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Instituto de Estudos Libertários entrevista ANTAR – Poder Popular Antiespecista


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Dezembro 2020

1. Falem um pouco da ANTAR e como surgiu?

A Antar – Poder Popular Antiespecista surgiu com um debate de ativistas do movimento vegano em São Paulo que queriam dar mais organicidade ao movimento. A gente tem muitos veganos em ativismos isolados, em movimentos que não fazem intersecções com outras opressões e até movimentos que acreditam que dá pra libertar animais dentro do capitalismo. Éramos veganos que já passaram por organismos veganos importantes, mas que não tem inserção social, ou seja, nos organismos da classe trabalhadora, como sindicatos, movimentos sociais, manifestações radicais, movimentos de base e etc, que é onde o antiespecismo precisa ser alocado.

Além do antiespecismo éramos militantes que estavamos há algum tempo estudando o processo da Revolução Curda e sua luta contra o capitalismo e o Estado nacional. Um exemplo de revolução socialista no século XXI com um horizonte libertário. O nome Antar vem de Asia Ramazan Antar, uma militante da Unidade de Proteção da Mulher, uma milícia curda. Antar morreu em confronto com o Estado Islâmico. Essa revolução é feminista, libertária e ecologista, um exemplo do que devemos fazer no século XXI e, por isso, devemos nossa homenagem.

2. Fale um pouco das atuais ações e ideias para o futuro?

Nós nos organizamos como coletivo em 2019. Nesse mesmo ano demos início ao grupo de estudos e atuamos ativamente nas manifestações de rua, como na construção do Ato Antifascista de São Paulo e na manifestação contra as queimadas na Amazônia, compondo  junto a outros coletivos o Bloco Veganos Anticapitalistas. Participamos também de feiras e eventos autogeridos libertários e outros veganos, tentando construir um debate antiespecista e tivemos uma inserção tímida em um sindicato. Em conjunto a isso, mantivemos as ações de panfletagem e a divulgação de informações e materiais antiespecistas na internet.

Acreditamos que assim como para outros coletivos a chegada de 2020 e logo após a Pandemia do Covid-19, foi um “balde de água fria” para muitos e vários projetos tiveram que ser adiados. Não foi diferente para nós. Os planos de realizar ações em cursinhos populares, nas ocupações e periferias de São Paulo, ficaram em segundo plano e deram lugar a uma presença virtual mais ativa. Sabemos que esse tipo de atuação é importante, mas por acreditarmos que a solidariedade e o trabalho de base é essencial, iniciamos as entregas de marmitas, frutas e itens de higiene a população em situação de rua, em união ao coletivo Femini Vegan, e mantemos essas ações de forma periódica. Também panfletamos para essas pessoas e conversamos sobre os efeitos do neoliberalismo, do fascismo e das dominações entre as pessoas de baixa renda.

É difícil saber como serão os próximos meses, mas a intenção é manter esse trabalho da entrega de refeições veganas, continuar disseminando informações para além da internet com nossos panfletos, lambes e a criação de zines. Também estamos no processo de  agregar novos militantes de diferentes estados, para que possamos formar núcleos em regiões diversas e assim ampliar nossas ações. Além disto, queremos ter uma inserção maior, junto a outras organizações, nos movimentos de luta por terra, territórios e aldeias indígenas, justamente por acreditar que estes são fortes aliados na luta pela ecologia social.

3. Qual a importância de um coletivo específico de militância anti-especista anarquica?

A Antar é um agrupamento de tendência político-social, que integra militantes de diferentes correntes entre as ideologias políticas (anarquismo, autonomismo, marxismo) e os movimentos sociais (comunitários, sindicais, de rua) tentando criar uma síntese, um antiespecismo revolucionário nesses espaços e outros. É claro que tentamos construir um tipo de socialismo libertário ecológico, de baixo para cima e autogestionário, então nosso dialogo com determinadas frações tem um limite claro. É importante um agrupamento assim pois acreditamos que é necessário polítizar o movimento vegano, ao mesmo tempo que podemos alastrar o antiespecismo nos grupos radicais, também tentando fazer trabalho de base, é uma dupla missão que temos e bem ardua.

4. Quais as principais dificuldades de uma militância antiespecista nos termos que vocês propõem?

Nós sempre partimos do princípio que o veganismo é um movimento político por libertação animal e humana. Sendo assim, é inconcebível para nós que a luta antiespecista seja desatrelada das lutas contra as outras opressões (como a feminista, antirracista, ecológica e anticapitalista), precisamente por compreender que todas elas estão conectadas e que enquanto houver a dominação de grupo isso irá legitimar e fortalecer as demais dominações.

Como agrupamento de tendência, nós observamos dois grandes desafios. O primeiro, é a inserção da luta antiespecista e reconhecimento do direitos dos animais em conjunto com a construção do poder popular e da soberania alimentar pelos explorados. O segundo, é o déficit que há na maioria das organizações progressistas no Brasil em reconhecerem o especismo como uma dominação, algo igual ocorreu com o início dos debates sobre LBGTfobia e feminismo.

No geral, ainda há uma certa recusa no debate sobre a libertação dos animais não humanos. Apesar de – ao contrário do vegetarianismo – o veganismo não ser uma dieta e ter sido encabeçado por ativistas e militantes revolucionários, muitos antissistemicos, progressistas, feministas e no Brasil ter relação com o movimento punk,  houve um esvaziamento e despolitização estratégica por meio da cooptação do mercado. Nosso objetivo é a retomada do veganismo como uma luta Anticapitalista que combate a discriminação e violência com base na espécie (Especismo), entendendo simultaneamente que essa é uma luta não isolada e individual.

5. Agora deixamos um espaço aberto para você falar sobre o que quiser, mandar um salve e tudo mais!:

Ressaltamos: lutamos não apenas pela libertação dos animais não humanos, mas contra um sistema cuja estrutura engloba inúmeros corpos, gêneros, raças, identidades, eu espécies, necessidades e anseios.Cada luta, cada violência, cada sofrimento estão conectados por uma lógica e um inimigo em comum: a lógica é a da dominação, do supremacismo e da objetificação do “outro”. O inimigo em comum é o Capitalismo. Não há Veganismo sem luta de classes. Os animais não terão sua liberdade através de ações isoladas, desconectadas e pontuais, mas sim a partir de uma agenda de lutas coletivas pelo poder popular.

Gostaríamos de agradecer a disponibilização desse espaço para falar não apenas da Antar, mas principalmente sobre o antiespecismo. A quem interessar, disponibilizamos os textos base da nossa formação no link: https://linktr.ee/Antarvegan e estamos sempre a procura de pessoas que queiram fazer parte da construção de um veganismo popular e anticapitalista.

Aceitamos também a colaboração com donativos para as ações com as populações em situação de vulnerabilidade . Para trocar uma idéia com a gente, pode ser por meio das redes sociais onde estamos como “AntarVegan”.




Fonte: Ielibertarios.wordpress.com
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