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Instituto de Estudos libertários entrevista Glaucos Luis


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Glauco Luis
  1. Quem é Glaucos?

Um cidadão fronteiriço, neto de uma velha guarani, vivendo no meio do continente sul-americano (num lugar equidistante entre o Atlântico e o Pacífico – Cuiabá/MT); músico pantaneiro autodidata com atividades no rock, blues e outros gêneros; ativista dos ideais do movimento anarquista/libertário desde os anos 80; um dos articuladores do underground cuiabano nos anos 90, arquivista de papéis e imagens dessa época. Comunicólogo formado na 1ª Turma de Comunicação Social (Rádio & TV) da UFMT, em 1994 – atualmente cursando doutorado em Cultura Contemporânea (ainda na UFMT). Produtor de audiovisuais, pesquisador & amante da cultura latino-americana desde os anos 90 pra cá.

  1. Como se deu o seu primeiro contato com o anarquismo?

Certamente o espírito musical e as ideias da contracultura me propuseram o anarquismo. Cuiabá sempre foi – e continua sendo – um lugar “longe demais das capitais”, por conta da distância geográfica, nos anos 80 tínhamos dificuldade em conseguir material bibliográfico, discográfico, etc.

Me parece que, naquela época, naturalmente haviam mais encontros e trocas interpessoais do que há atualmente: junto com a moçada da minha geração, na juventude, as leituras e conversas sobre anarquismo provavelmente surgiram com as raras leituras sobre a cultura rock e contracultura em geral que iam chegando por aqui.

Aos poucos, além da ampliação dos títulos sobre a temática anarquista nas editoras – na segunda metade dos anos 80, foram aparecendo exemplares de publicações da chamada “imprensa alternativa” como “O Inimigo do Rei”, a revista “Utopia” e o “Libera… Amore Mio”, entre outras mais ou menos efêmeras. O acesso a essas publicações serviu de referência para as publicações locais que surgiriam por aqui, as quais estive sempre envolvido colaborando de alguma maneira.

  1. Com quais iniciativas você se envolveu no transcurso da sua militância?

Naquela época, anos 80, iniciei me envolvendo com o movimento estudantil: 1984 (ano que entrei no curso de Agronomia/UFMT) foi marcado pela saída da clandestinidade das organizações estudantis, o que representou um boom dos Centros acadêmicos e DCEs nas universidades; naturalmente a turma que se agregava em torno das conversas sobre anarquismo e outros ideais libertários (ação direta, movimentos ecológicos, autogestão, anarco-sindicalismo, contra as diversas modalidades de ditaduras, etc.) também começou a se organizar enquanto movimento estudantil. As ações iniciais eram de formação, informação e agregação militante1.

Em 1988 surgiu o BIA – Boletim de Informações Anarquistas: foi uma publicação de certa regularidade com circulação no âmbito da UFMT, inicialmente opinativa sobre temas locais, posteriormente foram sendo agregadas notícias libertárias de outras regiões além de textos clássicos de formação (Proudhon, Bakunin, Malatesta, Tolstoi, José Oiticica, Edgard Leuenroth, etc.).

O BIA foi um catalizador do movimento reunindo pessoas com ideias e ideais próximos e, mais do que ação política, fundamentou bases de sólidas e duradouras amizades (o que por si só me parece bastante revolucionário ainda nos dias de hoje!). Simpatizantes das ideias de “grupos de afinidade”, as pessoas se organizavam em diversos grupos independentes e autônomos dentro dos cursos de graduação, sem a definição de um grupo central.

Do surgimento do BIA, espontaneamente, algumas pessoas se agregaram em torno do MAU (Movimento Anarquista Universitário), promovendo palestras sobre temas diversos, atividades culturais e eventualmente panfletárias denunciando algum fato interno da UFMT ou de Cuiabá. Eventualmente – sempre com o necessário humor e escracho contra toda caretice reinante – participávamos de chapas nos CAs e DCEs, algumas vezes em chapas “puras”, noutras compondo com pessoal mais progressista no ME, invariavelmente assumindo as coordenações de cultura e comunicação.

