Fevereiro 22, 2022
Do Agencia De Noticias Anarquistas
175 visualizações

A Ucrânia tem sido um barril de pólvora desde há muitos anos. O conflito tem raízes num quadro histórico muito complexo que vai desde a derrota russa na Guerra da Crimeia no século XIX, à guerra da Ucrânia no século XX, que levou à criação da República Socialista Soviética da Ucrânia, à entrega por Nikita Khrushchev da Crimeia à Ucrânia, ao processo conhecido como Euromaidan, à Guerra de Donbass e à anexação russa da Crimeia.

Nem os acordos de Minsk II, assinados para reduzir a tensão da guerra do Donbass, nem a diplomacia europeia conseguiram mitigar este longo conflito em que estão em jogo demasiados interesses geopolíticos, econômicos, energéticos e étnicos. Interesses que colocam as oligarquias pró-russas contra as nacionalistas pró-europeias e que deixam os trabalhadores ucranianos no meio, os quais têm que aprender a viver numa incerteza constante entre a guerra civil, a ocupação militar, a miséria que a guerra traz e que oligarcas irão lucrar com o seu trabalho.

Uma incerteza que nós, trabalhadores da Europa e do mundo, também somos obrigados a partilhar, visto que as potências beligerantes possuem milhares de ogivas nucleares, tornando esta tensão muito semelhante às que já se viveram durante a Guerra Fria.

A atitude do governo espanhol de enviar tropas para os vários exercícios militares da OTAN¹, assim como em organizar a cúpula de Madrid em 2022, responde à escala militarista que estamos a ver crescer, em que se investe cada vez mais em militares e armamentos, e onde a indústria militar engorda com a venda de armas e com a participação da Espanha em conflitos internacionais.

Perante a escalada da tensão e do possível conflito bélico, solidarizamo-nos com os trabalhadores ucranianos. Rejeitamos a interferência imperialista da OTAN e da Rússia, a ocupação estrangeira e o nacionalismo, e fazemos nossas as palavras de Nestor Makhno:

Um poder estatal “intruso” e um poder de Estado “independente” dão no mesmo, e os trabalhadores não ganham nada com nenhum deles: eles devem orientar os seus esforços, onde quer que estejam, para destruir o aparelho de Estado e substituí-lo por organismos operários e camponeses vocacionados para a autogestão social e econômica“.

Nem guerra nem negócio de morte
Nem guerra entre povos nem paz entre classes

Federação Anarquista Ibérica – FAI

[1] Também Portugal já anunciou o envio de militares para integrar os contingentes da OTAN nos países que integram a organização no leste europeu.

federacionanarquistaiberica.wordpress.com

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/07/espanha-declaracao-da-cnt-contra-a-guerra-na-ucrania-e-o-militarismo/

agência de notícias anarquistas-ana

nuvem que passa,
o sol dorme um pouco –
a sombra descansa

Carlos Seabra



on Twitter


on Facebook


on Google+




Fonte: Noticiasanarquistas.noblogs.org