Novembro 19, 2020
Do LIGA-RJ
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Santiago Boaventura

Educador Ambiental impactado pela poluição da costa nordestina Bahia-Sergipe.

Hoje são 54 dias que o governo Bolsonaro e seu soldadinho Salles, Ministro de Meio Ambiente, permanecem omissos em relação à poluição e contaminação de petróleo na costa Nordestina do Atlântico Brasileiro e nas águas internacionais próximas.

O presidente Bolsonaro administra o Estado Brasileiro em função daqueles que o elegeram. Quem não gostar ou aceitar que busque se revolver. Estamos diante de um governo que odeia pobres, que odeia negros, odeia feministas, odeia índios, odeia nordestinos. É um governo de meninos mimados de condomínio, de ideologia fascista, práticas autoritárias e falso moralista conservador.

O Nordeste é a região do Brasil mais explorada desde a chegada dos conquistadores europeus. Nesta região, indígena, negra e mestiça alienada de suas riquezas naturais e explorada na sua mão de obra governos sucessivos de presidentes filhos da Região Sudeste mantém a região Nordeste com “esmolas”. Não é diferente agora no Governo Ultracapitalista de Bolsonaro.

A omissão governamental diante do crime de poluição na divisa do Brasil com águas internacionais é a expressão do racismo e do xenofobismo regional interno há muito escamoteado pela cordialidade tropical e escondido nas escuras profundezas da elite capitalista sudestina, que mantém o país com desenvolvimento interno segregacionista concentrando recursos de todo o país em 3 dos estados que compõem a região.

Cada cargueiro de petróleo pode levar entre 30 e 175 mil[1] toneladas de óleo bruto. Até o momento a ação autônoma e organizada pelas pessoas nas suas respectivas comunidades e cidades da costa nordestina deram conta de coletar aproximadamente 1 mil toneladas de óleo misturado com areia e organismos vivos marinho. Considerando que um cargueiro petroleiro internacional tenha derramado petróleo na divisa da Costa Atlântica Nordestina Brasileira com a zona de águas internacionais[2] o impacto de poluição afeta diretamente agora o Brasil e mundialmente o Atlântico.

Tonéis da empresa Shell foram encontrados nas praias da região. Na América do Sul a Venezuela sofre embargo internacional, especificamente dos EUA|USA e todos envolvidos com o mercado de petróleo diretamente sabem que o contrabando internacional do óleo é uma das fontes mais rentáveis no planeta garantindo o comércio para países sob sanções internacionais, especialmente dos europeus e yankes. Quem é o criminoso? Talvez nunca cheguemos a conhecer. Ou o próprio Brasil está contrabandeando o óleo? Ou será the best friends (EUA|USA-China) do governo Bolsonaro estão contrabandeando e distribuindo o petróleo?[3] Independente do responsável, já conhecemos as vítimas e ainda assim pouco ou nada está sendo feito.

Uma nota de atenção: a tragédia segue em curso na Costa Nordestina e águas internacionais do Atlântico Sul. Um pequeno número de cinco mil soldadinhos do exército foram enviados às praias nordestinas para “ajudar” as dezenas de milhares da população nordestina a limpar as praias. Após omissão, a pífia resposta do governo federal foi militarizar as consequências da poluição e manter-se inativo na contenção, coleta do óleo em alto mar. Este governo comete no mínimo um crime de responsabilidade, de racismo e de xenofobia pois, de fato o grande e maior crime ainda segue em curso: Ecocidio.

25 mil pescadoras e pescadores já foram afetados somente na Bahia. Em Salvador movimento de pescadoras e pescadores[4] fizeram manifestação e ocuparam a sede do IBAMA. Sindicatos, movimentos sociais e pesquisadores são fundamentais para exigir os recursos humanos, recursos financeiros, técnicos e tecnológicos para acabar com esta poluição, reduzir a devastação ambiental terrestre e marítima e reduzir o impacto econômico já sofrido pelas populações costeiras de toda Região Nordeste do Atlântico.

Uma pergunta pra finalizar: Por que a OEA, a ONU, Mercosul, BRICS, União Européia estão em silêncio? Quem está ganhando com a omissão e o silêncio?

Boicote já os produtos das petroleiras multinacionais que assistem de braços cruzados a devastação marinha da poluição de óleo.

Vamos às ruas exigir ação efetiva.

Vamos às praias coletar o óleo e reduzir esta devastação.

Exijamos uma ação coordenada internacional nas aguas internacionais.

[1] http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/transpetro-conheca-nossos-principais-tipos-de-navios.htm

[2] https://ufrj.br/noticia/2019/10/18/pesquisadores-da-ufrj-detectam-origem-de-oleo-no-nordeste

[3] http://atarde.uol.com.br/coluna/levivasconcelos/2102115-tera-vindo-o-oleo-da-banda-podre-do-mercado-petrolifero-talvez-sim-premium

[4] https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2019/10/22/interna-brasil,799880/em-protesto-grupo-de-pescadores-invade-sede-do-ibama-em-salvador.shtml




Fonte: Ligarj.wordpress.com