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Nesta quinta-feira, 6 de maio, um massacre se abateu sobre a comunidade do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, com pelo menos 25 pessoas mortas. A autoria é da Polícia Civil, no que é considerada a ação policial mais letal da história do estado. Testemunhas apontam vários indícios de execuções sumárias, de pessoas que já estavam rendidas e não ofereciam resistência.

O caso escancara o terrorismo de Estado que vitima o povo pobre e negro no Rio de Janeiro e em comunidades de todo o país. No ano passado, 5.660 pessoas foram assassinadas pelas polícias no Brasil. No estado do Rio de Janeiro, 25% das mortes violentas em 2020 tiveram autoria policial. Disfarçada de guerra às drogas, a política genocida se trata de uma guerra aos pobres, que vitima a juventude negra e periférica, e mantém a população dessas comunidades sob constante ameaça.

A Chacina de Jacarezinho também demonstra a falência das instituições de Estado em garantir o mínimo que elas mesmas se propõem. A luta popular conseguiu fazer com que o STF colocasse restrições em operações policiais nas comunidades durante a pandemia, o que certamente salvou vidas, mas a medida é constantemente descumprida pelo governo estadual. Também não se exclui a possibilidade de esse massacre ter sido cometido como parte dos embates no andar de cima, no contexto de crise política, com uma CPI que apura as responsabilidades do governo Bolsonaro frente à pandemia.

Esse massacre é mais um capítulo do laboratório racista e genocida que as classes dominantes vêm impondo sobre o povo, para manter um estado de terror constante. São mais de 400 mil mortos pela covid-19, com variantes brasileiras da doença e colapso em todos os estados, experimentos de “imunização de rebanho” com políticas de contaminação acelerada, propaganda de medicamentos ineficazes, além de reformas que retiram gastos sociais, aumento do desemprego e da fome, enquanto os ricos ficaram ainda mais ricos.

Tudo isso não vai ser resolvido nas próximas eleições, mas sim desde já, com um forte processo de mobilização popular, desde as bases, que possa mostrar às classes dominantes que as coisas não podem seguir dessa forma! Episódios recentes em países vizinhos têm demonstrado que as classes populares em revolta têm a capacidade de impor derrotas aos de cima! Só isso pode interromper a normalização da barbárie!

Outra questão importante é a necessidade de os movimentos populares debaterem a fundo não somente o fim da polícia militar, mas sim de todas as polícias, que se fundam na defesa dos grandes proprietários, e não têm qualquer relação com proteção à vida das e dos de baixo. São o braço armado dos poderosos para nos torturar, prender e matar.

Desde nossa militância cotidiana, seguimos pautando a solidariedade entre as nossas e nossos, e a urgência da revolta contra esse terrorismo de Estado, na luta por vacina para todas e todos, por vida digna e pelo socialismo libertário! É preciso cerrar punhos para responder à barbárie com força popular!

Coordenação Anarquista Brasileira
Maio de 2021




Fonte: Anarquismosp.wordpress.com