Outubro 8, 2021
Do Reporter Popular
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No dia 06 de março deste ano, cerca de 250 famílias que perderam o sustento durante a pandemia se organizaram e ocuparam uma área na Vila São Francisco, em Mogi das Cruzes (SP), em busca de moradia. Agora, elas são ameaçadas de despejo em uma ação judicial movida pela prefeitura.

Segundo os vizinhos, o terreno ocupado estava abandonado pela empresa Trefilação e Tubos há mais de 35 anos, tornando o local perigoso, com mato alto e falta de iluminação, propiciando até casos de estupro.

Desde a ocupação as famílias seguem batalhando para construir um local onde abriguem suas famílias com diversos materiais, como madeiras, lonas, telhas e demais recursos de baixo custo. As lutas são diárias para organizar as necessidades que aparecem. Para as crianças que não estavam acompanhando as aulas remotas, por falta de conectividade, foi improvisada uma sala para aulas de reforço.

Neste dia 06 de outubro foi celebrado o Dia Mundial da Habitação, e a ocupação completou sete meses. Segundo a Fundação João Pinheiro (FJP), o déficit habitacional em 2021 chega a 5,877 milhões de moradias no País. Na cidade de Mogi das Cruzes não é diferente.

Além de lidar com as dificuldades da própria ocupação, as famílias são alvo de diversos ataques das imprensa convencional, tratadas como marginais, têm a luta desqualificada e criminalizada com acusações que não refletem a realidade.

As famílias que ocupam hoje esse espaço são famílias com crianças, idosos, trabalhadoras e trabalhadores muitas delas ex-moradores de Jundiapeba, Lair, ou Vila Estação (Gika) que não conseguiram mais pagar seus alugueis e foram despejados ou mesmo do centro de acolhimento, o SAE, que fica próximo ao parque Leon Feffer. Viram na ocupação a oportunidade de retomaram suas vidas após um longo período em situação de rua.

Nessa última semana estão sendo ameaçados de despejo mediante ação judicial que foi acionada pela prefeitura de Mogi das Cruzes. Antes mesmo da conclusão da ação judicial, a prefeitura através de seus agentes faz abordagens alarmantes aos ocupantes, os pressionando e constrangendo.

A solicitação que vem sendo feita desde o principio é que houvesse um diálogo entre os ocupantes e a prefeitura. Porém o prefeito, que se elegeu com o lema do “diálogo”, recusa-se a receber a representação escolhidas pelas famílias.




Fonte: Reporterpopular.com.br