Março 24, 2022
Do Agencia De Noticias Anarquistas
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Ontem, sexta-feira, 4 de março, foi realizada a segunda audiência de um julgamento criminal envolvendo 40 pessoas no Tribunal de Livorno, acusadas de ter contestado Giorgia Meloni, expoente de Fratelli d’Italia, durante o dia 13 de fevereiro de 2018.

Naquele dia a praça se encheu de inúmeros habitantes da cidade, que sem qualquer consulta, manifestaram espontânea dissidência e desdém pela presença de um partido que remete à ditadura fascista, que ainda carrega em seu símbolo as flamas tricolores que saem da tumba de Mussolini, um partido responsável com os demais que governaram o país nos últimos 30 anos da involução autoritária da sociedade, precariedade, cortes nos gastos sociais, salários e pensões. Aqueles que se encontravam na praça naquele dia quiseram dar uma resposta clara e firme às provocações de um parlamentar que nos últimos dias havia divulgado graves declarações xenófobas após o ataque racista em Macerata por Luca Traini, um expoente da extrema direita da região de Marche que havia sido candidato à Liga e que havia tentado realizar um massacre, atirando em seis negros no centro, antes de se entregar à polícia, cumprimentando-os com os braços estendidos e com a bandeira italiana apertada ao redor do pescoço. Poucos dias depois de se gabar publicamente de que a culpa é da esquerda e procurar outras justificativas semelhantes para tal ataque, Giorgia Meloni escolheu a Piazza Garibaldi como teatro para sua visita a Livorno, o centro mais mestiço da cidade, contexto nem sempre pacificado, mas certamente vivo, vívido, densamente povoado e historicamente antifascista. Não sabemos o que ela esperava encontrar, mas lembramo-nos de vê-la atravessar a praça, balbuciando, com óbvia intenção zombeteira, ao som de Bella Ciao, que alguém havia iniciado de um alto-falante bluetooth ou talvez de uma das muitas varandas na praça, muitas delas enfeitadas com faixas de protesto. Do seu lado apenas sua escolta, talvez um punhado de simpatizantes reunidos com as cidades vizinhas e cerca de trinta agentes.

Seguido de trinta minutos de antifascismo popular, uma resposta ruidosa a uma presença fascista, identitária, racista e nacionalista que consideramos deletéria e nefasta e que, acreditamos, não deveria ter lugar no debate político, mas apenas disputa, pelo menos a partir da Resistência.

Depois de um ano e meio, em outubro de 2019, 40 condenações criminais e 4 despachos Daspo (prevenção italiana de crimes civis) foram cumpridos naquela meia hora, no valor de mais de € 200.000 em multas pecuniárias. O delito mais contestado é o Reunião Sediciosa, crime contido em decreto régio de 1930 emitido em pleno regime fascista e, portanto, funcional à manutenção de uma ordem autoritária que hoje contraria o princípio fundamental da liberdade de dissensão.

Todos os aspectos deste procedimento, desde o instrumento processual adotado até o tipo de crime contestado, são indicativos de uma reiterada e nostálgica vontade política de suprimir o exercício dos direitos fundamentais, sobretudo a liberdade de manifestação, perpetrada através da criminalização de todos os tipos de dissidência.

Por esta razão, os acusados ​​decidiram opor-se ao decreto criminal e ir a julgamento, para afirmar a liberdade de expressar sua dissidência e seu antifascismo. A presença naquela praça, naquele dia, foi necessária e importante, e contou com as mais variadas participações. Antifascismo também é isso: impedir a disseminação de ideias e práticas racistas, discriminatórias, de ódio e violência.

O antifascismo não vai a julgamento!

Livorno antifascista

05/03/22

>> Solidariedade concreta! Apoio para pagar os honorários advocatícios:

https://www.gofundme.com/f/effetto-refugio

Fonte: https://umanitanova.org/livorno-lantifascismo-non-si-processa/

Tradução > GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

Na noite trevosa
eis, quando menos se espera,
teu semblante, lua!

Alexei Bueno



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Fonte: Noticiasanarquistas.noblogs.org