Novembro 24, 2020
Do Agencia De Noticias Anarquistas
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Por Marcolino Jeremias | 23/11/2020

Sempre há quem diga, especialmente nos meios de esquerda, que a história do anarquismo no Brasil foi feita em sua totalidade por militantes estrangeiros. Além de ser mentira, esse era justamente o discurso das autoridades brasileiras que queriam deturpar o anarquismo e dividir a classe trabalhadora com base numa pretensa ‘nacionalidade’. Dentro dessa visão colocam que o anarquista por ser estrangeiro não se importava com as lutas nacionais que o precederam por aqui, com a questão de raça e que por serem operários não se importavam com as questões do trabalhador rural. Nada mais falso.

Primeiro negam a figura do anarquista brasileiro, depois omitem que muitos dos estrangeiros chegaram aqui crianças, se tornaram anarquistas aqui, muitas vezes formados pelo elemento nativo.

Nesse texto [ver imagem em destaque] do periódico anarquista ‘A Terra Livre’ (São Paulo, 1906), um morador de Rocinha (antigo nome do município de Vinhedo), escreve falando sobre uma greve que ocorreu entre os camponeses da fazenda “São Bento”, com o apoio e a solidariedade dos anarquistas.

Nessa passagem em destaque, fala de outra situação na mesma fazenda, onde José Consião, trabalhador negro, de 18 anos, por não ir um dia ao trabalho foi chicoteado pelo administrador da fazenda, Tagino de Sousa. Após o fato, o camponês negro foi até a cidade de Atibaia dar parte do fato. O delegado se limitou a escrever um bilhete e pediu para que José Consião o levasse até seu patrão, pedindo que fosse realizado o pagamento ao trabalhador.

Ao fazer isso, José Consião foi despido e espancado por 4 pessoas. O trabalhador negro chegou a ser levado para a Santa Casa de Atibaia, mas constava que havia falecido. O jornal anarquista encerrava essa denuncia antirracista explicando os motivos pelos quais os anarquistas sempre priorizaram a estratégia da ação direta: “Até 1888, os escravos não recebiam salário e eram chicoteados. Hoje são chicoteados e não recebem salário… E a sua única garantia não está na lei, pedaço de papel a que os fazendeiros e delegados limpam gostosamente o traseiro, mas na União e na Resistência!

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Frases compostas
no sol que passeia
sob minha caneta.

Jocelyne Villeneuve




Fonte: Noticiasanarquistas.noblogs.org