidência de Yushchenko ilustra que, para alguns ultranacionalistas ucranianos, a virada radical da Ucrânia para o Ocidente foi difícil de digerir. Essa virada foi, de certos pontos de vista neofascistas, um desenvolvimento tão negativo que levou o grupo de Korchinsky à aliança com os neo-eurasianistas antiucranianos de Dugin.

Ao mesmo tempo, certas forças pró-russas dentro da Ucrânia viram o partido Svoboda como uma oportunidade para influenciar a política ucraniana. Eles começaram o que poderia parecer uma promoção contraintuitiva na mídia ucraniana do radical partido antirrusso para fortalecer e legitimar sua causa nos assuntos domésticos ucranianos. O Svoboda tinha potencial para exercer muitos papéis positivos para forças ucranianas pró-Moscou, inclusive a) um agente subversivo que rachasse o campo político nacionalista da Ucrânia; b) um espantalho ultranacionalista para o Ocidente; e c) um parceiro conveniente nas várias competições políticas para criticar outros candidatos, especialmente durante eleições presidenciais. Possivelmente sob conselho do Paul Manafort, o Partido das Regiões de Yanukovich e vários oligarcas leais a Yanukovich usaram impérios midiáticos para promover a ascensão do Svoboda.

Após a vitória de Yanukovich nas presidenciais em 2010, o Svoboda passou a se beneficiar direta e indiretamente das manipulações feitas pelo novo presidente, seu governo e pelos esquemas dos “tecnólogos políticos” do Partido das Região. Eventualmente, os vários fatores e esquemas secretos que estavam ajudando o Svoboda desde 2009 conduziram à sua mais bem-sucedida performance eleitoral até hoje nas eleições parlamentares de 2012.

Amizades Inesperadas: cooperação de ultranacionalistas ucranianos com agentes russos (5)

A associações contraditórias do Svoboda — como o partido que mais visceralmente vocalizava uma posição antirrussa — vão além do apoio direto e indireto que ele recebia até 2013 do pró-russo Partido das Regiões. Ele também construiu uma plêiade de relações estrangeiras com partidos de extrema-direita russófilos na Europa Centro-Oriental e Ocidental, posição que era em um primeiro momento latente e depois se tornou ostensiva. Como resultado da vitória da revolução do Euromaidan e início da Guerra Russo-Ucraniana em 2014, ambos estes desenvolvimentos sofreram um corte abrupto. O antigo apoiador secreto do Svoboda, o Partido das Regiões, tinha desaparecido, e a maioria dos parceiros estrangeiros tinham se tornado uma verdadeira saia justa para os nacionalistas ucranianos, em vista de suas expressivas tomadas de posição pró-putinismo desde 2014.

A vitória do Euromaidan e a Guerra Russo-Ucraniana iniciaram um novo capítulo da história levando a um realinhamento da extrema-direita russa, que se fragmentava ao redor da questão dos apoiadores e inimigos da integridade territorial e independência nacional da Ucrânia. Como resultado, um número de ultranacionalistas russos pró-ucranianos se mudaram para a Ucrânia. Em certos casos, eles se tornaram combatentes armados, se juntando à luta pela soberania ucraniana no Donbass. Alguns também conseguiram se integrar no novo e emergente movimento azovista.

A Guerra Russo-Ucraniana também significou que contatos abertos entre nacionalistas ucranianos e agentes russos — como os similares à relação que se desenvolveu entre Korchinsky e Dugin nos anos entre 2005 e 2007 — se tornaram impossíveis. No entanto, o movimento do Batalhão Azov passou a ocupar um novo nicho na absorção de exilados ultranacionalistas russos em vários braços armados e não-armados, além de sua organização chapa-branca, o Centro Russo. O movimento azovista também tinha ou ainda tem uma relação peculiar com jornalistas politicamente ambivalentes, incluindo Antoliy Shariy e Dmytro Hordon, assim como com canais de TV sob o controle de oligarcas pró-Moscou como Viktor Medvedchuk. O tratamento benevolente dado ao Batalhão Azov por esses agentes midiáticos estava e ainda permanece sendo um contraste feroz com a posição beligerante que esses canais assumirão diante do Svoboda, do Pravy Sektor e de outros grupos ucranianos ultranacionalistas.

