Dezembro 11, 2020
Do Agencia De Noticias Anarquistas
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Mais uma vez celebramos a morte de um ditador e honramos a vida truncada de um lutador na mesma data, mas com quase 40 anos de diferença.

Por Charo Arroyo | 23/11/2020

Mais uma vez, fascistas e nostálgicos pela repressão de Franco se reuniram em diferentes atividades, alguns em Mingorrubio, outros em igrejas, mesmo no Vale dos Caídos. Nada mudou desde 20 de novembro de 1975 graças a essa “transição” que realmente se tornou a transformação daqueles que foram para a cama fascistas e acordaram democratas. É por isso que os braços levantados e os cantos de “Cara al sol” são reproduzidos sem nenhum medo ou vergonha. Pelo contrário, eles estão orgulhosos e desafiadores após a “ofensa” que foi executada na múmia de seu líder e após ver que as ideias filofascistas são representadas sem máscaras nos parlamentos nacionais e territoriais. Supostamente, a nova lei que se chama Memória Democrática deveria tornar efetiva a proibição dessas exaltações. Mas se aqueles que supostamente as perseguem fazem parte dos núcleos que as organizam precariamente, esta proibição não será cumprida.

Mas vamos parar de falar de um homem limitado, com complexos e que subjugou a tudo e a todos com violência. Vamos falar sobre o que também é lembrado naquela data, neste caso para o movimento libertário, embora seja de reconhecimento geral. No dia 20 de novembro lembramos a vida de Buenaventura Durruti no dia de sua morte.

No dia 20 de novembro, as redes sociais estavam cheias de mensagens recordando a vida de Durruti, as anedotas de sua biografia e os eventos que marcaram uma vida que é chamada de lenda. É nestes detalhes que se demonstra o valor de uma pessoa e se observa que o legado deixado para trás após sua morte deve ser valorizado.

Embora a vida de Durruti seja muito interessante, acredito que seja bem conhecida e que existam muitos livros onde se pode consultá-la. É por isso que eu quero dedicar este espaço a outra pessoa também digna de ser lembrada: Octavio Alberola.

O programa de sexta-feira, 20 de novembro de 2020 “Matar a Franco: o homem que o tentou 3 vezes” da “Sexta Coluna” descobriu as tentativas de matar Franco antes que ele fosse conhecido como o Caudillo, a propósito, a tentativa também foi realizada por anarquistas da FAI durante sua estadia nas Ilhas Canárias, já que ele era o comandante militar das Ilhas Canárias. O interessante programa que descobriu a figura, para muitos desconhecida, de Octavio Alberola. Um intelectual que decidiu deixar seu exílio no México a fim de participar da libertação da Espanha do ditador. Com a ideia de que, com a morte do tirano, a liberdade seria recuperada na Espanha, foi criado o grupo de ação Defensa Interior.

Falando das tentativas realizadas pela Defesa Interior, o detalhe do testemunho de Octavio sobre o programa não é trivial: “A única vida que nos autorizamos a eliminar foi a de Franco. Em sua opinião, a violência contra as pessoas não foi admitida. É o que diz também Agustín Comotto em seu livro “El Peso de las Estrellas. Vida do anarquista Octavio Alberola”. Devemos pôr um fim a esta lenda da violência anarquista.

E este pensamento sempre esteve presente em todas as tentativas de assassinato de Franco. Houve várias vezes em que teria sido possível realizar o assassinato, mas a possibilidade de produzir o assassinato de inocentes frustrou a tentativa.

Assim, o caráter da outra memória de 20N, Franco, com seu “baraka” foi poupado de várias das tentativas de acabar com sua vida por militantes anarquistas. Sim, os anarquistas, tanto antes do início da guerra como durante seus 40 anos de ditadura. As intervenções dos historiadores mostraram que o movimento libertário também estava envolvido na luta antifranquista. Desde os maquis que atuaram na região catalã após a guerra até as ações da Defensa Interior, como o trabalho dentro da clandestinidade. Na verdade, temos também uma lista considerável de vítimas que caíram por causa da repressão de Franco.

É por isso que é impressionante que no dia em que sua morte é comemorada, na cama, no programa da Sexta, eles querem dizer que a vida de Franco poderia ter sido muito mais curta e que as coisas não seriam como são hoje.

Na hora do programa, a intervenção de Octavio Alberola preenche a tela com seu discurso pausado e a determinação de suas palavras. Mas conhecemos bem suas capacidades na CGT através de sua colaboração com artigos críticos sobre a situação atual, bem como sua luta pela revisão da sentença de Delgado e Granado que continua sem descanso.

Por esta razão, neste 20N não só lembramos do companheiro Durruti que morreu lutando e não na cama como o ditador, mas para aqueles que não fazem parte do movimento libertário, a figura de um combatente anarquista antifranquista se fez conhecida.

Recomendo que você assista ao programa da Sexta Coluna e leia o livro de Agustín Comotto. Reconheçamos na vida o valor dos camaradas, apoiando sua luta incansável.

>> Foto em destaque: Buenaventura Durruti e Octavio Alberola

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/alkimia/y-de-nuevo-llego-el-20n

Tradução > Liberto

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Fonte: Noticiasanarquistas.noblogs.org