Fevereiro 18, 2022
Do ITHA-IATH
166 visualizações

Kauan W. dos Santos. “Pontes de Liberdade: internacionalismo e imaginários nacionais na construção do anarquismo no Brasil (1890-1937)

O anarquismo foi amplamente estudado como elemento político na defesa dos interesses da classe trabalhadora e dos grupos subalternos. Uma das metas dessa ideologia era a destituição dos governantes e dos detentores dos meios de produção de maneira global, unindo os grupos explorados de forma internacionalista. Não obstante, os militantes anarquistas, mesmo teoricamente antinacionalistas, não deixaram de perceber os nacionalismos como ambientes de disputa e espaços para sua disseminação política. Esse projeto tem como objetivo estudar as conexões entre anarquismo, internacionalismo e as diversas imaginações e ideários nacionais na construção do anarquismo no Brasil, assim como sua influência no movimento operário e revolucionário no período da Primeira República – seu ápice e sua primeira fase no país. De um lado, muitas vezes, o discurso internacionalista era usado de maneira apenas discursiva sem a atenção da própria prática em unir diferentes demandas étnicas e suas especificidades no país, fato que era somado às redes transnacionais entre imigrantes de uma mesma nacionalidade, fazendo seus interesses se voltarem mais especificamente ao seu grupo, o que resultava na rápida disseminação da corrente política anarquista em determinada corrente migratória, mas podendo apresentar entraves na totalidade da classe trabalhadora no país. Não obstante, muitas vezes, anarquistas e sindicalistas aproveitavam os próprios imaginários nacionais para alastrarem sua cultura política, unindo essa tendência ao seu internacionalismo prático entre imigrantes de diferentes demandas e brasileiros. Depois disso, tentando construir um movimento operário e revolucionário coeso com as realidades locais, nacionais e internacionalista – mesmo por vezes imaginadas e modeladas – tais agentes impulsionaram o anarquismo e o favoreceram a adentrar nos movimentos sociais e políticos em nossa hipótese. O mesmo acontecia comumente com imaginários revolucionários de classe – como o internacionalismo, associativismo ou insurrecionalismo – para criarem uma imagem revolucionária dentro de sua ideologia na unidade nacional, assim como legitimarem sua corrente política, ao mesmo tempo também em que usavam e instrumentalizavam textos e pensamentos intelectuais, nacionais e internacionais do período, para tal. Militantes e ativistas anarquistas também desenvolveram suas estratégias e táticas e suas atuações em diferentes esferas – cultural, política e econômica – dependendo da região em que se instalavam, da composição da população, de sua forma de disseminação e enraizamento e da interpretação dos personagens diante dessa realidade.

Resumo.

Baixe o artigo completo aqui: Kauan W. dos Santos – Pontes de Liberdade




Fonte: Ithanarquista.wordpress.com