Abril 21, 2021
Do Agencia De Noticias Anarquistas
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Em 1º de fevereiro, o exército de Mianmar liderado pelo general Min Aung Hlaing assume o controle, derrubando o governo eleito da Liga Nacional para a Democracia (NLD), que assumiu o poder nas eleições de 2011. O golpe militar tem sido combatido por milhares de pessoas que se levantaram em protestos, greves e confrontos com o exército e as forças policiais diariamente.

A força de resistência ao golpe militar de 1º de fevereiro conta com mais de 400 mortos, inúmeros feridos e mais de 2.000 prisioneiros. Parte dessa resistência também é constituída por anarquistas, que estão flanqueando as linhas de conflito social em grupos de solidariedade como Food Not Bombs-Myanmar, ou na linha de frente da autodefesa contra os ataques assassinos do exército. Enquanto o número de pessoas em luta nas ruas aumenta e os conflitos se generalizam, a fúria repressiva da junta militar se torna cada vez mais brutal, a ponto de assassinar pelo menos 114 manifestantes em um dia em algumas das maiores cidades do país. Ao mesmo tempo, há escaramuças entre forças do Exército e milícias armadas que fazem parte dos diversos grupos étnicos com relativa autonomia que formam o estado de Mianmar, deixando em aberto a possibilidade de um conflito civil generalizado. Além disso, o governo anterior também é responsável pelo pogrom em 2017, lançado pelo exército contra o grupo étnico muçulmano Rohingya, que resultou em dezenas de mortes e 700.000 pessoas deslocadas no vizinho Bangladesh vivendo em condições terríveis em campos de refugiados. Outro momento de brutalidade estatal pelo qual o Ocidente “civilizado” ficou ensurdecedoramente silencioso.

Em 27 de março, no 76º aniversário do início da resistência à ocupação do Japão no país, (um aniversário que foi instituído como Dia das Forças Armadas), a Junta optou por exibir sua ferocidade reprimindo brutalmente protestos e assassinando manifestantes. Paralelamente, o regime militar realizou um desfile na zona de Naypyitaw, que contou com a presença de representantes de oito países (Rússia, China, Índia, Paquistão, Vietnam, Bangladesh, Laos e Tailândia), manifestando o seu apoio ao regime. Por outro lado, as Potências Ocidentais se limitam a uma condenação morna da violência contra o povo de Mianmar por parte do regime ditatorial, sem se posicionar de forma clara contra ela, o que mostra que buscam oportunidades de alianças e ampliação de seu poder e seu papel neste campo volátil de relações geopolíticas. A única certeza é que a intensificação dos antagonismos intercapitalistas trará mais violência, opressão e miséria para os povos da região mais ampla do sofrido Sudeste Asiático, onde durante anos as grandes potências criaram um campo sufocante de hostilidades enquanto os povos têm tentado respirar um pouco de liberdade dos Estados e do Capital.

Contra a cara do totalitarismo moderno imposto a todo o mapa mundial e se aprofundando ainda mais por ocasião da pandemia de Covid-19, onde os estados estão investindo ainda mais na militarização para a repressão e o controle das sociedades, como anarquistas estamos convencidos de que classe e a solidariedade internacionalista entre os povos é a única alternativa. O contra-ataque organizado das classes exploradas e a derrubada do Estado e do capitalismo em nível global podem moldar as condições para a criação de uma sociedade de prosperidade, igualdade, paz e justiça, livre de exploração, guerras e antagonismos desorientadores.

Da França e da Espanha com as Βills para privar a liberdade de expressão e os assassinatos da polícia racista dos EUA, da repressão estatal de qualquer um que resista na Turquia e o terror do Estado na sociedade na Grécia ao golpe militar em Mianmar, estamos com aqueles que lutam onde quer que estejam lutando por sua liberdade e por um mundo que pode caber muitos outros.

SOLIDARIEDADE INTERNACIONALISTA

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Tradução > Da Vinci

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agência de notícias anarquistas-ana

tão longa a jornada!
e a gente cai, de repente,
no abismo do nada

Helena Kolody




Fonte: Noticiasanarquistas.noblogs.org