Junho 12, 2022
Do Passa Palavra
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Por Coletivo Editorial do Boletim Batalhar

O livro é fruto da combinação de uma perseverante atuação política prática, da discussão coletiva e da observação da luta de classes atual, por militantes que ainda acreditam ser possível a transformação radical da sociedade por aqueles que tudo constroem: o proletariado. Essa vivência, discussão e observação alicerçaram as bases para uma pesquisa sobre as origens e trajetória do movimento sindical. Por qual motivo uma instituição criada pelo proletariado não consegue auxiliar no seu processo emancipatório?

Este pequeno livro, que integra a coleção Combate do Coletivo Veredas, é a primeira parte desse estudo, que busca oferecer algumas respostas ao leitor por meio de uma crítica profunda às instituições sindicais. Dito de outro modo: os autores examinam com lupa o DNA dessas instituições e expõem as entranhas daquilo que muitas vezes querem aparentar ser. Ou seja, temos aqui uma obra que explora o aspecto da negatividade da forma das organizações de tipo sindical. O projeto contempla ainda um segundo volume, a ser lançado provavelmente em 2023. Este virá pela positiva, no qual será apresentada uma alternativa organizacional para o proletariado em oposição ao sindicalismo.

A obra tem como objetivo demonstrar a partir de exemplos históricos como os sindicatos não são instrumentos válidos para que os revolucionários os utilizem em sua estratégia de auxiliar o proletariado a se organizar e pensar enquanto classe. Os autores fazem uma trajetória desde o nascimento das sociedades de socorro mútuo até a formação das grandes centrais sindicais, valendo-se de exemplos do Brasil e de outros países.

Fica ainda claramente demonstrado como a prática cotidiana adotada pelos sindicatos afasta o proletariado da luta revolucionária e de que forma essas instituições se transformam em instrumento do capitalismo, assumindo na contemporaneidade uma face empresarial: o capitalismo sindical. É nessa altura que os nossos sindicalistas mudam de classe: passam a contratar e gerir força de trabalho, administrar grandes fundos de dinheiro, a viver e a pensar como empresários. Essa é a sua materialidade — agora eles são gestores —, o proletariado é apenas algo a ser devidamente domesticado.

Por se tratar de uma obra coletiva, o nome do autor foi pensado com o intuito de prestar uma homenagem à corrente histórica do movimento comunista internacional conhecida como Esquerda Germano Holandesa, pois aos seus integrantes são atribuídas as primeiras críticas sobre essa forma de organização do proletariado chamada sindicato, no sentido em que são apresentadas no livro. Destacam-se nessa corrente os nomes de Anton Pannekoek e Karl Korsch. Além disso os autores se valem de estudos já realizados anteriormente por João Bernardo e de conceitos desenvolvidos pela tradição comunista crítica às correntes socialdemocrata, bolchevique e anarcossindicalista.

Entre as ideias centrais da obra, está a de que o capitalismo legalizou os sindicatos colocando-os na estrutura do Estado de modo a usá-los em seu favor na gestão da força de trabalho “recuperando-os”para servir aos seus objetivos. Exemplo claro disso é que os sindicatos reprimem qualquer iniciativa espontânea dos trabalhadores que não esteja prevista nos estatutos, ou seja, que não esteja perfeitamente dentro “da ordem”.

Também é pontuado o fato de que desde a sua formação a prática sindical evitou o confronto, preferindo o uso da negociação/mediação com o patrão na busca de chegar a um consenso — a mediação está na essência da prática sindical.

Ressalta-se ainda que os sindicatos reproduzem exatamente a estrutura social capitalista, reforçando mazelas como a fragmentação e a atomização do proletariado, a ideia de participação por representação, a tomada de decisão verticalizada. Dessa forma, internamente, a estrutura sindical em nada difere de uma empresa capitalista: tem diretoria, hierarquia, regalias e, mais grave, as mesmas práticas de controle do trabalho, policiamento, assédio e repressão que dizem combater.

E como na sociedade de classes os explorados são levados a acreditar que a exploração é uma condição natural, a prática da mediação e do consenso diante de interesses inconciliáveis reforça a passividade na consciência do proletariado, contribuindo para a naturalização das relações sociais de tipo capitalista. Soma-se a isso a constatação de que atualmente os sindicatos sequer conseguem fazer com que a força de trabalho seja vendida pelo mínimo necessário.

Outra questão abordada é a de que nenhuma instituição estatizada irá escapar de ter seu funcionamento regulado pelo Estado e, nesse caso, estar totalmente integrada ao mundo capitalista. Portanto, não basta substituir a diretoria do sindicato, ou aderir a propostas que pregam um sindicalismo “livre”. Resolver a questão sindical passa necessariamente pela destruição dessa instituição tal como a conhecemos.

Exemplos históricos demonstram que o proletariado é plenamente capaz de resolver seus problemas e criar suas próprias instituições, baseadas em princípios de solidariedade e processos de tomada de decisões coletivos não hierarquizados. Basta que tome para si as rédeas da própria existência e assuma com firmeza e determinação sua posição de classe.

O livro está disponível para  download em formato PDF.

Se desejar adquirir uma edição impressa, entre em contato por meio do seguinte endereço de e-mail: [email protected]

GRAF. Henk Van Der, Porque Somos Contra Sindicatos. Maceió: Coletivo Veredas, 2021.

As obras que ilustram o artigo fazem parta da série Juguetes de Joquín Torres García.




Fonte: Passapalavra.info