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Mais uma vez um companheiro de luta tem sua vida tirada pela força do ódio que corrói a sociedade brasileira dia a dia: da homofobia e do desprezo pela vida. Lindolfo Kosmaski, um jovem camponês, gay, militante do MST, do Coletivo LGBT/MST, egresso do curso de Licenciatura em Educação do Campo na ELLA-Escola Latino Americana de Agroecologia na Lapa/PR, e que, no momento, estava atuando como professor na rede pública de ensino e cursando mestrado em Matemática na UFPR, foi brutalmente assassinado por disparos de arma de fogo. Seu corpo foi encontrado, carbonizado, dentro de um carro no município onde residia, São João do Triunfo/PR, no dia 1 de maio de 2021.

Nosso sentimento é de revolta, de apoio e solidariedade a família de Lindolfo e seus amigos e amigas, companheiros e companheiras de luta, que passam por este momento de tamanha dificuldade durante a maior catástrofe sanitária do século XXI, a perda de uma pessoa muito querida e trabalhadora para a brutalidade. Esta tragédia evidencia a violência presente em nossa sociedade, que não se comove frente a morte de Lindolfo e de todo homossexual que tem sua vida tirada por amar. Num país líder no ranking de assassinato e perseguição as pessoas LGBT, é preciso dar um basta a intolerância e violência contra aqueles que “ousam desafiar” a sociedade e amar quem sentem o desejo de amar.

Lindolfo era jovem camponês gay e participava também do movimento sem-terra, que provoca ódio e temores nos setores conservadores e reacionários da sociedade. A sua vida não foi tirada sem motivo: parte do avanço do projeto de morte que temos instaurado no país, em que não há respeito às diferentes formas de ser e de amar, às diferentes formas de lidar com a terra, de produzir alimentos, de construir uma educação comprometida com os dramas do povo, é o projeto do agronegócio homofóbico que irá perseguir, criminalizar e assassinar todos e todas aquelas que ousaram amar livremente, sem prisão aos dogmas difundidos pela sociedade da família hétero-branca-normativa, aqueles que se colocaram como Lindolfo fez, ao lado do povo na construção de uma educação libertadora comprometida com a sua comunidade, com o seu território camponês.

É preciso denunciar mais este terrível assassinato, que mostra que a homofobia mata! O discurso carregado de preconceito não é só feito de palavras, nas piadas, mas de ações violentas. Se desejamos construir uma sociedade socialista e libertária é preciso que avancemos na luta contra a homofobia, e continuar a luta a que Lindolfo dedicou sua vida, mantê-lo vivo e presente, não só em nossas memórias mas em nossas ações, a luta contra a homofobia e todas as formas de opressão é diária!

No dia 17 de maio, dia internacional de luta contra a LGBTfobia, e em todos os dias do ano é preciso lembrar e avivar a luta de Lindolfo e tantos outros e outras LGBT’s que tombaram. É preciso denunciar o projeto de morte em curso no país, e anunciar um projeto de vida!

Exigimos Justiça a Lindolfo Kosmaski!
Nem mais uma gota de sangue LGBT derramado sem resposta!
Todo apoio e solidariedade ao Coletivo LGBT/MST!
Todo apoio ao sem-terra desse país!




Fonte: Cabanarquista.org