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As organizações da Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas expressa total apoio e solidariedade ao ativista Paulo Galo que tive prisão temporária decretada, na quarta-feira (28), onde é investigado sobre eventual e suposto incêndio contra a estátua do escravagista Borba Gato, ocorrido no último sábado, em São Paulo.

Galo trabalha como entregador de aplicativos e é uma liderança do movimento Entregadores Antifascistas. Ele também é integrante do movimento Revolução Periférica, que reivindicou autoria do incêndio da estátua do bandeirante escravocrata Borba Gato, na zona sul da capital paulista. A prisão foi anunciada quando ele se apresentou voluntariamente ao 11º Distrito Policial. Além de Galo, sua família foi surpreendida com o pedido de prisão de sua companheira Géssica, que nem mesmo estava no ato do 24J neste último fim de semana. O casal tem uma filha de três anos. Gessica foi libertada no sábado.

As prisões são arbitrárias e demonstraram a seletividade para criminalizar trabalhadores e trabalhadoras e ativistas sociais que lutam e questionam o capitalismo e a história da elite escravocrata e racista no Brasil. A prisão temporária para quem voluntariamente se apresenta à polícia é um absurdo. A ação seja de quem for ao queimar um símbolo do racismo, que não deixou vítimas, não apresenta justificativa jurídica para a prisão. Por isso se trata de uma prisão política.

Galo, ao chegar no distrito policial, disse que o objetivo do coletivo com essa ação de sábado foi exatamente colocar em discussão o fato de seguirmos homenageando genocidas, assassinos, estupradores com estátuas.

A estátua de Manuel de Borba Gato homenageia o passado do escravocrata que é acusado pelo genocídio de indígenas e negros. Começou suas expedições com seu sogro, Fernão Dias Paes. Participou da chamada Guerra dos Emboabas. Era um escravocrata que possui em sua história menções a torturas e estupros de negras e indígenas. Ele foi responsável por caçar e vender mais de 300.000 indígenas para os senhores de engenho do Nordeste.

No Brasil pode se queimar o Pantanal, o Museu Nacional, a Amazônia e mendigos que dormem na rua e ninguém é punido. Mas queimar a estátua, que não sangra nem sente dor, de um assassino símbolo da oligarquia é inaceitável para a burguesia e seus governos.

Manifestamos total solidariedade ao movimento Revolução Periférica que pautou no Brasil o tema hoje visto em diversos países onde atos e amplos protestos questionam e derrubam símbolos racistas e coloniais. Que possamos revisar nossa história. Que ela seja contada pelo povo e que não seja colonizada nem criminalizada ! Chega de estátuas, nomes de ruas, escolas ou prédios públicos que homenageiam escravagistas, ditadores, generais, torturadores, estupradores, exploradores e opressores de toda ordem !

Lutar não é crime ! Liberdade, já, para Galo e Géssica !

#liberdadeparagaloegessica !

#Lutarnãoécrime !




Fonte: Laboursolidarity.org