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Instituto de Estudos Libertários entrevista Marco


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Novembro de 2020

1) Quem é Marco?

Meu nome é Marco, sou estudante e trabalhador autônomo da área de informática e TI.

2) Quando se deu o seu primeiro contato com o anarquismo?

Comecei a me interessar pela ideologia libertária quando tinha por volta de 13 anos e era estudante da rede pública. No caminho da escola, tinha um grafite que via de dentro do ônibus, quase sempre lotado, onde se lia algo como: “A sua pobreza é a riqueza do patrão”.

Curioso sobre aquilo, topei com um exemplar de “Deus e o Estado” do Mikhail Bakunin e por aí foi.

3) Nos primeiros tempos, quais as formas de militância adotadas por você?

Participei do movimento secundarista ainda como estudante da rede pública estadual em um colégio de Niterói. Quando tinha por volta de 15 anos, professores e estudantes da minha escola estavam engajados na denúncia das péssimas condições das salas de aula improvisadas. Devido a uma obra emergencial, as aulas eram ministradas em um barracão improvisado com telhado de zinco, ao lado das obras, expostos ao calor, à poeira e ao barulho das obras. Apesar das promessas não cumpridas do poder publico de alugar um local adequado, a pressão da comunidade escolar apressou a entrega de parte das salas e o abandono do ‘barracão’.

Em outro momento, participei da luta pela manutenção do passe livre estudantil. Na época, era comum a pressão dos gestores das empresas sobre os rodoviários para tentarem criar empecilhos ao acesso do passe livre pelos estudantes. E logo veio por parte do poder público estadual a proposta para limitar o passe livre estudantil, o cartão eletrônico do passe livre. Apesar das denúncias de que o dispositivo iria limitar de maneira arbitrária ou mesmo impedir o acesso ao passe livre a alguns estudantes, tal medida contou com a complacência da esquerda eleitoreira e de alguns gestores das escolas que sabotaram as mobilizações.

E, infelizmente, a expectativa se cumpriu e o passe livre eletrônico segue restringindo e impedindo o acesso ao direito.

Após terminado o ciclo do ensino médio, fui me afastando do movimento secundarista, tanto por esgotamento em relação aos acontecimentos quanto pelo cansaço da rotina de trabalho e estudo.

4) O que representou 2013 para sua militância?

Quando as mobilizações de 2013 aconteceram, já me encontrava com interesse renovado. E logo após, através de um companheiro, comecei a atuar no movimento de luta pelo passe livre, do qual participei por alguns anos. Para além de uma revolta pelo estado das coisas, o passe livre em si era e é uma pauta necessária, não apenas pelo direito de ir e vir, de acesso a trabalho e serviços. É algo que toca a vida de todos os trabalhadores submetidos no transporte público (que é privado) a longas jornadas, desconfortáveis e com valores de passagem inflados. Valores esses encomendados pela máfia dos transportes às autoridades municipais e estaduais.

Logo, como tantos outros trabalhares e estudantes precarizados, vi motivos de sobra para participar.

5) Qual a ênfase da sua atuação hoje? Nos fale um pouco da sua inserção social.

Têm uns cinco anos estou atuando na minha comunidade através da BEM, biblioteca comunitária Engenho do Mato.

Entendo que a importância de uma atuação comunitária é levar a politica para fora do centro. Para atravessar os muros da academia. E, na direção contrária, levar os propósitos e saberes das comunidades para a centralidade dos debates e que a auto-organização das comunidades encontre eco e floresça em iniciativas de outras comunidades que se fortalecem mutuamente.

A BEM por sua vez é uma ocupação cultural e pedagógica autogerida localizada no Engenho do Mato, comunidade do município de Niterói -RJ. A BEM funciona como biblioteca comunitária e envolve uma ‘rede’ de diversas outras ações envolvendo: educação, cultura, artes e esporte.  Nessa situação atual de emergência sanitária causada pela pandemia do Covid-19 e austeridade econômica promovida pelos governos, a BEM tem se dedicado à campanha ‘Doe a quem precisa’ para levar livros e mantimentos às famílias em situação de insegurança alimentar.

6) o que você teria a dizer do anarquismo hoje?

Acredito que o anarquismo, bem como outras formas de resistência social, não pode perder o horizonte de que vivemos em uma sociedade de classes. Os reveses que os trabalhadores têm enfrentado nos últimos tempos parecem ter fortalecido a ilusão que representa os gestores progressistas do capital, mas o único progresso que eles garantem é o progressivo aumento do lucro daqueles que já são riquíssimos.

A mudança vem da mobilização da sociedade, nos conflitos de classe, nas lutas por melhores condições de vida e trabalho. É vital o fortalecimento da solidariedade entre os trabalhadores.

7) Suas considerações finais.

Finalizo convidando a todos a conhecer a BEM (nossos canais /bembibliotecacomunitaria ou /bembiblioteca), no momento estamos com nossas atividades presenciais suspensas em respeito à situação sanitária. Mas ainda estamos abrindo toda quarta-feira, das dez da manhã até meio dia, para arrecadação de mantimentos para a campanha ‘Doe a quem precisa’ que vem levando suprimentos a várias famílias em grave situação de vulnerabilidade social.

Pode doar também pelo site: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/doe-a-quem-precisa-v

E se você não puder doar e nem mora próximo, procure iniciativas ou se organize no seu local de moradia ou de trabalho. Construa a solidariedade!




Fonte: Ielibertarios.wordpress.com
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