Março 5, 2021
Do Agencia De Noticias Anarquistas
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Um século atrás, em 7 de novembro de 1917, a tomada do poder pelos Bolcheviques começou na Rússia revolucionária. Seguindo nossa compilação de vozes que falaram contra a ascensão do totalitarismo soviético, “Fantasmas Inquietos dos Mortos Anarquistas”, apresentamos esta tradução de um texto originalmente lançado em catalão e como publicação em português. 

Ele oferece um cronograma detalhado da repressão bolchevique às correntes revolucionárias na Rússia, começando antes da chamada Revolução de Outubro e indo até o tratado entre Stalin e Hitler.

 O presente texto é somente um resumo, uma pequena lembrança de um desastre histórico que ainda repercute em nossas lutas de hoje. No centenário da Rebelião de Kronstadt, cabe a nós lembrar a apropriação bolchevique da Revolução Russa, que constituiu um desastre para a classe trabalhadora, um desastre para o povo russo e para todos os povos submetidos ao Império Russo, um desastre para os movimentos anticapitalistas à escala mundial, um desastre para quem busca a liberdade e um desastre para a humanidade.

Um Desastre Previsível

A inclinação contrarrevolucionária da União Soviética era previsível. Bakunin previu perfeitamente como uma “ditadura do proletariado” rapidamente se transformaria em mais uma ditadura sobre o proletariado, 50 anos antes dela ocorrer. Nos anos seguintes, muitos outros anticapitalistas chegaram à mesma conclusão. Era uma aposta bastante segura, considerando como os líderes da nova ditadura encontraram inspiração em outra figura contrarrevolucionária: Karl Marx.

Não fazemos essa afirmação de forma leviana, denunciando como “contrarrevolucionária” uma pessoa que, sobre qualquer dúvida, foi importante nas lutas anticapitalistas. Nunca daríamos esse passo por conta de simples discordâncias teóricas. É só depois de uma pesquisa minuciosa das consequências das ações de Marx que chegamos a essa conclusão.

Marx implantou atitudes coloniais supremacistas brancas no coração do movimento anticapitalista e destruiu a autonomia desse movimento tão profundamente que, 150 anos depois, ainda não o restauramos.

Para citar um único exemplo, Marx celebrou a conquista do México pelos Estados Unidos, usando termos abertamente racistas para contrastar os “enérgicos” ianques com os mexicanos “preguiçosos” e “primitivos”. Sua ideia de progresso dialético compartilhava o elemento da supremacia branca com o liberalismo da época. Ele estava convencido de que as nações ocidentais eram as mais avançadas do mundo e que todos os outros povos teriam que se concentrar na Europa e seguir o mesmo caminho para se libertarem. Como tal, era um defensor imperdoável do colonialismo, que ele reconheceu como um exercício de violência capitalista, mas que também acreditava ser vital para o progresso dos povos “primitivos”.

Além de seu racismo, Marx era um cúmplice autoritário das instituições burguesas. Uma das características mais fortes do movimento dos trabalhadores no século XIX foi sua autonomia. Foi um movimento construído pelos próprios trabalhadores e dentro dele as instituições dos inimigos de classe não tinham lugar. Marx arruinou tudo isso com sua insistência obstinada de que, para ganhar, de acordo com sua teoria – uma teoria que a história mostrou estar errada, uma teoria que previu que as revoluções anticapitalistas ocorreriam na Alemanha e no Reino Unido, definitivamente não em Rússia ou Espanha – a classe trabalhadora teria de adotar as formas políticas de seu inimigo. Seria preciso se organizando em partidos políticos e ingressando nas instituições burguesas, nos parlamentos onde monarquistas e capitalistas lutavam pelo controle de um poder baseado unicamente na subordinação dos camponeses e trabalhadores. Esse poder que não poderia sequer existir sem a contínua dominação dessas classes.

Marx estava acostumado a ser cercado por lacaios. Quando percebeu que existiam mentes independentes e opiniões opostas dentro da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), que esse não era mais seu fã-clube pessoal, ele conspirou e fez uso de todos os truques sujos que, desde então, se tornaram conhecidos métodos de manipular assembleias a fim de expulsar todos aqueles que se opunham a suas ideias e que se opunham à tática equivocada de criar partidos políticos. Este não foi apenas um conflito entre duas posições, marxista e anarquista, nem foi um duelo entre Marx e Bakunin. Marx excluiu não apenas anarquistas, mas qualquer um que discordasse dele, incluindo feministas como André Leó, participante da Comuna de Paris de 1871.

Como resultado da divisão, a maioria da Internacional rompeu com a facção marxista. Muitas pessoas que estão apenas familiarizadas com contas super simplificadas centradas em Marx supõem que, assim que a sede da Internacional foi transferida para Nova York, a organização foi efetivamente encerrada. De fato, o que aconteceu foi que apenas o pequeno grupo marxista que imediatamente se tornou moribundo. A maioria da Internacional continuou se organizando junto de acordo com os princípios anarquistas por mais meia década, como o historiador marxista Steklov foi forçado a contar em sua [História da Primeira Internacional (https://www.marxists.org/archive/steklov/history-first-international/). Foram necessários cinco anos de contínua repressão estatal para destruir a organização e isso só foi bem-sucedido porque os marxistas e outros elementos estatistas do movimento trabalhista se recusaram a agir em solidariedade com um trabalho de construção genuinamente revolucionário.

A polêmica estratégia de Marx – converter a Internacional em uma ferramenta para entrar nas instituições burguesas através de partidos social-democratas – foi um fracasso constrangedor, exatamente como seus críticos previram. Os novos partidos não perderam tempo em vender a classe trabalhadora a seus novos colegas de profissão: a burguesia. Além disso, os principais herdeiros de Marx, como o Partido Socialista dos Trabalhadores da Alemanha, enviaram a classe trabalhadora para o matadouro contrarrevolucionário que foi a Primeira Guerra Mundial.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://pt.crimethinc.com/2021/03/02/cem-anos-da-contrarrevolucao-bolchevique-uma-linha-do-tempo-tracando-a-repressao-a-movimentos-revolucionarios-1?fbclid=IwAR3cv3rZ0GRw0IFAs7sGmo2Yoq4PY0xYdkAvOdaDGWlWqKI55i-v7k6xOBM

agência de notícias anarquistas-ana

Mal o dia clareia
a passarada
em coro chilreia

Eugénia Tabosa




Fonte: Noticiasanarquistas.noblogs.org