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Boletim eletrônico mensal
do Nu-Sol – Núcleo de Sociabilidade Libertária
do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP
no. 242, fevereiro de 2021.

20 em 21

1. A preocupação com os chamados vulneráveis, no início da proliferação da Covid-19, em 2020, foi devido ao medo de uma reação insurgente por este vasto contingente de populações abandonadas pelos serviços de saúde dos Estados pelo planeta.

2. Não foi surpresa para ninguém a formação de redes de solidariedade voluntária entre pobres e miseráveis, assim como o aparecimento da solidariedade S/A comandada por empresários e ricos justificando garantias de vida, emprego e economia. Visavam a salvação para suas propriedades.

3. Passamos 2020 na esperança humanitária em vacinas em função da volta ao normal ou da consolidação do novo normal. E as vacinas vieram com maior ou menor capacidade de contenção do vírus e suas variações. Foi a chamada vitória da ciência.

4. Mas a ciência não é neutra e se faz com capital e verbas de Estado. Ter vacina não é sinônimo de acesso à vacina para todos. É impossível vacinar, simultaneamente, a todos. Não há, nem nunca haverá, no capitalismo, equipes médicas disponíveis para vacinar imediatamente a todos.

5. Por isso, vacinar contra a Covid-19 exige escalonamentos por faixa etária e comorbidades.

6.Aprovação pela ANVISA das vacinas Coronavac e Oxford no Brasil, ocorreu em 17 de janeiro.

7.Chegaram alguns lotes mínimos de vacinas para o início do programa. Mas não há IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) para a produção de vacinas aqui no Brasil. Isso depende da China, um tanto da Índia, um tanto das indústrias farmacêuticas, um tanto de diplomacia, um tanto de poder de Estado e de capital. O Brasil não está no top em nenhuma destas categorias. Pelo contrário, está na rabeira dos rankings.

8.Não há IFA, nem previsão de sua produção aqui. Não há vacina a não ser para cenas de noticiários nas mídias. Não há autoridade governamental que reconheça a doença como epidemia. Somente encenações, com um certo ar de postagens afobadas e mal acabadas. Ou como diz o homem que senta no trono do palácio: obedeçam!

9.Dizem que os países mais ricos terão vacina e que isso não é justo com os países mais pobres. Justiça sempre foi o amortecedor preferido para a continuidade das investidas capitalistas e estatais em matar.

10.Para o capitalismo e o Estado, em sua aritmética, os velhos, os doentes, os improdutivos e os excessos populacionais devem ser varridos. Matar é a condição para a continuidade da vida capitalista (com pestes, pandemias, guerras, políticas, lucros…) cuja saúde depende de como se deixa morrer seus súditos, com ou sem democracia. E a maioria em uníssono com a minoria governante apela às religiões como esperança.

11. A ciência também não se desprende da religião e seu conhecimento em nome da humanidade se resume à humanidade de quem financia e de quem é seletivamente produtivo.

12. O novo coronavírus se metamorfoseou na África do Sul, na Grã-Bretanha, em Manaus e Roraima no Brasil (E484K e K417N). Há outras metamorfoses a ocorrer, vacinas a se descobrir, gente a ser imunizada… Há muito mais mortes a se contabilizar, notícias sobre os descasos do Ministério da Saúde e do governo do Estado (não só do Brasil) sobre a chamada pandemia…

13. Morrer, enterrar: esta é a relação que o governo administra com ou sem pandemia. Com a bênção dos Deuses.

14. Fontes jornalísticas anteveem que somente ao final de 2022 e no início de 2023 muitos países não ricos chegarão a vacinar sua população sobrevivente.

15. Os laboratórios declaram que não cumprirão prazos de entregas de vacinas; ondas de contaminações passam a ser vistas como regulares; as populações dizem que precisam de emprego ou de ajuda financeira governamental… ONGs, fundações e institutos dão coberturas para um lado e para o outro.

16. Há várias vacinas: Coronavac, Sinovac, Sinopharm, Astra Zeneca, Biontech-Pfizer/Moderna, Johnson& Johnson, Sputinik V, Janssen, Nova Vax… várias indústrias e muitos Estados que comandam. Muitos Estados que não comandam o capitalismo, mas se programaram para entrar na disputa, chegam até a ser autorizados a produzir IFA para determinados países, como a Argentina.

17. O Brasil depende da China… e o governo não gosta da China. Gosta? Sim, tudo está reduzido a gostar ou não, para quem foi e é seguidor e séquito de Donald Trump.

18. E para quem é dono do palácio, do senado e do congresso. Neste país não há sequer oposição política, somente negociante de xepa de feira.

19. O acesso desigual às vacinas não é “uma falha moral catastrófica” como declarou o diretor geral da OMS, Tedros Adhanon. A desigualdade e a esperança em sua redução; em melhorias democráticas, aumentando a resiliência e fortalecendo o protagonismo é o programa da racionalidade neoliberal com esquerda ou direita (incluindo populistas e extrema direita) nos governos de Estados. Sua meta contínua é a de normalizar o normal.

20. Até quando os súditos acreditarão na esperança que nunca veio ou virá?

em março.
Anarquia e pandemia
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Coletânea libertária publicada pela Editora Hedra.

covid-19: afirmações da vida
https://www.nu-sol.org/blog/covid-19-afirmacoes-da-vida/

verve 38
beatriz carneiro – tomás ibáñez – salete oliveira
fernanda grigolin – rogério nascimento – florentino de carvalho
lucio urtubia – fermin munarriz – acácio augusto
gustavo simões – edson passetti – ruth kinna
https://www.nu-sol.org/verve/

observatório ecopolítica 80
https://www5.pucsp.br/ecopolitica/observatorio-ecopolitica/n80.html




Fonte: Nu-sol.org