Junho 23, 2022
Do Colectivo Libertario Evora
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E então aconteceu: de um dia para o outro, o militarismo da NATO e o neo-stalinismo capitalista de Putin fizeram-nos voltar ao pesadelo da Guerra Fria que ingenuamente acreditávamos ter sido ultrapassado.

Mísseis intercontinentais, Terceira Guerra Mundial, Guerra Nuclear, destruição da raça humana…, ouvimos novamente palavras terríveis para nosso espanto enquanto políticos irresponsáveis ​​aplaudiam a escalada da morte ap mesmo tempo que, sem dúvida, verificavam os sistemas de ventilação dos seus bunkers antinucleares.

A NATO nasceu como instrumento do único Estado que usou armas nucleares, o único Estado que em dois crimes contra a humanidade, hediondos e nunca julgados, destruiu duas cidades indefesas com bombas atómicas. O Estado que espalhou o terror durante décadas na América Latina, o Estado que massacrou o Vietname e o Iraque, o Estado que promove ditaduras do Magrebe à Arábia. O Estado cujas companhias petrolíferas nos estão a levar ao desastre com o aquecimento global. Paradoxalmente, a NATO apresenta-se como a solução para os problemas que a sua própria existência cria. Porque sem a NATO a atual guerra na Ucrânia não teria começado. É verdade que o militarismo de Putin representa uma ameaça… mas Putin e a NATO não são coisas diferentes, mas duas faces da mesma moeda. A organização militar já está a esfregar as mãos com a perspetiva de uma guerra longa na Ucrânia que enriquecerá os traficantes de armas enquanto enfraquece a Rússia ao mesmo tempo que o povo ucraniano sofre mortes, exílio e miséria. Se a agressividade da NATO permite que Putin justifique o seu rearmamento e o totalitarismo à custa da vida dos jovens e da insegurança quotidiana na Rússia, não é menos verdade que tudo isso fortaleceu a própria NATO. Enquanto esta organização militar faz a guerra, nós, a classe trabalhadora, fazemos as nossas vidas. E não estamos dispostos (a fazer a guerra).

Como anarco-sindicalistas, mais uma vez, recusamos as vossas guerras e, por isso, apelamos a que toda a CNT e toda a classe trabalhadora se mobilize contra a NATO e contra o apoio do governo espanhol a esta organização que precariza as nossas vidas, ao mesmo tempo que nos converte num alvo bélico nuclear.

Como a NATO não renuncia ao uso de armas nucleares, alertamos para o perigo que isso representa para a paz e segurança mundiais e até para a mera sobrevivência da espécie humana, razão pela qual defendemos a dissolução desta instituição criminosa, bem como o desmantelamento de todo o arsenal atómico.

  • Queremos a redução do orçamento militar até à sua extinção, passando essas rubricas orçamentais a serem destinadas à saúde, educação, assistência social e transição para uma economia sustentável e socialmente descarbonizada.
  • Defendemos o total desmantelamento e reconversão de toda a indústria militar.
  • Exigimos o encerramento das bases militares da NATO e a desnuclearização da Península Ibérica como garantia de segurança face a um conflito entre potências, em que nada temos a ganhar e cujas consequências seriam absolutamente catastróficas.
  • Exigimos o acolhimento de todos os refugiados de onde quer que venham e o fim do apoio a ditaduras como a de Erdogan.

A NATO, à qual pertence o Estado turco, é diretamente responsável pelas violações dos direitos humanos perpetradas pela ditadura de Erdogan no Curdistão.

A partir da CNT exigimos respeito pela liberdade de todos os povos sem usar diferentes medidas de acordo com os interesses dos senhores no poder, pelo que apoiamos o povo ucraniano como fazemos com o povo  curdo, afegão, sírio, saraui, palestiniano ou rifenho ou com as nossas companheiras zapatistas e outros povos da América Latina. Faremos frente a qualquer tentativa do poder para lucrar com o sangue dos nossos companheiros.

Acreditamos que, dado o aumento do custo de vida, o esgotamento dos recursos e a crise climática que já estamos a viver, as prioridades devem ser totalmente opostas ao militarismo e, portanto, à NATO.

Neste capitalismo terminal, as opções são cada vez mais claras: capital ou vida. Diante desse dilema crucial, na CNT lutaremos sempre pela vida.

Por isso convidamos-te a mobilizar-te no dia 26 de junho… e todos os dias pela paz, contra as guerras, contra a NATO, contra o militarismo, pela vida…

NÃO À NATO!!

NÃO ÀS GUERRAS!!

FORA AS BASES MILITARES!!

NÃO AO ORÇAMENTO MILITAR!!

PELA NOSSA VIDA

 Secretariado Permanente do Comité Confederal

CNT – Confederación Nacional del Trabajo – Espanha

aqui: https://www.cnt.es/noticias/sus-guerras-nuestra-muerte-nuestra-miseria/




Fonte: Colectivolibertarioevora.wordpress.com