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Instituto de Estudos Libertários entrevista Lenilson Nóbrega da Silva de Oliveira


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Janeiro de 2021

1) Quem é Lenilson Nóbrega da Silva de Oliveira?

 Um jovem negro, estudante de História, abolicionista penal e que acredita em um futuro pautado em liberdade, igualdade, autogestão e federalismo.

2) Quando teve os primeiros contato com o anarquismo?

Nas aulas de História no segundo ano do Ensino Médio.

3) Relate um pouco da sua experiência com ocupação de escola. Como era o cotidiano? Quais os resultados?

A ocupação do Colégio Pedro II, lugar no qual estudei, aconteceu em um contexto em que as escolas e universidades públicas do país estavam sendo ocupadas. Mais de mil instituições públicas foram ocupadas.

A reivindicação dos secundaristas era o fim da reforma do Ensino Médio, o fim da PEC 241 e era contra o projeto escola sem partido.

Dias antes de começar a ocupação, houve uma assembleia do corpo estudantil. Nessa assembleia, nós decidimos as funções que cada um seria responsável. Vale ressaltar que, independente de gênero, qualquer estudante poderia realizar qualquer tarefa. No dia 25 de outubro, a ocupação teve início e, nesse mesmo dia, horas antes de começar a ocupação, os professores do Colégio Pedro II fizeram uma assembleia. Sabendo que os discentes iriam ocupar o Colégio, eles votaram para que houvesse greve. Temos que lembrar que a maioria foi a favor da greve.

Durante a ocupação, as pessoas divididas em grupos realizavam as tarefas. A gente limpava o pátio, as quadras, a cozinha, os banheiros entre outras tarefas. Nós fazíamos a comida com alimentos que eram doados por professores, pais de estudantes e simpatizantes da causa. Além da questão da manutenção do ambiente, a ocupação teve atrações culturais como roda de capoeira, exposição de filme e show de talentos. Houve palestras sobre feminismo e revolução espanhola. Como estava próximo ao ENEM, os professores fizeram aulões para os estudantes do terceiro ano.

Após 68 dias, a ocupação chegou ao fim. Nos últimos dias de ocupação houve uma depredação da cantina e de outras partes do Colégio por parte de alguns estudantes. Ademais, a PEC 241 foi aprovada, a reforma do Ensino Médio também, mas, um tempo após a ocupação terminar, o projeto escola sem partido foi arquivado. Assim, creio que a Ocupação nos ensinou que a União entre estudantes e professores – a classe trabalhadora – como um todo é fundamental. Além do mais, como tivéssemos uma certa liberdade durante a ocupação, vimos como isso gera responsabilidade e, acima de tudo, uma dependência do coletivo, apesar de cada um ter sua autonomia. Por fim, como já supracitado, o arquivamento do projeto escola sem partido creio eu que foi uma de nossas vitórias.

4) Sobre a questão racial, como você relaciona o anarquismo com a ela?

O anarquismo luta contra todas as opressões. Desta forma, o anarquismo na América, tem que debater a questão racial, pois ela estrutura a formação das opressões em todo o continente.

5) Como estudante libertário, que aspectos teria a destacar sobre o anarquismo no campo acadêmico?

Dentro do campo acadêmico, infelizmente, eu tenho que destacar mais a ausência do que a presença. Os autores e teorias anarquistas poderiam fazer parte das ementas de vários cursos, principalmente nas ciências humanas, mas são ignorados, ou por ignorância, ou por esquecimento das contribuições das teorias anarquistas e dos anarquistas para a história.

6) Você se identifica com alguma linha histórica do anarquismo?

Ainda não me identifico com nenhuma linha histórica do anarquismo, mas sou simpático ao anarcossindicalismo, pois creio que só uma classe trabalhadora organizada é capaz de promover mudanças sociais significativas.

7) Como você definiria a militância anarquista hoje?

Atualmente, creio que a militância anarquista está dispersa. Seja por questões de diferenças táticas, seja por questões históricas. Apesar disso, creio que devemos olhar para as favelas e periferias do Brasil. Lá, onde o Estado só chega a partir do direito penal e o capital massacra cada vez mais a população, há coletivismo nas relações e construções.

8) Sobre a atual conjuntura, o que você teria a dizer?

O avanço do protofascismo bolsonarista exige que façamos uma frente ampla com urgência. Evidentemente, a frente não pode ter fins eleitorais, mas combate ao fascismo e defesa da autogestão e federalismo.

9) Suas considerações finais.

No Brasil, o anarquismo tem que levar em conta as questões raciais, pois elas estruturam a política, a economia e as relações sociais. Desta forma, antes de tudo, precisamos desestruturar, além do Estado e do Capital, a democracia racial, pois ela é um dos pilares da supremacia branca no país.

Além disso, temos que apoiar os coletivos autogestionários, porque, na prática, eles têm conhecimento sobre a vivência com a ausência do Estado.

Por fim, a organização da classe trabalhadora junto aos desempregados e secundaristas é essencial, pois, só desta forma, conseguiremos a revolução política e social.




Fonte: Ielibertarios.wordpress.com
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