Figura 1 – Boletim de Informações Anarquistas (julho/1992)

Na virada de 1989/90, realizamos um encontro anarquista na Chapada dos Guimarães/MT, recebendo alguns companheiros de São Paulo e Brasília; na época, além de curtir as cachoeiras do cerrado, rolaram discussões sobre a conjuntura, debates sobre as possibilidades de ações e articulações anarquistas mais amplas, como nas campanhas do Voto Nulo, ou da Federação Anarquista, entre outras, por exemplo. O encontro gerou um documento que foi distribuído nacionalmente na época:

Figura 2 – Resoluções do 1° Acampamento Anarquista de fim de ano

O movimento anarquista foi adquirindo mais visibilidade no mundo cultural local e, decorrente de constantes encontros e articulações com os movimentos anarco-punk e secundarista, em 1995 acaba surgindo o Coletivo Cultural Libertário – também conhecido como “Voluntários sem pátria”.

O CCL, ou “a sede” como também ficou conhecido, foi uma cooperativa de bandas e centro cultural autogestionário. Localizado na região do centro histórico de Cuiabá (na rua Voluntários da Pátria!), agregava o pessoal da UFMT, dos movimento secundarista da antiga ETF (Escola Técnica Federal – atual IFMT), jovens e velhos trabalhadores desgarrados do sistema, músicos de diversas matizes sonoras, pessoal de outras artes em geral e curiosos. As bandas se organizavam em ensaios semanais, aos finais de semana sempre aconteciam os shows, cinema, palestras, saraus, havia uma biblioteca/discoteca, e com o dinheiro arrecadado nos shows e trabalho voluntario de muitos, se organizava a manutenção do espaço.

O Coletivo Cultural teve vida efêmera (cerca de um ano e meio), porém de resultados duradouros: na mesma época da formação do CCL e com muitos que se articulavam por ali, surgiu a ideia da AMAV (Associação Matogrossense de Audiovisual – que agregava o pessoal de uma nascente cena audiovisual local); a moçada da Brigada Poética (grupo autogestionário de assuntos e ações ligadas a poesia/literatura) também se articulava pelos espaços do CCL; posso ser categórico e afirmar que muita gente com atual relevância na vida artística/cultural de Cuiabá, teve sua iniciação e possíveis influências acontecendo naquele espaço/tempo. O CCL foi um “templo da diversidade”, antes que esse termo estivesse na moda.

Figura 3 – Cartaz de Inauguração do CCL

Na época do CCL, eu me encontrava num certo momento de transição – estava com dois filhos pequenos numa cidade que inchava rapidamente e trazia toda a carga de violência urbana e neuras contemporâneas – o que acabou culminando com a decisão de uma mudança para uma pequena cidade do interior do estado e consequente afastamento do cenário cultural/político da capital de MT por uma década ao menos.

Figura 4 – Matéria em jornal sobre a Inauguração do CCL

4. Você se reconhece em alguma das correntes históricas do anarquismo?

Todas as ideias e experiências de anarquismo me interessaram: as histórias da Colônia Cecilia, da Revolta de Kronstadt, da Makhnovtchina, maio de 68 (na França) ou a experiência da CNT espanhola, são histórias que alimentaram e coloriram meu imaginário da juventude.

Particularmente, desde que conheci os textos de Malatesta, sempre gostei de me identificar com os ideais do Anarco-comunismo, ou seja, aquela concepção desenvolvida em finais do século XIX pelos anarquistas europeus que defendia uma sociedade futura sem classes, sem Estado e sem propriedade privada dos meios de produção, na qual os frutos do trabalho seriam distribuídos de acordo com as necessidades de cada indivíduo, em conformidade com a máxima: “de cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades”.

Certamente que a vivência (já tenho mais de meio século acumulado!) me trouxe aportes e desdobramentos desses fundamentos, que ainda carrego como ideal (sem ser “fundamentalista”). E a crítica atual que tenho é justamente nesses termos: um certo ‘fundamentalismo libertário’ eurocêntrico que muitos ‘militantes’ carregam em pleno terceiro milênio.

