Setembro 10, 2021
Do Reporter Popular
157 visualizações


A Marcha das Mulheres Indígenas, programada para acontecer ontem foi adiada para esta sexta-feira,10, após ameaças e coações de bolsonaristas contra as mulheres acampadas em Brasília. Desde a noite desta quinta-feira, 08, comitivas de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro aportaram ao lado do acampamento de Luta pela Vida, onde milhares de etnias indígenas seguem acompanhando a votação do Marco Temporal.

De acordo com informações de integrantes da comitiva de Alagoas e de Sergipe, ao temer hostilização, as comitivas chegaram a solicitar auxílio da Polícia Militar de Brasília e foram surpreendidos com a resposta da corporação. “Eles disseram que não podem garantir nossa segurança se sairmos do acampamento”, relata a militante indígena, Vivia Tinguí-Botó.

Diante dos alertas que chegaram ao acampamento, indígenas vêm adotado práticas como retirar toda a pintura corporal antes de sair do acampamento. “Estamos cercados aqui. Para você ter ideia, para sairmos daqui precisamos tirar tudo o que nos identifique. Não vai ter mais Marcha indo para o senado, pois é ir para o suicídio. Os bolsonaristas estão dispostos a tudo”, contou outra militante indígena do acampamento.

Desde a retomada do julgamento do Marco Temporal, nesta quarta-feira, as comitivas indígenas receberam “avisos” e decidiram assistir a sessão dentro do acampamento. Após a chegada das filas de ônibus com apoiadores do presidente, a situação piorou e todas as mobilizações de marcha foram interrompidas.

Em meio a toda a apreensão, o levante indígena vem obtido parcialmente notícias positivas do Supremo, após o ministro Edson Fachin, relator da pauta, ter votado contrário ao Marco Temporal. A tese encampada pelos ruralistas defende que indígenas só podem reivindicar demarcação de terras já ocupadas antes da Constituição de 1988. Caso aprovada, deve causar um profundo ataque aos direitos dos povos indígenas. Ao ser contrário à tese, Fachin defendeu que o direito à demarcação deve responder diretamente à Constituição, que por sua vez preconiza o direito originário às terras. A votação deve continuar na próxima quarta-feira, 15, com a continuidade da leitura do ministro Nunes Marques.




Fonte: Reporterpopular.com.br