Maio 30, 2022
Do Uniao Popular Anarquista
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Morador filma sua casa sendo arrastada pelas águas

Estudo da Environmental Research Letters aponta que regiões do mundo podem sofrer inundações “sem precedentes” em áreas costeiras que abrigam 1 bilhão de pessoas. O Brasil, assim como outros países periféricos do sistema interestatal capitalista terão áreas litorâneas sacrificadas com o aumento do nível dos mares, uma das consequências das mudanças no clima. Esta é provocada pela emissão de gases do efeito estufa advindos da geração de energia elétrica e de calor através da queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás natural. Como os efeitos sociais de eventos climáticos são distribuídos desigualmente, podemos prever que o povo trabalhador está em risco.

As chuvas ocorridas entre a noite de 27 de maio de 2022 e no decorrer do dia seguinte provocaram alagamentos e deslizamentos de terra, vitimando 35 pessoas na zona metropolitana de Recife (PE) e na Zona da Mata (PE). Vinte mortes foram à Comunidade Jardim Monte Verde, na Zona Sul de Recife, área mais afetada. Frente ao evento, foi meramente reativa e não preventiva a ação da prefeitura (João Campos/PSB), do governo de Pernambuco (Paulo Câmara/PSB) e do governo Federal (Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil), e em muitas ocasiões, nem reação tiveram, demorando absurdas horas para informar onde as populações desalojadas iriam passar a noite do dia 28/05 com suas famílias.

Família sendo socorrida por vizinhos

Em 2019, Recife tinha a maior desigualdade entre capitais. E Pernambuco ficou em terceiro no país em concentração de renda. Em 2022, Recife possui déficit de 71.160 moradias. Sem alternativa, o povo ocupa prédios vazios, moram em casas improvisadas e em palafitas próximas a rios. Conjuntos habitacionais são prometidos, mas não entregues pelo governo.

A mídia hegemônica e os governos culpam a chuva em si como a responsável dos óbitos. Essas narrativas buscam produzir, ao menos, três efeitos: 1) ocultar a responsabilidade das autoridades governamentais, que optam por ações reativas e não preventivas; 2) disseminar a compreensão do evento como fatalidade decorrente da ação da chuva; 3) dificultar o entendimento de que a desigualdade econômica empurra trabalhadores para áreas insalubres e restringe aos ricos os melhores lugares de moradia da cidade.

O caso pernambucano, assim como o carioca e o baiano ocorridos este ano e analisados no jornal Causa do Povo n° 79, revelam como a questão urbana está relacionada com as questões social e ambiental. De tal modo que a chuva têm consequência mortal quando ocorre em cidades economicamente desiguais. Enquanto houver moradia insalubre, haverá aqueles para os quais uma chuva pode ser um evento mortal, não devido ao fenômeno em si, mas devido à maneira que a cidade que recebe a chuva está desigualmente organizada em áreas nobres e áreas de risco.




Fonte: Uniaoanarquista.wordpress.com