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Frio extremo em regiões do Brasil, calor excessivo e incêndios em países do norte. Os efeitos das mudanças climáticas foram manchete dos jornais nos últimos dias, com a divulgação do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU, que concluiu que o aquecimento global avança mais rapidamente do que se imaginava. O alerta dominou as redes sociais, mas sob o discurso de que os eventos climáticos extremos são causados ​​pelo ser humano, esconde-se que os verdadeiros responsáveis ​​são os capitalistas e o sistema que os sustenta, enquanto oprimem bilhões de pessoas e degradam o meio ambiente.

O relatório elaborado pelos cientistas do IPCC se baseia em milhares de artigos científicos produzidos nos últimos anos. Uma das conclusões foi que a queima de combustíveis fósseis e a liberação de gases do efeito estufa estão provocando acidificação e aumento de temperatura nos oceanos, contribuindo para o aumento de ondas de calor, também ocasionado por diversos fatores, além de fortes enchentes e secas mais intensas. Incêndios e tempestades, por exemplo, são eventos cada vez mais constantes.

O modelo de desenvolvimento capitalista explora de forma brutal os corpos humanos, os animais e a Natureza. Nesse sistema, um punhado de pessoas têm dinheiro e poder para colocar os lucros acima das vidas – humanas e não-humanas. Por isso a queima de petróleo, carvão e gás, a destruição das florestas, a contaminação e poluição dos oceanos, a sobrepesca, a indústria agropecuária, entre outras ações, atendem a um modelo de produção e consumo que prioriza a acumulação da riqueza, e mantém a dominação sobre o meio ambiente e as classes oprimidas.

Nos últimos trinta anos, 100 corporações concentraram 70% da emissão dos gases de efeito estufa no mundo. Ao longo das décadas ganharam isenções fiscais e inúmeros outros benefícios, enquanto avançaram na emissão de poluentes, massacrando povos tradicionais e contaminando águas e solos. Essas indústrias bilionárias, além de contribuírem para as mudanças climáticas, deixam outros rastros de destruição. As indústrias do plástico, por exemplo, causam não só problemas de saúde nos países em que atuam, como criam demanda de plástico em países pobres que não possuem serviço de reciclagem, gerando um grave impacto ambiental, oprimindo os/as de baixo e destruindo a Natureza.

Não é por uma questão moral que são descumpridos os grandes acordos climáticos anunciados por Estados e exaltados pela mídia e grandes empresas. É a própria natureza do sistema capitalista que precisa ser questionada, combatida e superada! Aqui no Brasil, o modelo agroexportador de latifúndios, para produção de grãos e criação de gado, concentra a riqueza e violenta os povos originários e tradicionais. Expulsa milhões para os centros urbanos, provocando outros problemas sociais e ambientais, como desemprego, falta de moradias, de saneamento básico… de condições mínimas para uma vida digna. Madeireiros e grileiros, a mando de latifundiários agroexploradores, provocam queimadas que destroem nossos biomas em nome da acumulação, sob vista grossa dos governos.

Nós, militantes da CAB, reforçamos que a única forma de combater a destruição ambiental é impulsionando a luta cotidiana dos povos do campo, da floresta, das águas e da cidade, no enfrentamento à exploração capitalista desenfreada. O Estado-Nação serve para manter os interesses das classes dominantes, por isso somente com um modelo de organização federalista e libertária, defendido historicamente pelo anarquismo, é possível uma gestão ecológica.

São as classes oprimidas organizadas, e não governos e grandes corporações, que podem salvar a Terra e estabelecer um outro modelo de sociedade, fazendo uso do conhecimento científico e popular, que respeite todas as formas de vida e que esteja a serviço da Humanidade e da Natureza, e não de uma minoria. Para isso é preciso construir o Poder Popular, rumo ao Socialismo Libertário!




Fonte: Cabanarquista.org