Fevereiro 23, 2021
Do Reporter Popular
287 visualizações


Foto de capa: Lucas Leffa/Sul21

Enquanto o sistema de saúde se aproxima do colapso em Porto Alegre, que está com quase 100% de taxa de ocupação dos leitos de UTI, os trabalhadores do Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul (PACS) reclamam de péssimas condições de trabalho. Mais conhecido como Postão da Cruzeiro, a unidade é um dos postos de saúde mais movimentados da capital, com grande importância estratégica para o combate à pandemia. Na última segunda-feira (22) foi realizado um protesto reivindicando pautas que visem a melhora nas condições de trabalho e nas próprias condições de infraestrutura do Postão.

Os profissionais denunciam falta de testagem para Covid-19, pois têm enfrentado um surto da doença no local, por onde passam muitos pacientes infectados, o que tem contagiado muitos trabalhadores, colocando suas vidas em risco e os afastando do trabalho. Os trabalhadores alertam que essa falta de condições de trabalho afeta não só eles, mas a população usuária do sistema  de saúde, que sofre com a falta de infraestrutura também. A fila de espera para testagens só aumenta e o número de pacientes na fila para internação só cresce, os 4 leitos destinados para Covid-19 estão atendendo 14 pacientes que necessitam de internação. Há relatos de uma grande fila de espera, com muitas pessoas tossindo enquanto aguardam para ser atendidas.

A Tenda Covid, que foi montada ano passado para realizar testagem da população, está funcionando com número defasado de profissionais por conta da demissão de servidores e falta de repasse de verbas para os profissionais que estão sendo terceirizados depois da demissão dos servidores. E os usuários do sistema às vezes aguardam cerca de 12 horas para realizar o teste. Os servidores municipais relataram que os trabalhadores terceirizados contratados recentemente para atuar na tenda não estão familiarizados com a rotina de trabalho, muitas vezes faltam por conta da falta de repasse de verba, e também não há fiscalização efetiva do quadro de terceirizados. Os profissionais de saúde do PACS já reivindicaram para o secretário de saúde do município a absorção dos servidores do IMESF pelo Postão, pois estes servidores já conhecem o trabalho e já têm uma certa experiência em lidar com a população local usuária do posto, coisa que os terceirizados ainda não desenvolveram. A reivindicação não foi atendida.

Há uma grande demanda de usuários com sintomas de Covid-19 e poucos profissionais para atender. Falta servidores e o direito à saúde dos usuários é vilipendiado, desprezado de forma criminosa pelo município. Tudo isso reflete em um clima tenso, em que os usuários do sistema se voltam contra as pessoas erradas e direcionam sua indignação aos profissionais de saúde, que já estão enfrentando péssimas condições de trabalho e um ambiente de extremo estresse e desgaste psicológico. No começo da tarde de hoje houve um princípio de confusão no Postão, usuários reagiram à longa espera pelo teste, e seguranças patrimoniais do posto tiveram de retirar os mais exaltados.

Confira abaixo um registro do momento da confusão:

Os profissionais da saúde pública, que estão há quase um ano na linha de frente no combate à pandemia, continuam tendo seus direitos atacados pelo poder público municipal, que trocou de prefeito, mas segue atacando o funcionalismo público neste momento tão delicado, fazendo pouco caso com a saúde do povo, negligenciando a bandeira preta por meio de decreto da Lei Orgânica do Município, fazendo com que entre em vigor as medidas adotadas da bandeira vermelha, que são mais brandas. A falta de compromisso da prefeitura não é apenas com os profissionais de saúde, mas com a saúde pública, com a vida da população, pois um gestor que trata desta forma os  profissionais da linha de frente e a população enquanto leva em frente projetos de lei de destruição do funcionalismo público, propostos por seu antecessor, não é um gestor da vida, é um gestor da morte.




Fonte: Reporterpopular.com.br