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Instituto de Estudos Libertários entrevista Marinice da Silva Fortunato


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Junho de 2022

Marinice da Silva Fortunato

1- Nos fale um pouco sobre a sua trajetória intelectual.

Na escola, aprendi a decorar tudo o que o professor escrevia na lousa. Não havia biblioteca na cidade. Eu queria ler! Visitava amigos que tinham livros em casa. Eu tinha por volta de 10 anos. Que prazer sentia! Já questionava os dogmas da Igreja, mas era entre “eu e eu mesma”. Questionava situações/vivências onde as palavras “comunismo, corrupção” eram usadas.

Meus avós eram inimigos políticos e eu não conseguia descobrir qual deles era o “corrupto”. Vivo na busca da “verdade” até hoje. Kkkk

2 – Como se deu o encontro com o pensamento anarquista?

Quando eu era professora primária, levei alguns alunos no dentista. Ele me falou sobre ESPERANTO. Fiquei “maravilhada”. Convidei-o para ir a escola cantar em esperanto. Sucesso. Mas eu não sabia nada sobre anarquismo. No Ginásio, o professor de Português me provocava colocando dúvidas nas minhas certezas. Fiquei buscando respostas e estas me levavam a novas perguntas. No Magistério, aconteceu situações semelhantes, por exemplo, quando o professor de Sociologia pediu para que eu escrevesse sobre a Sociedade Ideal. Todos os meus argumentos ficavam sem sustentação!

Já no Mestrado e Doutorado, encontrei O professor Maurício Tragtenberg. Quando eu expunha dúvida, ele me indicava livro. Ao ler o livro, eu me deparava com mais perguntas. No Centro de Cultura Social, aprendi muito, principalmente o valor do diálogo, o respeito pelo pensamento do outro. O nome anarquismo; para mim, veio junto com a vivência dos valores anarquistas.

3 – Sobre o seu recente livro, Trabalhadores construindo sua escola (Brasil, 1900-1920), o que você acha importante dizer?

Eu acreditava no discurso que pregava “a participação da escola – comunidade”. Porém, ao colocá-lo em prática, percebia que era um discurso para “inglês” ver. Tentavam “me frear” e eu não sabia por que. Aos poucos saí do “pedagogismo ingênuo” e caminhei para a “desobediência civil”.

Foi aí que comecei a ligar autogestão pedagógica com autogestão social.

4 – Existe algum paralelo possível entre as escolas operárias da primeira República e o que se encontra hoje na educação?

Descobri a importância do estudo do “passado” que está no “presente” e como tudo deve ser examinado, buscando “sementes” para se construir o “HOJE’, o “futuro’. Autogerir não é necessariamente o mesmo que “participar”.

5- Existe interesse no estudo da educação popular hoje?

Sim. Tanto da classe dominante como da população esclarecida. Aí está a nossa luta. Um povo esclarecido não será dominado. O racismo estrutural, o assassinato da cultura indígena, por exemplo, deve ser ensinado, pesquisada, bem como o uso da internet etc.

Perdão, mas, como professora, ensinei muito fakenews e neles eu acreditava. Demorei para descobrir que o Brasil não foi descoberto, mas invadido….

6- Você entende a autonomia como um projeto de todas as classes sociais?

Não vejo uma sociedade autogerida contendo “classes”.

7- E a educação e o anarquismo, existe um horizonte comum possível?

Se entendermos Educação, no campo pedagógico, como autogestão, auto-organização, formação de autodidatas, onde a minha liberdade se completa na liberdade do outro, então podemos acreditar que é possível a construção de um mundo justo, amoroso e solidário. Como educadores, estaremos colaborando na autogestão da sociedade, na criação da sociedade ácrata. O povo, assim, poderá se libertar da exploração, da opressão. Publiquei um livro:

e nele coloquei alguns aforismos:

E quando achamos que temos todas as respostas, vem a VIDA e muda as perguntas.

8- Considerações finais.

Resumindo: Foi a poesia que me levou ao anarquismo? Talvez. Poemas declamados no período escolar muito falavam ao meu coração, mesmo que eu não entendesse plenamente seu conteúdo, tais como: Poema da Mocidade (p.63), de Marinice da Silva Fortunato. Memórias aqui vocadas. Memórias equivocadas?, Poema Canção. (p.66 do mesmo livro), Poema do Futuro (p. 67 do mesmo livro). Muitos anos depois, fiquei sabendo que, entre meus melhores professores, estavam os professores que acreditavam no anarquismo.

E ainda: (parte introduzida por sugestão da entrevistada).

A QUESTÃO DA LEITURA NO MEU PAÍS

Em nosso país, a leitura de livros físicos e/ou digitais é para poucos, segundo dados do Instituto Pró-Livro. Mesmo textos longos na internet não são muito apreciados e/ou compreendidos.

Motivos não faltam. A desigualdade econômica, social e política eleva a taxa de analfabetismo entre pobres, negros, indígenas. Quantos brasileiros passam fome, não têm emprego, moradia…

Nossas escolas carecem de bibliotecas, distribuem apostilas desinteressantes, indicam obras literárias nem sempre segundo o interesse do consumidor.

Cabe a nós, que amamos a leitura de livros e a leitura do mundo, fazer este trabalho de estímulo à leitura. Como?

Criando encontros de estudos, debates, reflexões utilizando o livro, que deve ser escolhido pelo grupo. O que ler, para que ler, por que ler, como ler são questões interessantes!

Desde 1962, quando eu era professora primária, e até hoje, este é o trabalho que oferece LUZ para minha vida. Encontros tais como: escola de pais, biblioteca volante, grupos de ex-alunos, clube de mães, cursos de primeiros socorros, grupos de compra comunitária, horta escolar, clube de leitura (nas residências), Café com leitura (no bar), Grupo SALS (Segurança Alimentar Sementes do Amanhã) (encontros com merendeiras), alfabetização de adultos, Educafro, Estudo em grupo sobre nossa cultura afro-indígena, Estudo sobre a escola pública (Equipes Docentes), Estudo do Meio… (O uso da internet pode estar aqui presente).




Fonte: Ielibertarios.wordpress.com
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