Junho 2, 2021
Do Facção Fictícia
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 Segunda parte de uma série de entrevistas com individualidades, coletivos e organizações anárquicas de diferentes regiões do território dominado pelo estado colombiano.

Dessa vez com a Unión Libertaria Estudiantil y del Trabajo.

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-As notícias que nos chegam aqui indicam que a insurreição que tomou as ruas se iniciou com uma luta contra a reforma tributária que o governo de Ivan Duque tentou implementar. Todavia, consideramos interessante levar em conta o contexto das lutas recentes nos territórios em que as insurreições acontecem, principalmente porque há menos de 2 anos as cidades colombianas já haviam sido local de manifestações multitudinárias e intensas. Sendo assim, gostaríamos que vocês comentassem um pouco sobre o processo de lutas que está ocorrendo no momento no território dominado pelo Estado colombiano e qual a relação com as lutas que antecederam esse momento.

As lutas de cada território estão sujeitas ao contexto, aos costumes e às necessidades de cada lugar, já que isso influência no pensamento e na posição política de cada habitante. O entorno de rebeldia que estamos vivendo desde 28 de abril deste ano se dá pela acumulação de exigências e demandas que foram feitas nos anos anteriores em cada uma das regiões. As demandas dos trabalhadores, estudantes, camponeses, indígenas, mulheres e dissidências sexuais seguem sendo as mesmas que há 20 anos. As pessoas viram ser traída a sua confiança não apenas no governo de Ivan Duque, esse é um problema de tempos atrás, com a diferença de que no período do atual presidente a violência estatal aumentou, a precarização do trabalho está mais vigente que nunca.

A confiança traída pela burocracia sindical nas manifestações anteriores tem sido o detonador para que a população colombiana inicie sua organização mediante assembleias, que apensar de não serem reconhecidas como um instrumento legítimo dentro da estrutura política do país, é sim um instrumento no qual o povo se sente representado.

-O território conhecido como América do Sul possui um histórico bastante intenso de revoltas. Na última década, foram várias… podemos lembrar, por exemplo, da insurreição que tomou as ruas das cidades brasileiras em junho de 2013 ou do _estallido social _ que se evidenciou no território chileno em outubro de 2019. Apesar de suas diferenças entre as forças envolvidas e dos efeitos produzidos, em geral diziam respeito a uma luta contra o aumento no custo de vida, o que significa diretamente uma luta pela vida e contra a miséria produzida pelo capitalismo e pelo Estado. E nos parece que a revolta que está ocorrendo no momento no território colombiano tem algumas características em comum. Como vocês analisam essa relação?

Os povos do mundo inteiro têm uma luta em comum, cujo horizonte é a liberdade e a dignidade. No caso da América do Sul temos em comum, além dos aspectos já mencionados, a invasão europeia disfarçada de descobrimento, que levou ao quase extermínio total das populações indígenas que habitavam esta parte do mundo. O ar de luta que se respira no sul do continente é parte de um exercício de memória das novas gerações e a luta contra o silêncio que no qual os mais velhos tiveram que padecer. A luta é pela liberação do continente invadido por europeus e pelas políticas inumadas do Estado norte-americano.

Por outro lado, as redes sociais têm nos permitido conhecer táticas de luta e organização utilizadas em outros países, o que levou à criação das chamadas primeiras, segundas, terceiras e quartas linhas de defesa e luta durante as manifestações.

-A pandemia do Covid-19 tem afetado sobretudo as classes populares tanto em relação a morte por contágio quanto pelo aumento da miséria e piora nas condições de vida. Ao mesmo tempo, em algumas regiões a pandemia e o risco de infecção tem esvaziado as ruas e, de certo modo, funcionado como uma barreira para as mobilizações de rua multitudinárias. Como vocês analisam essa relação, já que a reforma tributária de Duque, por exemplo, afetaria diretamente o sistema de saúde colombiano?