Se a absorção de imigrantes russos pelo Batalhão Azov e sua peculiar presença na mídia ucraniana indica um padrão herdeiro da “tecnologia política” que permanece ativo até o momento, essa é uma questão em aberto. Pode haver um esquema coordenado por trás da presença pública desproporcional do marginal Batalhão Azov, o qual recebe apoio eleitoral de cerca de ou abaixo de 1%. Se uma tal operação secreta for verdadeira, o esquema desenvolvido lembraria o fenômeno incomum da alta publicidade que o Svoboda recebeu em programas de entrevista populares entre 2010 e 2012.

A posição doméstica ambivalente dos National Corps é, em certos aspectos, paralela com a ambiguidade considerável nas relações domésticas que o movimento vêm desenvolvendo agressivamente desde 2015. Alguns dos ramos do movimento estão ansiosos para se tornar parte totalmente respeitada do meio subcultural de extrema-direita europeu mais amplo. Em seus esforços multifacetados para se somarem a outros atores europeus, o National Corps e ONGs a ele relacionadas, como o Svoboda antes de 2014, estabeleceu relações com parceiros europeus que ocupam posições ambivalentes ou mesmo positivas com relação à Rússia de Putin. Diferentemente dos parceiros estrangeiros relativamente proeminentes do Svoboda antes de 2014, contudo, os contatos internacionais do Azov são, até aqui, somente grupúsculos políticos neofascistas e marcadamente marginais, além de subculturas racistas fechadas. Esses círculos, ao contrário dos partidos na antiga AENM, não têm muito potencial eleitoral ou peso político, e são amplamente desconhecidos do público tanto na Ucrânia quanto no Ocidente.

Usando a Ucrânia pós-soviética como exemplo, nosso estudo ilustra a observação talvez trivial, politicamente geral e geograficamente ampla de que para nações-Estado novas o ultranacionalismo é em alguns aspectos um empreendimento ainda mais problemático que para países mais antigos. Ele não é somente normativamente destrutivo, potencialmente criminoso e internamente subversivo [294], mas o fanatismo dos ultranacionalistas é também um perigo para as relações internacionais da nação, especialmente se aquela nação está em conflito com um vizinho agressivo, como a Ucrânia hoje. Ultranacionalistas gostam de ser vistos como os principais defensores da pátria. As práticas políticas de organizações como o Svoboda, Bratstvo e Azov são, contudo, mais complicadas e quase sempre contraditórias.

Ainda que tal conclusão seja, em sua substância, pouco surpreendente, ela tem uma dimensão estratégica digna de nota. Nosso estudo indica que alinhamentos aparentemente pragmáticos entre nacionalistas moderados e radicais, como o multifaccional Comitê contra a Ditadura, com posição anti-Yanukovich, o qual incluía o Svoboda, podem acabar se revelando problemáticos para partidos políticos democráticos que optam por se engajar nesse tipo de cooperação. Tais alianças além da linha divisória entre democratas e antidemocratas vêm com vários riscos em razão da lealdade insuficiente dos ultranacionalistas aos valores liberal-democratas [295].

Forças políticas radicais costumam estar sempre prontas para moldar suas relações internacionais de modos mais aventureiros e menos restritivos que suas contrapartes moderadas. Os últimos pertencem a famílias ou redes partidárias internacionais estáveis e grandes que parcialmente condicionam a direção de seus contatos internacionais e parcerias. Em contraste, as relações internacionais de partidos de extrema-direita podem ser erráticas, como o exemplo dos grupos de extrema-direita ucranianos pós-soviéticos aqui estudados demonstra. Aliados políticos moderados de nacionalistas radicais podem se tornar reféns da lealdade limitada de seus parceiros aos procedimentos constitucionais.

Partidos de centro-direita podem se achar em situações onde eles se tornam desacreditados pelas dúbias conexões internacionais de seus aliados domésticos radicais. As escolhas de contatos externos feitas pelos ultranacionalistas têm pouco a ver com uma posição ideológica particular. Ela pode ao invés disso ser o resultado do fato de que partidos extremistas operam dentro de contextos internacionais e padrões de comportamento distintos das forças políticas moderadas. Extremistas podem não ser particularmente seletivos ou avessos ao risco quando se trata de construir parcerias internacionais. A história aqui demonstrada de conexões ultranacionalistas com a Rússia e com agentes pró-Kremlin na Ucrânia e em outros lugares ilustra essa faceta das relações internacionais da extrema-direita mundial.

