Maio 27, 2021
Do Colectivo Libertario Evora
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Morreu Bayram Mammadov, anarquista do Azerbeijão. Lamentamos a sua morte: um ser humano não pode ser substituído por nenhum outro. As circunstâncias suspeitas da sua morte fazem-nos recordar de novos as práticas desumanas da violência estatal. O nosso companheiro foi encontrado morto no mar em Istambul (Turquia) em princípios de Maio. A policia turca e os meios de comunicação do Azerbeijão falam de suicídio ou de acidente. Os acativistas da oposição, contudo, põem em causa esta versão. Amigos e familiares exigem que sejam explicadas as circunstâncias da sua morte.

Bayram foir perseguido durante anos enquanto anarquista e conhecido crítico do presidente autocrático Ilham Aliyev no Aerbeijão. Quando era um jovem activista, em 2016, foi condenado a mais de 10 anos de prisão, conjuntamente com Giyas Ibrahimov por fazer pichagens na estátua do ex- presidente do Azerbeijão (e pai do actual). Acusados e condenados, foram severamente torturados em várias ocasiões e foi-lhes encontrada droga (colocada pela polícia)pelo que foram condenados a uma pena pesada pela posse de drogas. Depois de uma onda de solidariedade a nível europeu Bayram e Giyas foram finalmente indultados por um decreto presidencial em 2019. No principio de 2020, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos determinou que o julgamento e a condenação dos dois activistas tinha uma motivação política e, por isso, eram ilegais.

Bayram e Giyas viviam na Turquia desde 2019. Giyas foi deportado para o Azerbeijão duas semanas antes da morte de Bayram, sem que tivesse sido dada qualquer explicação. Giyas foi um dos muitos activistas e figuras da oposição que pediram asilo á Turquia por serem alvo de perseguição no Azerbeijão e cujo caso foi recusado devido às relações amigáveis entre o Azerbeijão e a Turquia. Os regimes autoritários apoiam-se sempre mutuamente e sempre coperarão na perseguição a activistas e opositores políticos. Até onde chegou a acção conjunta dos dois países contra Bayram? Quando entrou no país algumas semanas antes da sua morte, Bayram foi interrogado durante horas pelas autoridades turcas. Não é o/a primeiro/a critico/a do regime de Baku que morre no estrangeiro em circunstâncias suspeitas

Se Bayram não foi assassinado pelo Estado, existe ainda a possibilidade da sua morte ter sido causada por acidente e pela falta de assistência por parte das autoridades que estavam presentes durante o seu afogamento, ou por suicídio. Este último é também uma consequência angustiante e duradoura da violência estatal: o suicídio como uma decisão contra a vida que se tornou insuportável devido á perseguição, à prisão e à tortura.

Não esqueceremos Bayram. Não esqueceremos o que aconteceu. Recordaremos como sempre fizemos desde que começámos a lutar. Uma, duas, mil vezes. Então como agora. A nossa memória colectiva perdurará mais do que o seu poder e a sua historiografia distorcida. Solidarizámo-nos com ele em 2016 e fazemo-lo agora. As nossas condolências aos amigos e familiares de Bayram. Como Bayram continuaremos a lutar pelos nossos sonhos e por um mundo melhor.

Pelos/as perseguidos/as, pelos/as mortos/as!

Hoje como no passado.

A nossa solidariedade contra a opressão!

Por Bayram!

(aqui: https://fda-ifa.org/in-erinnerung-an-bayram/)

*

(versão em castelhano)

¡En memoria de Bayram!

Bayram Mammadov, anarquista de Azerbaiyán, ha muerto. Lamentamos su pérdida: un ser humano no puede ser sustituido por nadie. Las sospechosas circunstancias de su muerte nos recuerdan de nuevo los efectos inhumanos de la violencia estatal. Nuestro compañero fue recuperado muerto en el mar en Estambul a principios de mayo. La policía turca y los medios de comunicación azerbaiyanos hablan de suicidio o de accidente. Los activistas de la oposición, sin embargo, lo discuten. Amigos y familiares exigen una explicación de las circunstancias de su muerte.

Bayram ha sido perseguido durante años como anarquista y conocido crítico del presidente autocrático Ilham Aliyev en Azerbaiyán. Fue condenado a más de 10 años de prisión en 2016, cuando era un joven activista, junto a Giyas Ibrahimov por realizar pintadas en la estatua del ex presidente azerbaiyano (y padre del actual). Los acusados y condenados fueron severamente torturados en varias ocasiones y se les puso droga para que fueran condenados a una larga pena de prisión por posesión de drogas. Tras una ola de solidaridad a nivel europeo, Bayram y Giyas fueron finalmente indultados por un decreto presidencial en 2019. A principios de 2020, el Tribunal Europeo de Derechos Humanos dictaminó que el enjuiciamiento y la condena de los dos activistas tenían una motivación política y, por tanto, eran ilegales.