Embora seja verdade que Covid-19 é um vírus que se tornou uma pandemia, não devemos desconhecer o uso que o Estado tem dado a ele como mecanismo de controle da população. Devo esclarecer que o sistema de saúde colombiano sempre foi uma miséria, os trabalhadores da saúde não tem condições laborais dignas. Somado a isso, monopólios burgueses fizeram da saúde do povo colombiano um negócio, portanto as classes populares tiveram de escolher entre a morte por Covid ou a morte por fome, sendo obrigadas a sair para trabalhar de maneira informal e expor suas vidas.

Quero informar com grande alegria que a reforma de saúde que o governo pretendia implantar foi derrubada graças às manifestações que, em muitos casos, as pessoas deram suas vidas nas ruas.

-Nos chegam vários vídeos e imagens do terrorismo de Estado com assassinatos, torturas e outras formas de agressão por parte da polícia colombiana. Sabemos que isso não é um fato isolado, pois esta é uma ação regular de todos os Estados, sobretudo quando uma mobilização ataca a ordem e a paz dos ricos. Como se estrutura a policia colombiana e como tem sido o histórico de repressão policial às manifestações?

A polícia colombiana está configurada de maneira hierárquica. No escalão mais alto se encontram os oficiais, seguido de suboficiais e por último ficam os agentes e soldados de patrulha dessa instituição. O corpo armado segue as indicações do Ministério da Defesa.

As manifestações são reprimidas principalmente por um setor da polícia chamado ESMAD (Escuadrón Móvil Anti Disturbios), armado com trajes blindados, escudos, capacetes e armas letais. Apesar de o Ministério da Defesa afirmar que a polícia atua sob todos os protocolos estabelecidos, nas manifestações temos companheiras e companheiros assassinados por esse esquadrão, com ações que vão desde armas de fogo até morte por espancamento. O ESMAD foi implementado na prefeitura de Andrés Pastrana em Bogotá como uma medida temporária, isso já faz 22 anos. Ao que parece, não foi nada temporário.

A maior parte da repressão foi vivida pelo movimento estudantil, desde aproximadamente os anos 60 do século passado se registram mortes em manifestações. Cabe ressaltar que os policiais contam com grande impunidade e encobrimento do Estado.

-Existe algum debate sobre a autodefesa nas ruas? Existe algum debate dos movimentos e coletivos em relação a abolição da policia, por exemplo?

O debate geralmente se dá entre a autodefesa popular e as classes altas que sempre vem com maus olhos quando o silêncio da miséria é interrompido nas ruas. Nos bairros populares sempre se sofreu o abuso policial, portanto a defesa dos manifestantes frente aos corpos policiais sempre é justificada e aprovada pelos manifestantes, ainda que as vezes haja certas discordâncias. A ação direta das pessoas se dá como resposta à repressão policial.

A reforma policial sempre é um perigo nas petições das assembleias, até agora temos 52 pessoas mortas nas ruas, esperamos desta vez conseguir se não a abolição desse corpo de assassinos, ao menos levar a cabo uma reforma. Devemos isso às pessoas que já não estão mais entre nós.

-Por fim, nos interessa muito as diferentes expressões do anarquismo na região conhecida como América do Sul. Portanto, gostaríamos que vocês falassem um pouco sobre as forças envolvidas nas lutas anárquicas da região colombiana.

A anarquia na Colômbia tem uma grande história, mas foi apagada pelas versões oficiais, incluindo a do Partido Comunista. A Greve das Bananeiras, Ferroviários e o Grêmio Petroleiro do século passado foi movida por anarquistas. O pensamento libertário é muito comum entre a juventude colombiana, ainda que se deva reconhecer que existem algumas carências de organização. Isso tem mudado nas manifestações atuais, o povo responde com uma estrutura horizontal, dada de maneira espontânea e instintiva.

Enquanto ULET, estamos influenciados sobretudo pelo anarcossindicalismo de origem espanhola, mas não desconhecemos que estamos em um contexto totalmente diferente e que nossa prática deve estar de acordo com o território em que vivemos e lutamos.

Não é equivocado dizer que as manifestações que se vivem na atualidade aqui na Colômbia sejam de caráter anarquista, mesmo que não recebam tal etiqueta. O clamor popular se acumula por meio de assembleias e horizontalidade nos diferentes espaços.

