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Liberdade para Abdullah Öcalan e todos(as) os(as) presos(as) políticos(as)!
Avante para a Longa Marcha Internacionalista (Frankfurt-Estrasburgo)!

Abdullah Öcalan está preso desde 1999 em isolamento na ilha-prisão de Imrali, na Turquia. Foi detido numa grande complô internacional que juntou diversos países para o seu encarceramento, Öcalan é hoje um símbolo da luta pela autodeterminação dos povos. Acusado de terrorismo, a sua pena de morte foi permutada para prisão perpétua, e é mantido há muitos anos sem a possibilidade de acesso a visitas – mesmo de seus próprios advogados – e lhe é negado quaisquer pedidos para um novo julgamento. A prisão de Öcalan soma-se à de milhares de outros presos políticos na Turquia, em particular curdos, que se amontoam nas prisões sem direito a uma defesa justa, e inúmeras vezes qualquer defesa, de acordo à muito vaga lei anti-terrorista que permite a detenção indefenitiva por anos sem julgamento, incluso por trabalho jornalístico.

O contexto actual da política interna da Turquia é de uma escalada da repressão do Estado ao comando de um governo ultraconservador, nacionalista e chauvinista, do partido AKP de Erdogan, por um lado, e do aumento da força de movimentos supremacistas e fascistas (como os lobos cinzentos) que tem carta branca das forças de “ordem e segurança” para atacar o povo curdo e outras minorias religiosas e étnicas no país. Apesar da eventual e pontual contradição de interesses entre estes dois grupos que visam o poder, ambos tem colaborado na repressão política e social sobre o povo curdo e são responsáveis por ataques a militantes, jornalistas, associações e partidos pró-curdos, numa escalada de fascisação do Estado cujo precedente mais próximo se encontra apenas no periodo que remonta à ditadura militar no país (1980-83).

É de dentro da prisão que Öcalan escreve o Manifesto por uma Civilização Democrática, que se tornou um livro sintese do Confederalismo Democrático, proposta política anti-estatista e anti-capitalista desenvolvida pelo movimento curdo, numa teoria e prática radical, anticolonial, socialista e de libertação das mulheres. Inspirados nesse fenómeno, o povo curdo e os batalhões internacionalistas vem, nos últimos anos, travando batalhas de proporção épica contra o avanço do fascismo islâmico na região do curdistão ocidental (ou síriaco), vindo a declarar, em meio à guerra civil da Síria, a autonomia de Rojava, e a consequente fundação da Federação Autónoma do Norte da Síria (Administração Autonoma do Norte e Leste da Síria – Rojava, na sua mais recente denominação). Esta região tem sido então pioneira na construção de uma sociedade livre e conduzida comunalmente pelo povo organizado. A luta pela liberdade de Öcalan, então, mescla-se com a defesa da revolução autonoma, com a defesa da autodeterminação dos povos e com o combate ao estado, ao fascismo e a tirania religiosa.

Recentemente a Região de Rojava volta a estar sobre ataque, em três frentes separadas: a oeste pelos aliados jihadistas da Turquia, que incluem a TFSA e grupos ligados à Al-Qaeda, que conseguiram com apoio militar turco conquistar o cantão curdo de Afrîn; a norte pelos constantes ataques aèreos e raids transfronteiriços desde as àreas de ocupação Turca da Síria, incluindo várias documentações de tortura pela polícia-militar a civis; e por fim, do interior do território da Federação Autónoma, por células do Estado Islâmico que continuam em operação e se creêm auxiliadas por agentes do Estado Turco, numa altura em que os representantes militares turcos dizem ter mudado o foco da invasão terrestre, largamente frustrada pelas milícias curdas e batalhões internacionalistas, para as “operações especiais” e auxilio a células “rebeldes”, para depois sim poderem avançar com seus planos de conquista e hegemonia regional. A par destes avanços, é sabido que o ISIS tem mantido bases dentro da própria Turquia, documentadas pela imprensa internacional, e no mês passado tentaram uma das maiores fugas de prisão alguma vez já vistas, resultando na morte de 120 pessoas apesar de ter sido impedida. Esta operação alegadamente faria parte de um complô para destabilizar a região e viabilizar um ataque híbrido ISIS-Turquia-TFSA.

A luta dos povos do curdistão e pela Auto-determinação do Povo Curdo, é uma renovada esperança para a luta contra a miséria do povo. Ela demonstra que a guerra e a revolução não são assuntos separados, são ambas tarefas para a nossa emancipação, quais devemos aceitar integralmente. Ao mesmo tempo que se combate o fascismo do Estado Islamico e as investidas imperialistas da Turquia e seus aliados, avançam as coletivizações de terras, as iniciativas de combate ao patriarcado e pelo poder das mulheres, a construção de cooperativas e de organismos políticos, enfocados na democracia directa federal e representação multi-cultural, organismos que permitiram gerir essa nova sociedade nas mãos do povo. Estes organismos são de facto prova viva de que não só outra sociedade é possível, como a única forma de a atingir é a acção colectiva, federal, dirigida de baixo para cima, onde os representantes obedecem às bases e não são políticos de profissão que escolhem nosso destino, mas sim nós, o povo, o único que tem o máximo interesse na vitória e na revolução. Estamos juntos à revolução dos povos do Curdistão por entender este como um dos fronts mais avançados da luta pela revolução mundial. Que mil outras Rojavas floresçam pelo mundo! Que um milhão de internacionalistas se insurjam por sua causa!

Por isso, do dia 6 ao dia 12 de fevereiro, iremos integrar a Longa Marcha pela Liberdade de Abdullah Öcalan e todos(as) os(as) prisioneiros(as) políticos(as), que irá de Frankfurt até Estrasburgo, para dar visibilidade à situação de Öcalan e denunciar a passividade da comunidade internacional frente ao Estado imperialista da Turquia.

A defesa da revolução curda é uma luta de todos os povos do mundo.
Contra o fascismo islâmico e o imperialismo turco, solidariedade proletária internacional!

Avante o Socialismo Revolucionário e a Revolução de Rojava!
Avante todes para a Longa Marcha!

COPOAP – Coléctivo Pró-Organização Anarquista em Portugal




Fonte: Embate-copoap.weebly.com