Setembro 10, 2021
Do Colectivo Libertario Evora
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Reunião na sede do jornal “A Batalha”, na Rua Angelina Vidal, nº 17, 2º Eº, em Lisboa, no inverno de 1974-1975, reconhecendo-se Adriano Botelho e Aurélio Quintanilha. (Arquivo Histórico-Social)

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Há dias M. Ricardo Sousa escrevia na Rede Libertária (uma rede de contactos que liga diversos acratas, de tendências diversas), que “já há algum tempo chamo a atenção para um combate oculto que se vem travando em torno da história do movimento operário e social, o caso da história de Peniche é sintomático, em que historiadores comunistas, ex-comunistas e até alguns hoje liberais tentam fazer desaparecer o anarquismo e o anarco-sindicalismo da história contemporânea portuguesa.

Recentemente verifiquei que na página: https://www.facebook.com/FascismoNuncaMais/posts/1321949087914467, na maioria dos casos a condição de anarquista desaparece nas biografias dos militantes libertários que passam a ser apresentados como «trabalhadores» e «anti-fascistas», quando os comunistas são identificados como tais…

Penso que deveríamos denunciar tal situação e forçar as correcções de tais biografias. Trata-se, antes de tudo, de impedir o revisionismo histórico desta esquerda autoritária que mesmo quando não dispõe do poder do Estado tenta impor uma leitura unilateral e manipulada da história social.”

Partilhamos esta opinião e criticamos o facto de quem produz essas páginas – por desconhecimento, ignorância ou má fé – fazer classificações estapafúrdias – ou claras omissões – quando se trata de militantes anarquistas ou anarco-sindicalistas. Em contraponto, quando são do PCP, mesmo sem cargos de relevância, são apresentados de forma real e condigna.

Só para dar alguns exemplos, numa biografia de Emidio Santana, este é apresentado como “Cidadão fundador e militante do anarco-sindicalismo”. Sabe-se lá, fundador do quê…., e no esboço biográfico de Aurélio Quintanilha nem uma referência existe à sua militância e colaboração com o movimento libertário.  São apenas dois exemplos, mas que se repetem de forma sucessiva.

Que o anarquismo sofreu uma forte perda de influência a partir do momento em que se constituiu a URSS, apoiando tudo o que era movimento comunista no mundo, e os anarquistas perderam um dos seus baluartes, com a derrota da guerra e da revolução em Espanha, ninguém nega. Mas que durante décadas houve dezenas e centenas de anarquistas que se organizaram, militaram e lutaram contra a ditadura também é uma verdade que ninguém pode negar. Mas há quem o queira fazer, apoiado numa falsa história, a que há que pôr cobro de uma vez por todas.




Fonte: Colectivolibertarioevora.wordpress.com