5. O que você pensa do sindicalismo e dos movimentos sociais em associação com o anarquismo?

A associação do anarquismo ao sindicalismo e outros movimentos sociais é histórica, indissociável, inerente e seminal. Creio que é muito valiosa a inserção de anarquistas, das mais diferentes matizes, nos diversos movimentos sociais e no sindicalismo. Apesar de toda realidade do aparelhamento partidário, da ingerência política e de todas as mazelas muito bem conhecidas e vivenciadas por muitas pessoas libertárias, a participação de anarquistas, além de estarem historicamente ligados a distintos movimentos sociais, dá um necessário “tempero libertário” a eles.

Cada época, lugar, categoria profissional, etc., tem suas formas de luta específicas, e todas são válidas se levam a emancipação popular.

Pessoalmente não tenho muita participação efetiva no sindicalismo – me identifico mais com as intervenções nas áreas culturais e educativas. Acredito que a possibilidade de um mundo novo, melhor do que o atual, se dará pelas ações na educação e na arte; não só por esses caminhos, mas creio que minha contribuição pode ser mais efetiva nessas áreas.

6. E sobre a militância anarquista no contexto atual, o que você acha importante destacar?

Gosto de pensar no Anarquismo como uma filosofia radical, pensado por radicais – aí é importante definir o sentido de “radical”: ir até a raiz das questões, entender as coisas com profundidade! Assim como historicamente sempre demos especial atenção em explicar o sentido da palavra ‘anarquia’, precisamos tornar compreensíveis outros termos relacionados ao tema. Assim sendo, como comentei antes, tenho um certo ranço com o termo “militante”, que naturalmente sugere centralização e falta de autonomia (totalmente o oposto das ideias anarquistas, libertárias).

Em relação ao contexto atual do ativismo libertário, da minha parte, com todo um histórico de intervenções na educação, arte e cultura, acho importante destacar essas áreas específicas: a da retorica libertária, e da ação na academia e na arte.

Quanto a essa retórica libertária, a arte de usar uma linguagem para comunicar de forma eficaz, lógica e persuasiva, a importância das palavras bem colocadas ainda é fundamental para o nosso Movimento; sempre tivemos boas e incontestáveis argumentações para as mentes abertas, permanentemente atentas para as mudanças que ocorrem na vida social. A palavra em todas suas formas – cantada, escrita, falada, poetizada – ainda me parece um bom recurso a se dominar, em resumo.

No que diz respeito a ação acadêmica, penso que vivemos o paradoxo da educação: ao mesmo tempo que escolas/universidades são templos de reprodução do status quo (ou aparelhos ideológicos de Estado), também são espaços de possibilidades de formação de pessoas mais libertárias, e é nesses espaços que podemos ter boas inserções. A Educação ainda é um campo com potência revolucionária.

Acredito também na necessidade do avanço das pesquisas sobre anarquismos no Brasil: vejo muitas pesquisas históricas sobre o anarquismo no Brasil (sempre como coisa de um passado mais ou menos glorioso!), mas poucas considerações sobre o contemporâneo. Será que não existem coisas interessantes do campo libertário pra estarem sendo analisadas/registradas pelos envolvidos na pesquisa acadêmica?

Ao mesmo tempo, até que ponto os trabalhos acadêmicos sobre temas libertários (contemporâneos ou não) são interessantes? Ou em que proporções esses trabalhos são feitos/apresentados de maneira diferente da imensa maioria de trabalhos acadêmicos envelhecendo sem leitores nas estantes? As pesquisas carregam atitudes libertárias dos pesquisadores, com alguma importância ou significado para a coletividade? São questões/reflexões que me parecem importantes de se compartilhar no meio libertário.

No que se refere a produção artística, creio que é difícil produzir arte que não seja libertária. Uma ‘coisa artística’ assim seria, no máximo, só mais um produto descartável.

Sobre a contemporaneidade, apesar de tudo que temos vivido recentemente, sou otimista; penso que muito das premissas anarquistas (principalmente horizontalidade, voluntarismo e autonomia, por exemplo) estão sendo praticadas diariamente por infinitos ativistas, coletivos e grupos mais ou menos libertários, tendo sido incorporadas – conscientemente ou não – por diversos movimentos sociais (trabalhista, vegan, indigenista, negro, ambiental, político, artístico, de gênero, entre outros) e com imensa transversalidade entre eles.

