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Na quarta-feira passada, 7 de abril, o VOX [novo partido da extrema direita espanhola] tinha a apresentação de campanha em Vallekas, em um claro ato de provocação. Muito agitados os dias prévios com a esquerda institucional e seus satélites, atemorizados porque o protesto pacífico, disciplinado e “eleitoral” se vira transbordado pela raiva de um bairro assolado pelas filas de fome, os abusos policiais, o controle social, câmeras de vídeo vigilância, os ataques racistas, expulsões e despejos, casas de apostas e proxenetas, exploração, miséria e, também, a constante provocação fascista e a criminalização do bairro com os discursos “securitários” que só buscam aumentar a repressão no bairro. A “gritaria midiática”, a mesma que estimula com o medo à extrema direita para tentar que a gente esqueça seu papel cúmplice com o capital não queria uma resposta contundente do bairro. Riram em nossa cara, mas fracassaram.

Fracassaram, porque apesar das tentativas do serviço de ordem da concentração na Praça Roja, muitos voxeros foram quentinhos para casa. Inclusive, entre lamentos e choramingos do VOX, parece que um deputado foi ferido. Se a chuva de pedras que pôs para longe esses drogados da UIP (Unidade de Intervenção Policial), tivesse caído só cinco minutos antes das cargas sobre os fascistas, teríamos posto Santiago Abascal [líder nacional do partido] e companhia para correr. Tardamos em reagir. Porque a gente, isso sim, respondeu à carga policial com contundência, solidariedade e autodefesa (foto). Porque o “consenso” que haviam construído os partidos políticos e seus coletivos satélites do bairro (que nem são todos os coletivos do bairro, nem tem legitimidade nenhuma para decidir sobre outros sobre como se deve protestar) foi quebrado pela inércia. Porque em Vallekas não nos resignamos a louvar a autodefesa contra o fascismo em outras geografias, o colocamos em prática, como historicamente fez este bairro APESAR DOS CONSENSOS DO REFORMISMO. Porque Vallekas tem memória.

A alguns que queriam a foto de um protesto disciplinado, foram frustrados para casa. Os que queríamos a imagem de um bairro como Vallekas, recebendo a pedradas a polícias e fascistas, a obtivemos. Que esperamos que digam os porta vozes do sistema, das pessoas do bairro que lutam com dignidade, com tudo o que tem a seu alcance? Pois o de sempre. Os revoltosos, os revolucionários, os lutadores, serão tratados como criminosos pelo Estado e seus sequazes midiáticos. Sempre. O dia que não o façam, teremos perdido, porque nos terão tirado o ferrão que ameaça picar a plácida paz social que tanto esquerdas como direita defendem a capa e espada.

A ideia é clara: Vallekas responde à provocação fascista e policial, acima de legalidades, de forma direta, sem intermediários e sem esperar nada das urnas, que sabemos que são a tumba de qualquer luta que pretenda pôr em questão os pilares do Estado e o capitalismo e seus planos de morte e exploração.

Porque estamos fartos, porque ante a miséria, os fascistas, a exploração e a repressão, não cabem consensos, nem meias tintas.

Agora a prestar toda a solidariedade a nossos detidos e detidas, feridos e feridas. Sem esquecer que a luta segue. E a estarmos atentos a uma possível futura repressão ante os fatos de quarta-feira. As ruas serão sempre nossas.

Vallekas zona ingovernável!

Algumas Anarquistas de Vallekas

Tradução > Sol de Abril

 Notas:

 • O bairro de Vallekas é conhecido como um marco de resistência e luta antifascista durante a ditadura de Franco.

• Em Madrid, as eleições regionais estão marcadas para 4 de maio.

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agência de notícias anarquistas-ana

Em solidão,
Como a minha comida –
E sopra o vento de outono.

Issa




Fonte: Noticiasanarquistas.noblogs.org