Maio 19, 2021
Do Reporter Popular
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A Associação dos Geógrafos Brasileiros de Porto Alegre (AGB-POA) realizou, na última segunda-feira (17), uma live com Ehrasto Felício, que é membro da Teia dos Povos, e Luis Machado, liderança do Quilombo dos Machado, localizado na Zona Sul da capital gaúcha. A conversa fez parte do ciclo de debates Geografia, Terra e Território e o tema foi Terra, Território e R-Existências no Brasil. Assista na íntegra abaixo ou no canal da AGB-POA, clicando aqui:

“É preciso, desde a terra, construir os territórios; e desde o agora, construir um mundo novo.”

Erahsto, que também é historiador e professor do Instituto Federal da Bahia, contou um pouco sobre a Teia dos Povos e explicou que não se trata, exatamente de um movimento social, e sim uma articulação de povos, organizações e territórios em luta.

É uma aliança preta, indígena e popular para enfrentar o grande inimigo em comum: o latifúndio. Essa grande aliança ancestral, mais do que respeitar as diferenças, se apoia nas particularidades culturais de cada grupo.

Erahsto também explicou sobre autonomia e soberania dos territórios, sobre a ideia dessas populações produzirem seu próprio sustento e relatou que é um dos objetivos da Teia dos Povos, que está construindo sua organização no Rio Grande do Sul (leia mais clicando aqui). Ele defende que, antes de tudo, a defesa da terra passa pelo combate à fome:

A barriga vazia é o lugar onde o capitalismo se instala primeiro nos e nas de baixo. É a partir daí que o pobre topa violentar a terra pra sobreviver.

“Território é todo amor por aquele espaço em que vivemos, por aquela luta ancestral”

Militante da Frente Quilombola do Rio Grande do Sul e liderança do Quilombo dos Machado, Luis Machado contou sobre a luta quilombola. Para ele, a capoeira – tradição dos quilombos – descreve bem essa história:

O quilombo urbano é a periferia buscando a sua ancestralidade, a sua luta, fazendo a ginga do dia-a-dia. Nossa caminhada é uma ginga: a gente tem que saber todos os dias da nossa vida quando a gente vai atacar, quando a gente vai fazer a defesa, e quando vai fazer a chamada.

Ele falou também sobre o que é o aquilombamento, que é o processo de “fincar raízes” nos territórios onde os ancestrais de cada povo construiu sua trajetória:

Imagina se toda periferia ancestral, negra, se aquilombasse e fincasse raízes (…) A gente derrubaria o latifúndio, o agronegócio e a especulação imobiliária.




Fonte: Reporterpopular.com.br