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Biografia de Amadeo Bertolo por Mário Rui Pinto.


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Amedeo Bertolo nasceu a 17 de Setembro de 1941 em Milão, no bairro de San Siro, na altura ainda um bairro popular da periferia, no seio de uma família operária proveniente da região italiana de Friuli. A mãe era costureira e o pai desenhava e fabricava mosaicos artísticos e decorativos.

No Outono de 1961, terminou o ensino secundário e matriculou-se na Faculdade de Agronomia da Universidade de Milão, porque “no dia das inscrições, era em frente desta faculdade que a fila estava mais curta”, e foi aqui que fez toda a sua carreira profissional como professor de Economia Agrária.

A sua ligação ao anarquismo começou cedo, e logo no início de 1961 foi um dos fundadores do Grupo Juventude Libertária de Milão, aderente aos Grupos Juvenis Anarquistas Federados que se dissolveram em 1967, mas que estiveram na base da formação, pouco tempo depois, dos conhecidos Grupos Anarquistas Federados (GAF), uma das três federações nacionais activas naquela época e que tinha a particularidade de ser composta apenas por jovens e se organizar por grupos de afinidade. Foi uma experiência forte que acabou com a autodissolução dos GAF em 1977.

Em 28 de Setembro de 1962 foi um dos protagonistas do primeiro rapto político na Itália do pós-guerra: o do vice-cônsul espanhol em Milão, Isu Elias, realizado em conjunto com mais três anarquistas e quatro activistas da “esquerda revolucionária”, todos eles muito jovens. Este rapto não tinha como finalidade a obtenção de qualquer resgate, mas antes chamar a atenção da imprensa e da opinião pública italianas para a ditadura franquista que tinha condenado à morte um jovem anarquista e outros dois a pesadas penas de prisão por “bombismo”. Precisamente poucos meses antes desta sentença, Bertolo tinha feito uma viagem de motorizada através do território espanhol, a pedido do conhecido anarquista Octavio Alberola, integrado na estrutura anarquista Defensa Interior, distribuindo panfletos da Federación Ibérica de Juventudes Libertarias. Face à reacção da opinião pública em Itália, e mesmo em outros países europeus, a pena de morte foi comutada em pena de prisão e as outras reduzidas. Libertado o vice-cônsul, todos os membros do grupo de “raptores” foram presos pela polícia italiana, com excepção de Bertolo que fugira para França. No entanto, no dia do início do julgamento, apesar do tribunal estar fortemente vigiado pela polícia, Bertolo conseguiu entrar disfarçado de assistente do seu próprio advogado de defesa, constituiu-se réu e a sessão foi transformada num ataque cerrado ao franquismo. No fim, todos os envolvidos saíram em liberdade, dado que o juiz decidiu pela suspensão total das penas aplicadas porque, segundo ele, os arguidos agiram “por razões de elevado valor moral e social”. Como curiosidade, saliente-se que o rapto se desenvolveu sem recurso a qualquer tipo de violência, com um orçamento muito baixo, quase todo consumido no aluguer do carro utilizado para a acção e que o próprio raptado foi, na prática, uma testemunha de defesa ao declarar em tribunal nunca se ter sentido fisicamente ameaçado.

A actividade militante acompanhá-lo-á ao longo de todo o seu percurso de vida. Ainda no final da década de 60 foi novamente protagonista de outro momento histórico crucial: a 12 de Dezembro de 1969 ocorreu um atentado bombista na sede do Banco Nacional da Agricultura, situada na Praça Fontana em Milão, no qual morreram 17 pessoas e 88 ficaram feridas. Este atentado foi, de imediato, falsamente atribuído aos anarquistas pela polícia e pelos serviços secretos italianos, que aproveitaram para prender dezenas de militantes. Na noite de 15 para 16 de Dezembro, deu-se a morte violenta de Giuseppe Pinelli, o mais conhecido anarquista milanês da época, atirado pela janela do 4º andar da sede da polícia, e com quem Bertolo se tinha cruzado no Grupo Bandeira Negra dos GAF e no Círculo Anarquista Ponte della Ghisolfa e fundara, em 1968, a Cruz Negra Anarquista.