Abajo, la versión original de la entrevisa en español.

-Las noticias que nos llegan indican que la insurrección que tomó las calles comenzó con una lucha contra la reforma tributaria que el gobierno de Iván Duque intentó aplicar . Sin embargo, nos parece interesante tener en cuenta el contexto de las recientes luchas en los territorios donde se producen las insurrecciones, sobre todo porque hace menos de dos años las ciudades colombianas ya habían sido escenario de masivas e intensas manifestaciones. Por lo tanto, nos gustaría que comentaras un poco sobre el proceso de luchas que se está dando actualmente en el territorio dominado por el Estado colombiano y cuál es la relación con las luchas que precedieron a este momento.

Las luchas de cada territorio están sujetas al contexto, costumbres y necesidades de cada lugar, ya que esto influye en el pensamiento y posición política de cada habitante. El entorno de rebeldía que estamos viviendo desde el 28 de abril del presente año se da por la acumulación de exigencias y peticiones que se habían dado en años anteriores en cada una de las regiones. Las demandas de los obreros, estudiantes, campesinos, indígenas, mujeres y disidencias sexuales siguen siendo las mismas que hace mas de 20 años. Las personas han visto traicionada su confianza no solo en el gobierno de Ivan Duque, este es un problemas de tiempo atrás, con la diferencia en que en el periodo del actual presidente la violencia Estatal ha crecido, la precarización laboral esta más vigente que nunca.

La confianza traicionada por la burocracia estatal en anteriores protestas ha sido el detonante para que la población colombiana inicie su organización mediante asambleas, que si bien no son reconocidas como un instrumento legitimo dentro de la estructura política que tiene el país si es una instrumento en el que el pueblo se siente representado.

-El territorio conocido como Sudamérica tiene una historia muy intensa de revueltas. En la última década ha habido varias… podemos recordar, por ejemplo, la insurrección que tomó las calles de las ciudades brasileñas en junio de 2013 o el llamado estallido social que se hizo evidente en territorio chileno en octubre de 2019. A pesar de sus diferencias entre las fuerzas implicadas y los efectos producidos, en general se trataba de una lucha contra el aumento del coste de la vida, lo que significa directamente una lucha por la vida y contra la miseria producida por el capitalismo y el Estado. Y nos parece que la revuelta que se está ocurriendo actualmente en territorio colombiano tiene algunas características en común. ¿Cómo analizan esta relación?

Los pueblos del mundo entero tienen una lucha en común, cuyo horizonte es la libertad y la dignidad. En el caso de Sudamérica tenemos en común además de los dos aspectos anteriormente mencionados, la invasión europea disfrazada de descubrimiento que lleva a casi el total exterminio de las poblaciones indígenas que habitante para aquella época esta parte del mundo. El aire de lucha que se respira en el sur del continente es parte de un ejercicio de memoria de las nuevas generaciones y la lucha contra el silencia que tuvieron que padecer los mayores. La lucha es por la liberación del continente invadido por europeos y víctima de políticas inhumanas del Estado Norteamericana.

Por otro lado, las redes sociales nos han permitido conocer tácticas de luchas y organización empleadas en otros países, lo que ha llevado a la creación de las primeras, segunda, tercera y cuarta línea de defensa y luchas durante las manifestaciones.

-La pandemia de Covid-19 ha afectado, sobre todo, a las clases populares tanto por el número de muertes como por el aumento de la miseria y el empeoramiento de las condiciones de vida. Al mismo tiempo, el riesgo de infección ha vaciado las calles en algunas regiones y ha actuado como una barrera para las grandes movilizaciones callejeras. ¿Cómo analiza esta relación, ya que una de las reformas que Duque pretende implementar afectaría directamente al sistema de salud colombiano?

Si bien es cierto que el COVID-19 es un virus hecho pandemia, no debemos desconocer el uso que el Estado ha dado a este como mecanismo de control de la población. Debo aclarar que el sistema de salud colombiano siempre ha sido una miseria, el personal medico no tiene condiciones laborales dignas. Adicional a esto, monopolios burgueses han hecho de la salud del pueblo colombiano un negocio, por lo anterior las clases populares han tenido que escoger entre la muerte por covid o la muerte por hambre, viéndose obligados a salir a trabajar de manera informal exponiendo sus vidas.

