Fevereiro 17, 2022
Do Colectivo Libertario Evora
159 visualizações

Acaba de ser editado (Janeiro 2022, edição de autor, 500 exemplares) o livro “Oil Dorado”, uma reportagem fotográfica sobre a monocultura do olival instalada em vários concelhos do distrito de Beja da autoria de André Paxiuta. O álbum, editado com os contributos monetários de uma campanha de crowdfunding, insere um texto inicial do arqueólogo Samuel Melro (Preâmbulo em Defesa do Território), outro de Pedro Horta, do Movimento Alentejo Vivo, um outro de Alberto Matos, da Solidariedade Imigrante e de Fátima Mourão, da Associação Ambiental Amigos das Fortes, que vive um gravíssimo problema ambiental. Integram o livro também testemunhos de um imigrante, natural da Gâmbia, a trabalhar nos olivais de Beja, e de uma habitante em Fortes, todos eles num grito de denúncia dos crimes ambientais, paisagísticos e humanos, de destruição acelerada do território e das suas gentes, corporizados na monocultura do olival.

Segundo o autor “”Oil Dorado” é o resultado de quatro anos dedicados a documentar, fotográfica e textualmente, as consequências ambientais e sociais do novo paradigma agro-industrial de olivicultura intensiva e superintensiva instalado nos territórios a sul do Tejo. No conjunto, este trabalho serve o propósito de um testemunho colectivo, procurando criar um espaço de reflexão sobre o caminho até ao momento percorrido.

Como refere Samuel Melro no Preâmbulo…

“O retrato aqui fugazmente ensaiado demonstrou como o sacrifício da ruralidade e do território condenou gerações, imprimiu cicatrizes profundas no tecido social e feriu de morte a terra. À semelhança de outras análises territoriais, como referiu o antropólogo João Carlos Louçã (Parsifal, 2021), a promessa de modernidade industrial destruiu formas de vida, desarticulou comunidades e forçou-as à partida. É esta a realidade em redor da acelerada transformação dos campos do Sul.

Partilhando a visão de esperança do antropólogo, subsiste, ao invés, um apelo e uma capacidade de resistência pelo espaço comum na qual podemos aprender que “a relação com a terra não é nunca uma relação de propriedade individual, mas de utilização coletiva perante uma natureza que não se procura domesticar, mas que se integra nas cosmologias humanas e perante a qual a comunidade ganha sentido e encontra o seu lugar”. Conscientes da paisagem, as lutas são necessariamente lutas pelo território”.




Fonte: Colectivolibertarioevora.wordpress.com