Esta organização foi o motor de uma activa campanha de contra-informação, com o objectivo de desmontar a cabala anti-anarquista desenvolvida pelos agentes do Estado e obedientemente difundida por alguns media, e Bertolo dedicará grande parte da sua vida a denunciar o assassinato de Pinelli e a provar que os atentados de 1969 tiveram origem na extrema-direita e nos serviços secretos. Com o decorrer dos anos e o acumular de provas, a sociedade italiana tornou-se unânime na condenação das mentiras e da actuação do aparelho estatal nesta questão.

Mas os anos 60 não foram apenas anos de atentados, farsas judiciais e “massacres de Estado”. Também foram anos de renovação da criatividade libertária, pelo que alguns jovens anarquistas decidiram inventar um símbolo em sintonia com o novo imaginário anarquista. Divulgado pela primeira vez, em 1964, no boletim das Juventudes Libertárias de Paris, foi em Milão, em 1966, que o famoso A circulado ira adquirir o estatuto de ícone e partir à conquista das paredes e dos muros de todo o mundo. Bertolo iniciou a sua divulgação, gravando-o com a ajuda de um copo virado ao contrário nos textos policopiados produzidos pela Juventude Libertária de Milão.

Paralelamente a esta actividade militante, Bertolo manteve sempre uma relação constante e intensa com o papel impresso, fundando e desenvolvendo vários projectos em paralelo, relação esta que, pouco a pouco, se tornou uma prioridade. Assim, em Janeiro, Fevereiro e Maio de 1963, surgem os três números da revista Materialismo e libertà, periodico di azione e studi libertari, da qual foi um dos fundadores. De Junho de 1969 até Dezembro de 1970 participou nos oito numeros do Bollettino da Cruz Negra Anarquista.

O ano de 1971 iria ser muito importante na sua vida pessoal. De facto, foi em Abril deste ano que Rossella di Leo entrou na sua vida, tornando-se companheira no amor e nas ideias, partilhando todos os sonhos e projectos concretizados, numa cumplicidade tecida na vivência quotidiana e que iria durar até ao dia da morte de Bertolo, 45 anos depois. Também em 1971 fundou, com outros companheiros, a revista mensal A rivista anarchica (a qual aparentemente terminou neste ano de 2020 com o suicídio do seu principal animador e também fundador, Paolo Finzi), fazendo parte do colectivo redactorial e gráfico até 1974.

Ainda em 1974, integrou o colectivo que iniciou Interrogations, revista trimestral internacional editada até 1979, para além de fundar o Comité Espanha Libertária, destinado a recolher fundos para apoiar o renascimento do anarquismo em Espanha. Este Comité deu por terminadas as suas actividades em Outubro de 1976, com a entrega de quase sete milhões de liras (verba impressionante para a época) ao então secretário-nacional da CNT, organização que estava em fase de reconstrução no interior do território espanhol.

Em 1976, Bertolo tornou-se responsável pela editora Antistato, até ao seu encerramento em 1986, e foi um dos iniciadores do Centro de Estudos Libertários – Arquivo Giuseppe Pinelli, que ainda existe e que se dedica a promover um pensamento libertário original e a conservar a memória histórica do anarquismo, tendo organizado inúmeros seminários, colóquios e encontros, entre os quais o célebre Encontro Internacional Anarquista de Veneza em Setembro de 1984, no qual estiveram presentes cerca de três mil pessoas vindas literalmente de todo o mundo. Bertolo colaborou em diversos numeros do Bollettino editado pelo Arquivo, para além de ter participado nas respectivas actividades até ao fim da sua vida.

Entretanto, de 1980 a 1996 pertenceu à redacção da importante revista de aprofundamento teorico Volontà. Pelo meio, em 1986, foi um dos fundadores da editora Elèuthera (“herdeira” natural e directa da Antistato), que se tornou numa das mais profícuas editoras libertárias da actualidade, à qual esteve ligado até ao dia da sua morte, ocorrida em Milão a 22 de Novembro de 2016 aos 75 anos de idade.




Fonte: Ielibertarios.wordpress.com
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