A publicação deste artigo foi dividida em cinco partes, acessíveis nos links abaixo à medida em que forem publicados:
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4


A tradução se deve ao grupo Camarilha Rachada.

Notas

[243] Anton Shekhovtsov, Russia and the Western Far Right: Tango Noir (Abingdon: Routledge, 2017).
[244] “Intermarium Support Group,” FOIA Research, 17 Janeiro 2019, https://www.foiaresearch.net/organization/intermarium-support-group.
[245] Marlène Laruelle and Ellen Rivera, “Imagined Geographies of Central and Eastern Europe: The Concept of Intermarium,” IERES Occasional Papers, Março 2019. www.ifri.org/en/publications/publications-ifri/articles-ifri/imagined-geographies-central-and-eastern-europe-concept.
[246] “‘Intermarium’ krokue Evropoiu,” Natsional’nyi korpus, 8 Fevereiro 2019, nationalcorps.org/intermarum-kroku-evropoju/.
[247] “Natskorpus vidvidav Khorvatiiu: rozbudova Intermariumu nabyrae obertiv,” Natsional’nyi korpus 12 Julho 2019, https://nationalcorps.org/nackorpus-vdvdav-horvatju-rozbudova-intermarumu-nabira-obertv/.
[248] Nonjon, “Olena Semenyaka.”
[249] “Intermarium Support Group.”
[250] “Intermarium Support Group.”
[251] “The Dark Side of the Kremlin,” Distributed Denial of Secrets, 25 Janeiro 2019, https://bird.bg/kremlin?q=%D1%83%D0%BA%D1%80%D0%B0%D0%B8%D0%BD%D0%B0.
[252] Paweł Reszk and Pavla Holcova, “The Man who Wanted more October,” , 18 de Outubro de 2017, www.stopfake.org/en/the-man-who-wanted-more/.
[253] Jan Holzer, Martin Laryš and Miroslav Mareš, Militant Right-Wing Extremism in Putin’s Russia: Legacies, Forms and Threats (Abingdon: Routledge, 2019): 214.
[254] Ryszard Machnikowski and Arkadiusz Legieć, “The Favored Conflicts of Foreign Fighters From Central Europe,” Terrorism Monitor 15:19 (2017). jamestown.org/program/favored-conflicts-foreign-fighters-central-europe/.
[255] Sabine am Orde, “Brandanschlag in der Ukraine: Spur nach Deutschland,” Taz.de, 24 Março 2020, taz.de/Brandanschlag-in-der-Ukraine/!5673875/.
[256] Shekhovtsov, Russia and the Western Far Right.
[257] Vladislav Mal’tsev, “Soiuz svastiki i vol’chego kriuchka: Shturmoviki ‘Azova’ nashli pobratimov v Pol’she,” Ukraina.ru, 25 Outubro 2018. ukraina.ru/exclusive/20181025/1021547860.html.
[258] Witold Dobrowolski, “O narodowcach co pokochali Murzynkę,” Szturm, 30 Novembro 2017, http://szturm.com.pl/index.php/miesiecznik/item/642-witold-dobrowolski-o-narodowcach-co-pokochali-murzynke.
[259] Caterina Froio, Pietro Castelli Gattinara, Giorgia Bulli, Matteo Albanese, Italia: Contemporary Extreme-Right Politics (London: Routledge 2020).
[260] “I fascisti italiani fanno i mercenari per Putin,” Espresso.repubblica, 11 Outubro 2017, https://espresso.repubblica.it/inchieste/2017/10/11/news/i-fascisti-italiani-fanno-i-mercenari-per-putin-1.311735.
[261] “Karpats᾽ka Sich,” FOIA Research, 14 Janeiro 2019. www.foiaresearch.net/organization/karpatska-sich.
[262] “‘Presente!’ Nationalrevolutionäre Aktivisten beim ‘Acca Larentia’ Gedenken in Rom,” Der Dritte Weg, 12 Janeiro 2019, https://der-dritte-weg.info/2019/01/presente-nationalrevolutionaere-aktivisten-beim-acca-larentia-gedenken/.