Testemunhando algumas décadas de vida, da queda de muitos muros, ao surgimento da internet (com todas suas possibilidades e mazelas), a virada do século XXI, etc., gosto de pensar que muitas de nossas ideias estão sendo experimentadas (reafirmo: conscientemente ou não!); apesar de todo crescimento de um fascismo político/religioso atual no brasil e no mundo, penso que muitas das propostas históricas do anarquismo podem ser observadas nas manifestações contemporâneas. Se cada um/uma observar com atenção e sem desespero, possivelmente verá muito disso também.

7. O que de mais significativo mudou na conjuntura de 2018 para cá?

Em relação a ‘análise de conjuntura’ não consigo ser muito otimista, ou seja: a situação nunca me parece favorável à população, ao povo trabalhador do qual fazemos parte – sejam nas cidades ou no campo – e existem inúmeras situações que poderíamos estar abordando por aqui (desemprego, mecanização, falta de representatividade efetiva nas instâncias de poder, encarecimento do custo de vida, etc.); de toda maneira, o que certamente me parece muito visível e significativo, é um barulhento fascismo contemporâneo misturado com fundamentalismo religioso e o “tradicional” pouco estudo de boa parte da população.

Mas, ao observar o que vem acontecendo em outras regiões, parece que essa onda não se restringe ao Brasil: poderíamos dizer que é uma onda global, possivelmente fruto dos rearranjos geopolíticos contemporâneos. De toda maneira, sempre é bom lembrar aquela máxima de Leon Tolstoi: “Os ricos farão tudo pelos pobres, menos descer de suas costas”. Infelizmente ainda se mostra atual em todo o mundo!

8. O anarquismo precisa de atualização, a utopia libertária ainda se apresenta vigorosa?

Certamentea utopia libertária segue vigorosa e renovada a cada dia. Revigorada geração após geração em cada indivíduo, grupo ou coletivo, que almeja vivenciar seus sonhos sem as amarras, sejam elas reais ou imaginárias, impostas ou auto impostas.

Da minha parte, seja no cotidiano, na produção acadêmica ou na artística, tenho mergulhado numa tentativa de atualização das ideias libertárias junto ao que se denominou “pensamento decolonial”. Mais do que uma ‘onda acadêmica’, me parece necessário “decolonizar” a visão crítica dos processos culturais, políticos, sociais, artísticos.

Por essa decolonização, me refiro não a jogar no lixo todos os pensadores anarquistas europeus, mas a valorizar numa mesma equivalência (ou talvez até com um pouco mais valor) os pensadores, as formas de viver e refletir dos povos tradicionais e pensadores do nosso lado do mundo.

Ao observar o movimento zapatista no México, por exemplo, ou uma parcela da juventude latino-americana defendendo ideias como do “sumak kawsay” (quéchua) ou “teko porã” (guarani) – princípio de vida baseado na cosmovisão e nos saberes ancestrais dos povos indígenas e andinos – ambas significando/propondo “viver em plenitude”, podemos perceber semelhanças, e até uma “atualização da utopia libertária”; ou, como dizem, “muito além de esquerda ou direita”.

Desde um bom tempo tenho me incomodado com um certo grau de “fundamentalismo anarquista”: é essencial a leitura, o conhecimento dos clássicos, dos fundadores daquilo que conhecemos como pensamento libertário, o anarquismo e sua história, etc., mas é imperioso – pela própria natureza da proposta libertária – estar atento para não transformar essa ideia em mais uma forma de crença engessada, indiscutível dogma e “verdade absoluta superior a todas as outras verdades”, acrescentar a crítica contemporânea e não apenas ficar recitando velhas receitas prontas estabelecidas por europeus do final do século XIX.