Bayram y Giyas vivían en Turquía desde 2019. Giyas fue deportado a Azerbaiyán dos semanas antes de la muerte de Bayram, sin que se diera ninguna razón. Esto convierte a Giyas en uno de los muchos activistas y figuras de la oposición que pidieron asilo en Turquía por la persecución en Azerbaiyán y cuyo caso fue aplastado por las relaciones amistosas entre Azerbaiyán y Turquía. Los regímenes autoritarios siempre se apoyarán mutuamente; siempre cooperarán en la persecución de activistas y opositores políticos. ¿Hasta dónde llegó la acción conjunta contra Bayram en los dos países? Cuando entró en el país hace unas semanas, Bayram fue interrogado durante horas por las autoridades turcas. No es el/la primer/a crítico/a del régimen de Bakú que muere en el extranjero en circunstancias sospechosas.

Si no hubo un asesinato de Bayram motivado por el Estado, quedan como posibles causas el accidente y la falta de asistencia por parte de las autoridades que estaban presentes durante el ahogamiento o el suicidio. Este último es también una consecuencia profundamente angustiosa y duradera de la violencia estatal: el suicidio como una decisión contra la vida que se hizo insoportable debido a la persecución, el encarcelamiento y la tortura.

No olvidaremos a Bayram. No olvidaremos lo ocurrido. Recordaremos como lo hemos hecho desde que empezamos a luchar y ser derrotados/as. Una, dos, mil veces. Entonces como ahora. Nuestra memoria colectiva durará más que su dominio y su historiografía distorsionada. Nos solidarizamos en 2016 y lo hacemos hoy. Nuestras condolencias a los/as amigos/as y familiares de Bayram. Como Bayram, seguimos luchando por nuestros sueños y por un mundo mejor.

¡Por los/as perseguidos/as, por los/as muertos/as!

Hoy como en el pasado.

¡Nuestra solidaridad contra su opresión!

¡Por Bayram!

*

(versão em inglês)

In memory of Bayram!

Bayram Mammadov, an anarchist from Azerbaijan, is dead. We mourn his loss, a human being cannot be replaced by anyone. The suspicious circumstances of his death bring home to us again the inhuman effects of state violence. Our comrade and companion was recovered dead from the sea in Istanbul in early May. The Turkish police and Azerbaijani media write of suicide or an accident. Opposition activists, however, dispute this. Friends and family are demanding an explanation of the circumstances of his death.

Bayram has been persecuted for years as an anarchist and well-known critic of the autocratic president Ilham Aliyev in Azerbaijan. He was sentenced to over 10 years in prison in 2016 as a young activist along with Giyas Ibrahimov for graffiti on the statue of the former Azerbaijani president (and father of the current one). The accused and convicted were severely tortured several times and drugs were planted on them so that they could be sentenced to a long prison term for drug possession. After a European-wide wave of solidarity, Bayram and Giyas were finally pardoned in a presidential decree in 2019. In early 2020, the European Court of Human Rights ruled that the prosecution and conviction of the two activists was politically motivated and therefore unlawful.

Bayram and Giyas had been living in Turkey since 2019. Giyas was deported to Azerbaijan two weeks before Bayram’s death, with no reason given. This makes Giyas one of many activists and opposition figures who sought asylum in Turkey for persecution in Azerbaijan and whose case was steamrolled by the friendly relations between Azerbaijan and Turkey. Authoritarian regimes will always support each other. They will always cooperate in the persecution of political activists and opponents. How far did the joint action against Bayram go in the two countries? When he entered the country a few weeks ago, Bayram was interrogated for hours by the Turkish authorities. He is not the first critic of the regime in Baku to have died abroad under suspicious circumstances.

If there was no state-motivated murder of Bayram, accident and failure by the authorities who were present to render assistance during the drowning or suicide remain as possible causes. The latter is also a deeply distressing and enduring consequence of state violence: suicide as a decision against life that became unbearable due to persecution, imprisonment and torture.

We will not forget Bayram. We will not forget what happened. We will remember as we have done since we started to fight and be defeated. Once, twice, a thousand times. Then as now. Our collective memory will last longer than their dominance and their distorting historiography. We showed solidarity in 2016 and we do so today. Our sympathies go out to the friends and family of Bayram. Like Bayram, we continue to fight for our dreams and for a better world.

For the persecuted, for the dead!

Today as in the past.

Our solidarity against their oppression!

For Bayram!




Fonte: Colectivolibertarioevora.wordpress.com