[263] Giovanni Savino, “From Evola to Dugin: The Neo-Eurasianist Connection in Italy,” In: Marlène Laruelle, ed., Eurasianism and the European Far Right: Reshaping the Europe-Russia Relationship (Lanham: Lexington Books, 2015): 97-124, here p. 114.
[264] Shekhovtsov, Russia and the Western Far Right, p. 184.
[265] Shekhovtsov, Russia and the Western Far Right, p. 186.
[266] La Redazione, “Dugin a : ‘Il populismo è la sfida al pensiero unico’,” Il Primato Nazionale, 23 Junho 2018, www.ilprimatonazionale.it/primo-piano/dugin-a-casapound-il-populismo-e-la-sfida-al-pensiero-unico-88026/
[267] Anton Shekhovtsov, “The old and new European friends of Ukraine’s far-right Svoboda party.” Searchlight, 9 Janeiro 2013, http://www.searchlightmagazine.com/archive/the-old-and-new-european-friends-of-ukraine%E2%80%99s-far-right-svoboda-party
[268] Shekhovtsov, “The old and new European friends of Ukraine’s far-right Svoboda party.”
[269] “Molodizhnyy Natsionalistychnyy Front Frantsii v hostiakh u ukrainsʹkykh patriotiv,” Narodnyy Ohliadach 22 Agosto 2003, https://www.ar25.org/article/molodizhnyi-nacionalistychnyi-front-franciyi-v-gostyah-u-ukrayinskyh-patriotiv.html; R. Zelyk, “Istoriia SNPU – VO ‘Svoboda’,” in: Kurs I. Osnovy natsionalizmu (Ivano-Frankivs’k: Instytut politychnoi osvity VO “Svoboda,” 2008): 56-71; Anton Shekhovstov, “The Ukrainian far-right Natsional`nyi Korpus picks up where Svoboda left off,” Tango Noir, 15 Maio 2018. www.tango-noir.com/2018/05/15/the-ukrainian-far-right-national-corps-picks-up-where-svoboda-left-off/.
[270] Artem Iovenko, “The ideology and development of the Social-National Party of Ukraine, and its transformation into the All-Ukrainian Union ‘Freedom,’ in 1990–2004,” Communist and Post-Communist Studies 48:2-3 (2015): 229–237, here p. 233.
[271] Vitaliy Chervonenko, “Le Pen i Tiahnybok: chomu druzi staly vorohamy?” BBC Ukraine, 3 Junho 2015, https://www.bbc.com/ukrainian/politics/2015/06/150527_le_pen_svoboda_vc.
[272] Shekhovtsov, “The old and new European friends of Ukraine’s far-right Svoboda party.”
[273] Anton Shekhovtsov, “Svoboda is no longer an observer in the AENM,” Anton Shekhovtsov’s blog, 11 Abril 2013, http://anton-shekhovtsov.blogspot.com/2013/04/svoboda-is-no-longer-observer-in-aenm.html.
[274] Shekhovtsov, “The old and new European friends of Ukraine’s far-right Svoboda party.”
[275] Chervonenko, “Le Pen i Tiahnybok: chomu druzi staly vorohamy?”
[276] Jens Rydgren “Radical Right-wing Populism in Denmark and Sweden: Explaining Party System Change and Stability,” SAIS Review 30:1 (2010): 57-71.
[277] Shekhovtsov, “The old and new European friends of Ukraine’s far-right Svoboda party.”
[278] Shekhovtsov, “The old and new European friends of Ukraine’s far-right Svoboda party.”
[279] Shekhovtsov, “The old and new European friends of Ukraine’s far-right Svoboda party.”
[280] Shekhovtsov, “The old and new European friends of Ukraine’s far-right Svoboda party.”
[281] Shekhovtsov, Russia and the Western Far Right, p. 184.
[282] “Politicheskaia partiya ‘Novaia sila.’ (‘Forza Nuova’),” CACDS.Posipaka, 25 Julho 2017, https://www.posipaka.org/uk/baza-posipak/organizatsii/politicheskaya-partiya-novaya-sila-forza-nuova/.