Quiero informarles con gran alegría que la reforma a la salud que pretendía implantar el gobierno ha sido tumbada gracias a las manifestaciones, que en muchos casos han puesto su vida en las calles.

-Hemos recibido varios videos e imágenes de terrorismo de Estado con asesinatos, torturas y otras formas de agresión por parte de la policía colombiana. Sabemos que no se trata de un hecho aislado, ya que es una acción habitual de todos los Estados, especialmente cuando una movilización ataca el orden y la paz de los ricos. ¿Cómo está estructurada la policía colombiana y cuál ha sido la historia de la represión policial contra las manifestaciones?

La policía colombiana, esta conformada de manera jerárquica en el escalón mas alto se encuentran oficiales, seguido de suboficiales y por último quedan los agentes y patrulleros de dicha institución. Este cuerpo armada sigue las indicaciones del ministerio de defensa.

Las manifestaciones se ven reprimidas principalmente por una dependencia de la policía llamada ESMAD (Escuadrón móvil Anti Disturbios), armados con trajes blindados, escudos, cascos y armas letales. Aunque según el Ministerio de Defensa el cuerpo policial actúa bajo todos los protocolos establecidos, en las manifestaciones tenemos compañeros y compañeras asesinados por este escuadrón con acciones que van desde arma de fuego hasta muerte a golpes por parte de los uniformados. El ESMAD fue implementado en la Alcaldía de Andrés Pastrana en Bogotá como una medida temporal, esto hace 22 años. Al parecer no fue temporal.

La mayor parte de la represión la ha vivido el movimiento estudiantil, desde aproximadamente los años 60 del siglo pasado se registran muertes en manifestaciones. Cabe aclarar que la policías cuenta con gran impunidad y encubrimiento del Estado.

-¿Hay algún debate sobre la autodefensa en las calles? ¿Hay algún debate por parte de los movimientos y colectivos sobre la abolición de la policía, por ejemplo?

El debate generalmente se da entre la autodefensa popular y las clases altas que siempre ven con malos ojos cuando el silencio de la miseria se interrumpe en las calles. En los barrios popular siempre se ha sufrido el abuso policial por lo tanto la defensa de los manifestantes frente a los cuerpos policiales siempre es justificado y aprobada por los manifestantes, aunque a veces se dan discrepancias. La acción directa de los manifestantes se da como respuesta a la represión policial.

La reforma policial siempre es un pliego en las peticiones de las asambleas, a la fecha llevamos 52 muertos en las calles, esperamos esta vez lograr si no la abolición de este cuerpo de asesinos si llevar a cabo una reforma. Se lo debemos a los que ya no están.

-Por último, nos interesan mucho las diferentes expresiones del anarquismo en la región conocida como Sudamérica. Así que nos gustaría que hablaras un poco sobre las fuerzas involucradas en las luchas anárquicas en la región colombiana.

La anarquía en Colombia tiene gran historia, pero ha sido borrada por las versiones oficiales e incluso del Partido Comunista. La huelga de las bananeras, ferroviarios y gremio petrolero del siglo pasado fue movida por anarquistas. El pensamiento libertario es muy común en la juventud colombiana, aunque se debe reconocer que se ha caracterizado por la carencia de organización. Esto ha cambiado en las actuales manifestaciones el pueblo responde a una estructura horizontal, dada de manera espontánea e instintiva.

En cuanto a la ULET, estamos influenciados principalmente por el Anarcosindicalismo de origen español, pero no desconocemos que estamos en un contexto totalmente diferente y que nuestra practica debe ser acorde en el territorio en el que vivimos y luchamos.
No es desacertado decir que las manifestaciones que se viven en la actualidad en Colombia son de carácter anarquista, aunque no reciban dicha etiqueta. El clamor popular se recoge mediante asambleas y horizontalidad en los diferentes espacios.




Fonte: Faccaoficticia.noblogs.org