Conheço um monte de brazucas velhos que sonham em ser Bakunin, Mahkno ou Durruti, mas desconhecem Ricardo Flores Magón, Emiliano Zapata, ou qualquer uma das inúmeras histórias de rebeliões indígenas (contra o sistema colonial nos séculos XIX e XX, ou mais recente contra as mazelas do capitalismo) acontecido nas américas. Quantas anarco-feministas conhecem o trabalho de Silvia Rivera Cusicanqui ou o Colectivo Ch’ixi, por exemplo? Um pouco mais de conhecimento de nossa própria história regional seria muito bem vindo no Movimento.

9. Nos fale um pouco da importância do anarquismo para a sua vida e relações mais amplas.

O anarquismo foi a base de minha formação como pessoa, cidadão, e como artista, me deu ferramentas de observação e autocrítica que tento exercitar permanentemente. Na vida familiar, creio que experimentei uma educação libertária junto a meus filhos: cresceram pessoas conscientes, donas de seus destinos, e que não se rendem a imposições sociais/religiosas/políticas; libertárias com responsabilidade, enfim.

Enquanto professor (filosofia e música) na rede pública por mais de uma década, sempre tentei aplicar práticas da pedagogia libertária (valorização do diálogo, antiautoritarismo, autonomia individual visando o fortalecimento do coletivo, por exemplo), o que me rendeu amizades éticas e duradouras com ex-alun@s, além de ajudar a formar a base de muitos caráteres críticos.

Por outro lado, ao observar criticamente a história da modernidade/pós-modernidade ocidental da qual fazemos parte, podemos perceber que, sempre que surge um elemento novo de manifestação contestatória, esse mesmo é capturado pelo sistema capitalista que dá um jeito de transformá-lo em produto de consumo, vendável e descartável. Assim foi com o rock, com o punk, com o flower power, com o orientalismo dos anos 60, com o anarquismo de maio/68, e com mais uma infinidade de ideias/movimentos/descobertas dos últimos dois séculos.

Manter-se aberto para o novo – que sempre vem – e, ao mesmo tempo, em alerta para com essas permanentes armadilhas criadas pelo establishment vigente, é exercício permanente, é manter o espírito libertário!

10, Minhas considerações transitórias desse momento.

Para alguns, o otimismo que compartilho pode ser considerado ingênuo ou “desfocado da realidade” por alguém com um “ponto de vista pragmático”, mas isso denotaria ao mesmo tempo o ‘ranço revolucionário de vanguarda’ de que alguns se acham possuidores.

Sempre gostei de sentir o pensamento anarquista como propulsor de um Movimento; e como tal, possui altos e baixos durante o decorrer dos tempos. Para exemplificar o que acredito, lembro uma reflexão de Kropotkin no texto “Fatalidade da revolução” (provavelmente da virada do século XX, e que me parece bastante atual ainda!) onde explica que:

“A ideia anarquista teve de combater todos os preconceitos sociais, impregnar-se a fundo de todos os conhecimentos humanos a fim de poder demonstrar que suas concepções condiziam com a natureza fisiológica e psicológica do homem. (…) O âmbito das ideias anarquistas ampliou-se. Tendo partido de uma simples negação política, foi-lhe igualmente necessário atacar os preconceitos econômicos e sociais. (…) É essa diversidade de questões a atacar e a resolver que fez o sucesso das ideias anarquistas e contribuiu para sua rápida expansão; que fez com que, emanadas de uma minoria de desconhecidos, sem meios de propaganda, elas hoje invadissem, mais ou menos, as ciências, as artes, a literatura.” (KROPOTKIN 2007, p. 69)

Me parece que coerência nas palavras e nas atitudes é o que sempre caracterizou aqueles que se diziam e ainda se dizem libertári@s; a busca é por harmonizar essa crença com a luta cotidiana para existir.

NOTA

1 O termo “militante”, quando pensamos num ponto de vista libertário, carrega em si algumas contradições: sugere disciplina, centralização e ausência de autonomia; talvez o termo ‘ativista’ fosse mais adequado ao pensamento libertário (sugere experimentação, horizontalidade e autonomia).

REFERÊNCIA

KROPOTKIN, Piotr. “Fatalidade da Revolução.” Em O princípio anarquista e outros ensaios, por Piotr Kropotkin, 142. São Paulo: Hedra, 2007.




Fonte: Ielibertarios.wordpress.com
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