Julho 19, 2021
Do Agencia De Noticias Anarquistas
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Por Eduardo Pérez | 22/06/2021

Com 60 anos, o grande revolucionário se sentia “muito velho, muito doente, muito cansado, e há de se dizer, muito decepcionado”. Bakunin admitia sua derrota: “O mal triunfou e não posso impedi-lo”.

“A revolução ficou de cama”

Em fevereiro de 1875, Mikhail Bakunin, o impenitente revolucionário russo, estava triste. Assim o fazia saber em uma carta a seu companheiro francês Eliseé Reclús, igualmente exilado na Suíça.

“A evolução que está se produzindo hoje é muito perigosa, senão para a humanidade inteira, ao menos para algumas ações”, assinalava na correspondência, em que o famoso anarquista realizava um breve esboço da situação no mundo ocidental: o Império alemão, gerido por Bismarck, “à cabeça de um grande povo lacaio”, a igreja católica com “os olhos e as mãos por todas as partes” e, na França, os verdugos da Comuna de Paris, “se dedicando a martelar as correntes de um grande povo caído”, sem que Bakunin visse motivos para o otimismo no resto do planeta.

O russo nasceu em uma família acomodada, mas renunciou a tudo para avivar as chamas da revolta que tinha percorrido a Europa desde 1830 a 1870. Com escassos meios econômicos, preso e deportado por diversos governos, Bakunin esteve presente desde o levantamento de Dresden de 1848 até o de Bolonha de 1874. Tinha sido um fantasma que circulava pela Europa continental para o pesadelo dos governantes e que, quando não podia se situar no epicentro da agitação, influenciava na militância antiautoritária do país onde estivesse.

Porém, já com 60 anos, o grande revolucionário se sentia “muito velho, muito doente, muito cansado e, há de se dizer, muito decepcionado”. Bakunin admitia sua derrota: “O mal triunfou e não posso impedi-lo”.

Para ele, o problema não vinha apenas “dos espantosos desastres de que somos testemunhas e das terríveis derrotas das que temos sido vítimas mais ou menos culpadas”, em referência às recentes derrotas operárias e repressões conseguintes, “mas porque, para meu grande desespero, constatei e constato a cada dia, que o pensamento, a esperança e a paixão revolucionária não se encontram nas massas, e quando isso ocorre, por muito que se combata, não se fará nada de nada”.

Bakunin seguia tendo nítida qual era a solução, mas o desengano com as massas o fazia duvidas das possibilidades. Como explicava a Reclus: “É evidente que não poderemos sair desse buraco sem uma imensa revolução social. Mas, como se fará esta revolução? Nunca a reação europeia esteve tão bem armada contra todo movimento popular. Fez da repressão uma nova ciência que é sistematicamente ensinada nas escolas militares aos tenentes de todos os países. E, com que contamos para atacar essa fortaleza inconquistável? As massas desorganizadas. Mas, como organizá-las se não têm sequer o apaixonamento suficiente por sua própria salvação, se não sabem nem o que devem querer e se não querem o único que pode salvá-las”.

Visto em retrospectiva, se pode dizer que o legendário revolucionário tinha razão. A ordem imposta se manteria sem problemas durante várias décadas. Bakunin, em sua desilusão, deixava um espaço para a esperança. “A paciência e a perseverança heroicas” das organizações que mantinham o tipo apesar das derrotas, permitiriam que o socialismo frutificasse de novo a princípios do século XX: “seu trabalho não se perderá – nada se perde neste mundo: as gotas de água, ainda sendo invisíveis, conseguem formar o oceano”. Lamentavelmente, Bakunin não só contemplava essa opção: “Estes imensos Estados militares tem que destruir uns aos outros, e se devorar cedo ou tarde”. “A guerra universal” que previa o velho agitador chegaria a menos de meio século depois.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/contigo-empezo-todo/el-bajon-de-bakunin

Tradução > Caninana

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Fonte: Noticiasanarquistas.noblogs.org