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​No passado Domingo, 25 de Novembro, dia Internacional pela Eliminação de Todas as formas de Violência contra as Mulheres, tomámos as ruas, para mostrar que as mulheres estão organizadas e não mais tolerarão um acto de violência machista .

18 mulheres vítimas de feminicídio por dia, é a estimativa que aponta a Small Arms Survey. Quase 40% das mortes é perpetrada por um parceiro íntimo (ONU). Em Portugal, a violência doméstica é o crime violento que mais mata. Há países onde a lei não criminaliza práticas misóginas (como uma violação em contexto matrimonial), há países onde a existência da lei não impede práticas misóginas ( como casamento infantil e mutilação genital) e há países onde a própria prática da lei contribui para a misoginia ( não é preciso ir muito longe, basta olhar para a culpabilização pelos acórdãos do Porto das mulheres que sofreram violência física e sexual) . A mulher enfrenta assim um sistema contra ela. A posição de vítima primeira da violência estrutural machista, não apaga no entanto, o papel de agente que à mulher cabe, como sujeito principal da sua libertação. Essa batalha é a batalha de todas nós, pois se a violência machista é sistémica, emanando das instituições e das mentes, só a luta colectiva e combativa das mulheres poderá desafiar as estruturas de poder, perpetuadoras do machismo.

À violência patriarcal, que violenta o corpo da mulher porque ela é mulher, junta-se a violência de um sistema económico que esmaga o corpo de quem o sustenta: a classe trabalhadora. Assim encontramos uma interseção fundamental para compreender porque é que em capitalismo, a desigualdade de género toma formas ainda mais complexas, pois a exploração capitalista serve-se dos instrumentos de dominação e opressão do patriarcado. Lucra com desigualdades salariais, lucra com as indústrias “femininas” que sobrevivem à custa de pesados e prejudiciais padrões de beleza, padrões esses alimentados por outras indústrias igualmente lucrativas, lucra com a própria mercantilização dos nossos corpos femininos, forma última de violência de género.

Acreditamos que é apenas com consciência de classe que a libertação feminina poderá ser conquistada dentro desta simbiose capitalismo-patriarcado: O corpo da mulher nunca será livre de violência machista dentro de uma estrutura inerentemente violenta. Por extensão, a mulher negra, a mulher indígena, a mulher migrante, a mulher LGBT+, está ainda mais vulnerável dentro desta estrutura racista e heteronormativa de poder ,e consequentemente mais exposta à violência sexista.

Na Resistência Estudantil Luta e Liberdade confiamos na organização de base que inclua estas interseções, e militamos pelo protagonismo dessa base na luta contra a eliminação de todas as formas de violência contra a mulher. Como estudantes, reconhecemos a importância de nos organizarmos nos nossos locais de estudo, fazendo frente aos vários ataques do machismo no espaço escolar: desde o assédio sexual, ao policiamento do nosso corpo por parte das instituições ( como se o nosso vestuário fosse responsável pela violência que sofremos), passando pela ausência de creches públicas ( discriminando as mães-estudantes) e pela pedagogia masculinizante, que apaga as mulheres da História.

A luta contra a violência dá-se pela autodeterminação da mulher, que além de combater os mecanismos de poder tem o dever de combater o machismo dentro da classe explorada. A violência doméstica, assim como todas as formas de dominação do corpo, é fruto do que nos põe uns contra os outros, e é portanto alimentada pelos que nos pretendem conquistar. Em resposta, cabe às mulheres do povo destruírem este fator de divisão, aliando-se aos homens trabalhadores que também pretendem destruí-lo. A emancipação da mulher caminha agregada à emancipação de toda a classe trabalhadora. Não nos submetemos, não nos calamos.

Avante à luta da mulher!
O Patriarcado não manda aqui!




Fonte: Rell-estudantil.weebly.com