Agosto 4, 2021
Do Jornal Mapa
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Nos últimos dias de Julho, os navios Ocean Viking, da SOS Mediterranee, e Sea Watch 3, da Sea Watch International, juntamente com o barco Nadir, da ONG alemã Resqship, resgataram cerca de 800 pessoas de embarcações à deriva no Mediterrâneo. Isto sucedeu numa altura em que a guarda costeira líbia aumentara a agressividade das suas acções e, no espaço de 48 horas, interceptara mais de mil pessoas, perfazendo um total de 18 mil até aos dias de hoje, se tivermos em conta apenas o ano de 2021.

Há muito que a UE é acusada de criar polícias fronteiriças por procuração, de forma a que Estados como a Líbia façam o que a Europa não pode fazer sem violar grosseiramente os direitos humanos e as leis internacionais: interceptar migrantes e impedi-los de chegar a costas europeias. Migrantes esses que, depois de retirados do mar pelas autoridades líbias, são, nas palavras de Safa Msehli, porta-voz das Nações Unidas para as migrações, «levados para instalações de detenção deploráveis, onde enfrentam ainda mais abusos e exploração».

O Jornal MAPA tem analisado a política de «externalização de fronteiras» da UE e não tem podido senão dar eco a estas acusações. A Frontex, por seu lado, tem-nas negado repetidamente. Em Abril, contudo, uma investigação acabou por demonstrar a sua pertinência. E, no passado dia 31 de Julho, a missão civil de reconhecimento aéreo Seabird deu-nos mais uma confirmação, ao afirmar ter testemunhado a ajuda da Frontex à guarda costeira líbia na detecção de barcos em perigo na área de busca e salvamento de… Malta, uma prática que tem tanto de ilegal quanto de corriqueira.

A chamada Rota Central do Mediterrâneo, que parte da Líbia em direcção a Itália, ou Malta, é uma das mais mortais para quem procura uma vida nova na UE. A Organização Internacional de Migrações acabou de informar que o registo de mortes na primeira metade de 2021 quase duplicou em comparação com o mesmo período de 2020. Até este momento, sabe-se da morte de 1,113 pessoas. E sabe-se também que muitas das que não morreram acabaram algures na Líbia, detidas em acampamentos inumanos ou entregues a uma qualquer máfia local.


Fotografias de Flavio Gasperini | SOS Mediterranee




Fonte: Jornalmapa.pt