Novembro 24, 2020
Do Jornal O Companheiro
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Não se trata aqui de caracterizar bases teóricas acerca do imperialismo para o anarquismo histórico, mas sim de contribuir (se possível) para com a discussão do espaço internacionalista e transnacional do anarquismo.

A questão venezuelana surge como uma pedra no sapato para os anarquistas de aspecto global: de um lado o Imperialismo Estadounidense e do outro um Governo Autoritário chavista; e os anarquistas vem apresentando profunda dificuldade de assumir posições que corroborem com as práticas históricas do mesmo.

Uns defendem a cooperação com o governo bolivariano de Nicolás Maduro, legitimando toda a questão chavista, contra o próprio povo, centralizadora de poderes.

Outros afirmam a posição estadounidense em favor das intervenções com o objetivo de “florescer” o suposto caráter democrático da cultura ocidental.

Os primeiro concebem a natureza chavista como caminho e resistência latino-americana ao capitalismo global. Os segundos constroem a narrativa ocidental de liberdade a partir da democracia burguesa.

Uns dizem defender a auto-determinação dos povos, e com isso acabam por defender a legitimidade de um poder centralizador e autoritário.

Outros dizem defender a libertação do povo venezuelano das garras de Maduro a partir de uma “intervenção global”, liberada pela Organização das Nações Unidas.

Os primeiros, compreendem que o Estado Venezuelano, bem como sua agitação política, detém legitimidade (conferida) para continuar no poder e seguir sua “revolução” e, por isso, Maduro seria o “eleito” para combater o capitalismo, como um “bom estadista”

Os segundos, compreendem que o Estado Venezuelano, bem como sua agitação política, não passa de um Estado repressivo e autoritário que “falhou em sua revolução” e que, dado o momento, e a geopolítica mundial, deveria se dissolver em prol de uma “liberdade” assistida pela democracia burguesa e intervenção estadounidense.

Uns dizem que a crise gerada é culpa estrita dos boicotes econômico, notícias controversas, contorcionismos conceituais, da mídia hegemômica …

Outros afirmam que a culpa se deve a burocracia chavista, da corrupção, do marxismo, do socialismo ou do poder por si só…

Uns, numa postura autoritária defendem que contra o capitalismo devemos nos apoiar sob os braços de Nicolás Maduro. Que defender Maduro é defender as escolhas do povo, e esta seria,
portanto, a garantia para vitória.

Outros, numa postura claramente liberal advogam contra o Estado Venezuelano em sua forma atual, porém, apoiados sob o manto estadounidense. Defendem que a emancipação das classes se dará a partir da absorvição do povo venezuelao ao mercado global.

E nessa briga infantil não assimilam o fato de que de um lado trata-se do Estado em sua vil forma, e do outro trata-se do Capital em seu pior estado.

De um lado o Governo.
De outro o Mercado.

Enquanto discute-se a quem ou como apoiar, a classe trabalhadora venezuelana passa fome, sede, delírios, solidões, mortes; e neste ponto abraçam-se como amigos íntimos o Estado e o Capital, o Governo Maduro e o Imperialismo Estadounidense, a “Ditadura” e o “Mercado”.

E na fome que abrem-se brechas entre os que sofrem, para além das duas opções, para repensar sua organização social, reestruturar  suas forças e restabelecer a solidariedade.

Uma brecha que constrói novos propósitos e paradigmas, novos modelos, novas ideias.

Esta, em suma, é a reflexão: não é a quem se deve apoiar, mas que qualquer apoio deve ser respaldado pela defesa, solidariedade e cooperação ao povo venezuelano que não se encontra embebido pela operação chavista nem pelo imperialismo estadounidense.

Um construção que não se encontra com a brecha, mas é ela em si mesma:

Se construirmos junto aos trabalhadores reflexões que nos levem a expandir horizontes, não iriam, então, por si próprios, impedir a invasão imperialista e, ao mesmo tempo, derrubar o governo? Não iriamos juntos, então, fortalecer nossa solidariedade e refletir sobre poder popular, a autogestão, a democracia direta e ecologia social?

Já se foi o tempo em que discutia-se a quem apoiar, só temos a classe trabalhadora e é a ela a quem devemos apoiar, porque é junto a ela, como ela, que morreremos.

Nem Imperialismo Estaodunidense!
Nem Governo Autoritário!
Nem Social Democracial Liberal!

Não a Guerra dos Ricos!
Sim a Revolução Social!

 04 – 03 – 19




Fonte: Jornalocompanheiro.blackblogs.org