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Boletim eletrônico mensal
do Nu-Sol – Núcleo de Sociabilidade Libertária
do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP
no. 246, junho de 2021.

Raio X onde não há raios de tempestades

1. Uma grande parte da imprensa é contrária ao governo atual do homem que senta no trono do palácio. Uma parte significativa da população: concorda, discorda, não está nem aí. Muitas autoridades de todos os poderes institucionais e certos empresários também esperam as próximas eleições para sacramentarem seus descontentamentos lado a lado com os populares.
2. Afinal, quase tudo é: democracia, empresa, empreendedorismo, PIB em crescimento, resiliência, pandemia, oposição chapa branca, prédio que desmorona… miseráveis de braços estendidos e bocas abertas para serem entupidas de caridade e não emitirem sons dissonantes ou insuportáveis. Fascismos palatáveis e vestidos de moderados nas democracias.
3. Muita oposição e situação em pequenos partidos; enorme centrão para jogo legislativo; assombroso leque partidário para viabilizarem juntos, misturados ou separados os protagonistas do momento para o futuro. E loas ao judiciário na agonia interminável da justiça.
4. Muita gente morre de Covid-19, outras cepas bem ativas do novo coronavírus se espalham, muita pesquisa e grana em vacinas: total OMS-ONU. Já apareceu por aqui o fungo negro.
5. A vida não se reduz à biologia e à ciência.
6. Todo o futebol (e tênis, automobilismo… etc., sem ser o tal) e as olimpíadas adiadas precisam seguir girando capitais, lucros, inovações, ricos e quase ricos, distraindo a massa abúlica e covarde com filantropias, caridades, lágrimas virtuais, solidariedades S/A, online…
7. Todo exército é parte constitutiva das Forças Armadas e vive por e para seu espírito corporativo. É meio de ascensão social de pobres, de recrutamento de pobres contra a própria classe em nome da pátria, dos governantes e dos empresários e seus chefes imediatamente superiores e seus comandados que sustentam as roupas, medalhas, botas, armas, pistolas, balas, binóculos, miras, metas e satélites.
8. É para a defesa da pátria, dos territórios, dos mares e espaços aéreos do Estado e de inimigos exteriores. É para andar de uniforme alinhado, bota engraxada, e arma e armadura prontas para matar os inimigos. Quem escolhe exército, escolhe viver para morrer e matar. Seu duplo chama-se polícia. Seu mundo, a segurança!
9. Polícias, Forças Armadas, Instituições Austeras como prisões, hospícios (com ou sem Lei Antimanicomial) e milícias sempre andaram juntas na defesa do capital e do Estado democrático, totalitário ou socialista. Com ou sem uniformes, seguros. Com delatores informantes e todo o exército de reserva de poder para a segurança do privilégio.
10. Tem prisão para jovens pobres, seletivamente recrutados pelo sistema penal, alimentada por profissionais das humanidades e a variedade de carcereiros(as) certificadas(os) em nome da educação cidadã da vida polícia.
11. Tem stalinistas de volta empreendendo nas redes sociais digitais e circuitos editoriais com a benção de famosos artistas! Não é piada, delírio ou achincalhamento.
12. Sempre houve fascistas e microfascismos com ou sem fobia de Estado.
13. Sempre houve liberais a favor dos fascistas contra libertárixs. E comunistas chapas-brancas também contra anarquistas. E intelectuais que definem anarquismo como movimento pré-político, desde o início do século passado… Rezam pela mesma doutrina sagrada (ou supostamente racional) dos religiosos. As religiões são mais sólidas e contínuas que as razões e suas vulnerabilidades! Ops!
14. Agora, desde tempos recentes, sempre haverá isso tudo nas redes sociais digitais. Quando suas engrenagens engripam, chamam a desordem que causaram de anarquia e clamam pelo bom funcionamento das instituições que os protegem.
