Novembro 21, 2020
Do O Abutre
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[Este texto surge da troca de opiniões com várias pessoas identificadas com o movimento libertário, sobre o actual estado de emergência e assuntos adjacentes]

Isto é talvez um pessimismo, mas parece-me que a crítica libertária cada vez mais se acomoda nas estantes da história ou reside apenas em mentes utópicas, ausentes  do quotidiano. Vivemos hoje um estado policial assumido – confinamentos, recolher obrigatório, distanciamento social – e salvo raras excepções assistimos a um silêncio generalizado de quem, aparentemente, deveria estar visível na crítica e oposição aos avanços do poder. Será que o confinamento e a narrativa oficial sobre o vírus se tornaram um tabu porque veladamente se confia nas diretivas da Organização Mundial de Saúde e na sua implementação pelos governos? Será que a crítica ao capitalismo ficou de repente muda perante o discurso veiculado pelos média, e se ignora os grupos de influência interessados nesse discurso, como a indústria farmacêutica ou as tecnológicas? Será que perante o medo generalizado se decidiu delegar a gestão do quotidiano a especialistas, burocratas e políticos? O vírus trouxe consigo imensas ironias…

Concordo que estas questões não são de resposta fácil ou imediata. O mundo tornou-se de tal modo complexo e indecifrável que a percepção colectiva depende hoje  de um emaranhado de abstrações multidisciplinares provenientes da contínua racionalização do conhecimento. No entanto, não deixa de ser  possível identificar características comuns aos regimes totalitários:  assentam na imposição de verdades inquestionáveis, através da força e do “fabrico do consentimento”. A dosagem destas estratégias é uma das diferenças entre ditadura e democracia.




Fonte: Oabutre.noblogs.org