[283] Rexhino Abazaj, “Don’t Be Fooled by the Red Fascists: A brief introduction to the ‘red-brown’ movement,” Libero, 4 Janeiro 2016, liberolehti.fi/dont-be-fooled-by-the-red-fascists/.
[284] Anton Shekhovtsov, “The Ukrainian Far-right National`nyi Korpus Picks up where Svoboda Left off,” Tango Noir, 15 Maio 2018, https://www.tango-noir.com/2018/05/15/the-ukrainian-far-right-national-corps-picks-up-where-svoboda-left-off/.
[285] “Dispatches from Asgardsrei: Ukraine’s Annual Neo-Nazi Music Festival,” Bellingcat 2 Janeiro 2020, https://www.bellingcat.com/news/2020/01/02/dispatches-from-asgardsrei-ukraines-annual-neo-nazi-music-festival/.
[286] “Asgardsrei festival,” FOIA Research (2019). https://www.foiaresearch.net/event/asgardsrei-festival.
[287] “Dispatches from Asgardsrei: Ukraine’s Annual Neo-Nazi Music Festival.”
[288] “Dispatches from Asgardsrei: Ukraine’s Annual Neo-Nazi Music Festival.”
[289] Michael Colborne, “Ukraine’s Far Right Is Boosting a Pro-Putin Fascist,” Bellingcat, 22 Janeiro 2020. www.bellingcat.com/news/2020/01/22/ukraines-far-right-is-boosting-a-pro-putin-fascist/.
[290] Franko Dzh. Freda [Franco J. Freda], Dezintehratsiia systemy (Kyiv: Nuovi Arditi, 2019).
[291] Colborne, “Ukraine’s Far Right Is Boosting a Pro-Putin Fascist.”
[292] Colborne, “Ukraine’s Far Right Is Boosting a Pro-Putin Fascist,” quoting from: Raffaella Fanelli, “Fedele Alla Razza.” Estreme Conseguenze, 29 Novembro 2018. estremeconseguenze.it/2018/11/29/fedele-alla-razza/; “Intervista a Franco G. Freda a cura di Karel Veliky, in occasione dell’uscita dell’edizione boema della Disintegrazione del Sistema,” Edizioni di Ar, 21 Outubro 2014. www.facebook.com/EdizionidiAr/posts/10152493748002428?__tn__=-R.
[293] Nuovi Arditi, “Franko Freda – ‘Dezintehratsiia Systemy’ – Prezentatsiia,” Facebook, 17 Dezembro 2019, https://www.facebook.com/events/2881052415261309/.
[294] Estudos comparativos mais amplos da extrema-direita europeia que, ao invés da maioria das outras pesquisas, incluem o caso ucraniano são: Sabrina Ramet, ed., The Radical Right in Central and Eastern Europe Since 1989 (University Park, PA: Pennsylvania State University Press, 1999); Anton Shekhovtsov, Novye pravoradikal’nye partii v evropeiskikh demokratiiakh: Prichiny elektoral’noi podderzhki (Stuttgart: ibidem-Verlag, 2011); Alina Polyakova, The Dark Side of European Integration: Social Foundations and Cultural Determinants of the Rise of Radical Right Movements in Contemporary Europe (Stuttgart: ibidem-Verlag, 2015); Michael Minkenberg, ed., Transforming the Transformation? The East European Radical Right in the Political Process (Abingdon, UK: Routledge, 2015); Lenka Bustikova, Extreme Reactions: Radical Right Mobilization in Eastern Europe (Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2019).
[295] “Re-consider the Inclusion of Svoboda into the CAD: Open Letter to the Leaders of Ukraine’s Democratic Opposition Regarding the Inclusion of the ‘Svoboda’ Party into the Committee Against Dictatorship,” Change.org, 2011. www.change.org/p/committee-against-dictatorship-re-consider-the-inclusion-of-svoboda-into-the-cad.

Os quadros que ilustram este artigo são do pintor russo Aleksandr Deineka (1899 – 1969).




Fonte: Passapalavra.info