15. Houve, há e haverá (até quando?) os tolos (inteligentes, inocentes, oportunistas, protagonistas?) que se dizem articuladores de forças conjunturais anti-autoritárias.
16. Houve um tempo em que os jovens quebravam regras; hoje eles elaboram as melhores regras para si e para os outros; são os novos pastores da sociedade de controle produzindo protagonismos e seguidores multifacetados. Em um gigantesco care.
17. Os jovens estão envelhecendo cedo? Antes de seus pais e avós? Não é raro ouvir dos pré-20 anos: o libertarismo é um desvio ideológico! Stalin, Hitler, Mussolini e Mao trouxeram jovens e crianças para seus exércitos, polícias e milícias. Para morrerem por eles.
18. Todos (ou quase todos?), hoje em dia, parecem precisar de um movimento social ou um de seus fragmentos ou fluxos, uma ong, fundação ou instituto para tentar ser notado como protagonista de algum sublime e/ou ganhar um edital, um patrocínio.
19. Vivemos a era da fragmentação. No passado, quando se chamava racha, fundava-se algo mais radical. Hoje, chama-se qualquer coisa porque todos desejam que sua palavra seja a palavra-chave. Muitas chaves para quase nenhuma fechadura! Tudo digitalizado. Muitas drogas e nenhuma droga!
20. Era de trapaceiros (as). Hj tb a forma de comunicar foi domada pelo Google com “e”. Em nome de maior inclusão, ativistas definem que esta é a linguagem politicamente correta. Afinal, se pode atingir mais views e likes, angariar mais seguidores…
21. Só fale do seu lugar, do lugar que você tomar do outro(a), do direito que você tem como portador de ocupar um lugar, da minoria em que você se encontra intercambiável, no conjunto majoritário; do lugar do quantitativo travestido de qualitativo.
22. Era dos ativistas. Da insistência em se achar filósofos em todo segmento social que espelhem os filósofos gregos, mesmo distorcidos. Do ativismo como a prática de liberdade da racionalidade neoliberal com democracia e ditadura do proletariado…
23. Só x anarquista não admite ser identificado, classificado, catalogado, agrupado, disciplinado, controlado, definido como ativista, ou descendente daqueles filósofos.
24. Na China, as empresas livres se estabelecem e acumulam capitais (e demais moedas virtuais e criptomoedas), seguindo os padrões de direitos da ditadura do proletariado. Quem manda lá, quer mandar no planeta e nos caminhos para o universo.
25. O planeta, assim como o universo, não se resume a dicotomias ou a oposições binárias. Vivem antes e depois da criação mítica, mística, mitológica.
26. A água era de todos. Não é mais. Se tocam fogo nas florestas, podem tocar no seu rabo também.
27. O meio ambiente é o ambiente transterritorial. Só assim se pode dar fim à ecopolítica! À governamentalidade planetária.
28. Em tempo: há resistências (ainda que no devido lugar, na retórica, na cusparada, na inflamada gritaria, no individualista, no divíduo e no pluralismo, com ou sem máscaras, álcool em gel… Onde estão as resistências às relações de poder produzindo antipoder? Desconfie de quem se identificar!)… Não há em espaços outros.
29. Sem tempo a perder… Aí vem os raios na vertical, na horizontal, a chuva, os temporais, ventos e ciclones, e o fogo! Virão sempre? Estamos irremediavelmente na natureza, espaços imensos onde sempre viverão indígenas isolados.
30.

Anarquia e pandemia.
Coletânea libertária publicada pela Editora Hedra.

covid-19: afirmações da vida
https://www.nu-sol.org/blog/covid-19-afirmacoes-da-vida/

verve 39
claire auzias – diego lucato bello – voltairine de clayre
rogério nascimento – florentino de carvalho – edson passettti
william burroughs – gustavo simões – josé maria carvalho ferreira
el libertário – pascual – eliane carvalho – vitor osório
louise michel

https://www.nu-sol.org/verve/

observatório ecopolítica 90
https://www5.pucsp.br/ecopolitica/observatorio-ecopolitica/n90.html




Fonte: Nu-sol.org