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Boletim eletrônico mensal
do Nu-Sol – Núcleo de Sociabilidade Libertária
do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP
no. 239, outubro de 2020.

moderada-mente

No Brasil, desde o início da chamada pandemia o consumo de álcool aumentou. A constatação não surpreende. Como droga lícita, legal, de mercado livre etc., a bebida sempre foi produzida, vendida, estimulada e usada em larga escala.

Mesmo com certas campanhas defendendo o seu uso moderado (há algum tempo as propagandas de bebidas, sobretudo, as de cerveja, terminam com o lema: “beba com moderação”) em tempos de COVID-19, a ressaca só aumentou!

De pijama, com ou sem roupas íntimas o dia todo, as pessoas empregadas em escritórios, funcionários em home office, desempregados, autônomos, ou o que mais puder ser classificado, entregam-se, desde cedo, aos etílicos.

Frente a essa situação, a Organização Mundial de Saúde (OMS), divulga aceleradamente sua preocupação com o aumento do consumo de álcool. Bebidas alcoólicas são recorrentemente associadas à socialização e à descontração. Durante a dita pandemia, o isolamento escancarou também o inverso. Distantes umas das outras, homens e mulheres recorreram ao álcool para minimizar as sensações identificadas e catalogadas pela linguagem psiquiátrica como ansiedade, estresse, medo, depressão e tédio.

Os especialistas de plantão, alertam para os futuros danos à saúde. Segundo eles, a bebedeira pode devastar não somente a saúde “física”, mas, também o que denominam como saúde mental.

A pesquisa “Uso de Álcool e COVID-19”, divulgada recentemente pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), foi realizada entre 22 de maio e 30 de junho com mais de 12 mil pessoas, sendo 30,8% de brasileiros. Mostra o “abuso de álcool” como escape para a “pressão” e o “estresse” causado pela chamada pandemia. O público considerado adulto, isto é, com idade entre 30 e 39 anos, é o que mais “bebeu pesado” (acima de 5 doses).

No ranking das bebidas, em primeiro lugar vem a cerveja. Em seguida, vinho e destilados. A pesquisa ainda ressalta o crescimento do uso de bebidas alcoólicas ilícitas, contrabandeadas ou produzidas ilegalmente. Com maior teor de etanol, associada aos baixos preços, essas substâncias chapam mais rápido do que as demais.

O aumento do consumo álcool, seja ele legal ou não, mostra que a bebida é um negócio lucrativo. Fica a pergunta: diante de tanto entorpecimento há alguma embriaguez?

home office. bum! pandemia!

De repente as pessoas se viram confinadas. Umas perderam seus empregos, outras tiveram salário e horas de trabalho reduzidas.

Desempregados se desesperam.

Tentam correr atrás do benefício/auxílio emergencial do governo, tentam comer, pagar aluguel e lidar com seus filhos dentro de casa. Tentam sobreviver em seus cubículos, becos, lonas. Outros tantos foram e são despejados, outros já estavam nas ruas moribundos, famintos e doentes…

A classe média também se viu cerceada. Presa dentro de suas casas e apartamentos, atreladas ao home office. Ao mesmo tempo, tem de exercer a sua função/emprego, pagar contas, dívidas e, também, lidar com seus filhos.

Exaustos, receosos, endividados e com medo, muitas destas pessoas lançaram-se ao álcool, às drogas chamadas ilegais e, é claro, às medicamentosas, redefinidas como remédios: auxílios à sobrevivência!!!! Tudo isso para manter a mente sã. Um alento, um alívio, uma salvação!

depressão/ transtornos/ estresse versus equilíbrio, meditação e espiritualidade.

Não é de hoje que a psiquiatria intervém e direciona ao que é ou quem é normal. Atualmente, dentro de um esquadro que, para além das chamadas doenças, encontram-se os chamados transtornos. Em nome da tal saúde mental, a psiquiatria e a indústria farmacêutica redimensionam quadros de doenças e atualizam suas drogas, traduzidas em inovações medicamentosas.

Essas drogas atualizadas e comercializadas legalmente estão disponíveis para o uso, visando estabilizar humores e comportamentos adversos. Diante da chamada pandemia é imperativo fortalecer o discurso em prol da saúde mental.

Nesse conjunto, além de medicamentos, psicoterapias e terapias alternativas proliferam ainda cursos e tratamentos online como fitoterapia, erva terapia, terapia energética, yoga, medicina tradicional chinesa, medicina ayurvédica, florais, pilates, thetahealing, meditação… espiritualidade.

Para os médicos, alternativos ou não, em meio à COVID-19, todos ou quase todos, em decorrência de alguma alegada ruptura psíquica ou social, precisariam ou precisam de equilíbrio.

setembro amarelo!

Num beco sem saída, cansados de informações, desinformações, atabalhoados, sem perspectivas, aumentam também os casos de suicídio.

A OPAS informou haver um alto risco de tendência suicida em decorrência da pandemia, perda de renda, desemprego. Segundo a OPAS, o isolamento afetou a saúde mental das pessoas e aumentou o suicídio.

Enfim, tudo dentro da normalização do normal! Recebendo-se orientações de ser, estar, permanecer, ficar, tornar-se, parecer, andar, continuar e viver com condutas moderadas.

covid-19: afirmações da vida
https://www.nu-sol.org/blog/covid-19-afirmacoes-da-vida/

em OUTUBRO verve 38
salete oliveira – beatriz s. carneiro
tomás ibáñez – fernanda grigolin – lúcia soares
josé oiticica – rogério z. nascimento – florentino de carvalho
lucio urtubia – gustavo simões – acácio augusto
nika e amigos – edson passetti
ruth kinna
http://www.nu-sol.org/verve/

observatório ecopolítica 78
https://www5.pucsp.br/ecopolitica/observatorio-ecopolitica/n78.html




Fonte: Nu-sol.org