Outubro 20, 2020
Do Reporter Popular
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Já é o décimo primeiro dia em que familiares não têm qualquer notícia sobre Jonas Seixas, visto pela última vez no fim da tarde de sex,ta-feira, 9 de outubro, próximo a sua casa localizada na Grota do Cigano, no bairro do Jacintinho em Maceió. Sem apresentar mandado ou qualquer explicação, três policiais atingiram Jonas com quantidade considerável de spray de pimenta, e em seguida o colocaram dentro de uma viatura, tomando destino desconhecido.

De acordo com a esposa de Jonas, Angélica Maria da Silva, alguns minutos antes, os mesmos militares entraram em sua casa. “Eu tinha acabado de chegar em casa do trabalho, onde trabalho como faxineira, e estava sentada tomando café, quando eles vieram já perguntando pelo meu marido. Eu disse que ele estava chegando. Então eles entraram, jogaram as roupas dele no chão e depois saíram. Algum tempo depois, uma vizinha veio correndo aqui e dizendo que tinham pego ele aqui perto de casa”, relata.

Quando chegou no local, Angélica conta ter encontrado Jonas já dentro da mala do carro, gritando com os olhos inflamados e pedindo ajuda. Os policiais, no entanto, afirmaram que o levariam para a Central de Flagrantes. “Peguei mototaxi e corri para lá. Como eles estavam de carro e eu estava de moto, pelo tempo eu deveria ter chegado antes deles. Só que quando chegamos lá eles disseram que Jonas nunca tinha chegado lá”.

Delegacias, sistema prisional, hospital, Instituto Médico Legal. Em nenhum destes lugares procurados, Jonas foi encontrado. De acordo com o advogado que tem assistido a família, Arcélio Alves, também foi aberto Boletim de Ocorrência, e uma série de órgãos foram procurados como Ministério Público, Corregedoria da Polícia Militar, e Defensoria Pública. Até o momento, a Polícia Militar silencia sobre o paradeiro de Jonas. Ainda segundo o advogado, não foi encontrado nenhum mandado judicial em aberto.

Em Alagoas, o registro mais recente que aponta crescimento de denúncias de violência policial foi feito pela OAB-AL, que apontou 14 denúncias, dez delas durante o período de isolamento social. O subregistro, entretanto, é demarcado pelos relatos de agressões e ameaças cotidianas enfrentadas na periferia da capital alagoana, onde moradores relatam que são praticamente diárias as abordagens violentas.

Desde domingo, 11, diversas mobilizações tem acontecido no intuito de pressionar a Polícia Militar a responder onde está Jonas. A comunidade da Grota do Cigano, que sofre com a violência policial ainda mais intensificada nos últimos meses, também realizou um ato público. Dias depois, a Igreja Batista do Pinheiro e a Casa Um também efetuaram um ato em solidariedade. A pergunta “Onde está o Jonas” que começa com os familiares e a comunidade da Grota do Cigano vem crescendo com a rede de solidariedade e insiste em uma resposta.




Fonte: Reporterpopular.com.br